Empreendedorismo cresce em Londrina no primeiro trimestre

Fonte: Folha de Londrina

Londrina registrou um acréscimo de 8,06% no número de empresas abertas no primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado. O fechamento de empresas caiu 10,32%. De acordo com o relatório estatístico da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), entre janeiro e março foram abertas no Estado 40.282 novas empresas (15,08%), entre microempreendedores individuais (MEI) e registros protocolados na Jucepar, contra 35.001 negócios criados nos três primeiros meses do ano passado. 

Março foi o mês com mais aberturas de novos negócios (14.825) com um incremento de 14,04% no comparado com o mesmo mês do ano anterior. O volume de novos microempreendedores individuais (MEIs) evoluiu neste primeiro trimestre. Foram 29.677 empresas abertas (15,76%) nessa modalidade. 

O presidente da Junta Comercial, Ardisson Akel, afirmou que os números positivos são um reflexo das iniciativas do governo do Estado para desburocratizar a legalização de novos negócios. "A evolução da implantação do programa Empresa Fácil Paraná está simplificando os processos não só de aberturas, mas também alterações e baixas de empresas", disse. 

O Empresa Fácil Paraná é o operador da Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios, Redesim, no Estado. A Jucepar já integrou ao programa 211 prefeituras paranaenses, no qual, para abrir uma empresa, a consulta de viabilidade de endereço, a emissão de alvará e o registro como contribuinte municipal são feitos automaticamente pelo sistema da autarquia. Nessas 211 cidades, o empresário ou contador só precisa ir à Jucepar para protocolar o processo, pois até mesmo a retirada pode ser feita via internet, assim como a emissão de todos os modelos de certidões. 

O consultor econômico da Associação Comercial de Industrial de Londrina (ACIL), Marcos Rambalducci, avaliou que o incremento no número de MEIs está associado a três fatores. Primeiro, à escassez da oferta de emprego com carteira assinada. Segundo, à segurança jurídica que a lei da terceirização, sancionada pelo presidente Michel Temer recentemente, trouxe, e, por último, à reabertura de empresas com a expectativa de retomada da economia. 

"As pessoas estão precisando de emprego e enxergam a abertura de sua própria empresa uma oportunidade de mercado. Também há o componente das empresas que encerraram as portas e agora percebem potenciais de comércios. Vemos a reabertura, por exemplo, de salões de beleza", disse o economista. 

Rambalducci acredita que quem abriu um CNPJ por causa da segurança jurídica e pela oportunidade de mercado deve continuar com as portas abertas. Mas aqueles que fizeram essa opção por causa da necessidade devem retornar ao mercado com carteira assinada. "Ele não é o empreendedor por oportunidade, não é a tônica do empreendedorismo", afirmou. 

Mesmo que a intenção de empreender tenha sido motivada pela necessidade é preciso estudar o mercado, aconselhou o consultor do Sebrae, Rubens Negrão. "É preciso um estudo de mercado, um amadurecimento da ideia, fazer um plano de negócio e um planejamento. Os principais fatores de fechamento das empresas são a falta de planejamento, gestão e perfil empreendedor", ressaltou Negrão. 

O Paraná ocupa a sexta posição no ranking de Estados com maior número de MEIs (385 mil). Em Londrina, são 18.950 e Curitiba, 77.321. "O MEI é uma opção para quem quer empreender. Hoje, são mais de mil atividades contempladas nesta categoria. É uma porta de entrada para o mercado", disse Negrão. Ele acredita que a terceirização será um amplificador de novos MEIs. 

Em relação ao número de baixas de empresas houve uma redução no Estado. De acordo com a Jucepar, 13.348 negócios foram extintos no primeiro trimestre, 10% menos do que os 14.710 que encerraram atividades no mesmo período do ano anterior.