Expectativa é vender 4,4% mais no Dia das Crianças

Fonte: Folha de Londrina

A expectativa de vendas para o Dia das Crianças aumentou 4,4% neste ano em relação a 2018, a maior perspectiva desde 2013 (5,1%), segundo estudo divulgado na segunda-feira (7) pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Fatores como a perspectiva de inflação mais baixa neste ano, uma leve melhora na economia e os saques de até R$ 500 por conta de FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) geram maior otimismo no varejo.

Outras entidades regionais, como Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina), ACP (Associação Comercial do Paraná) e Fecomércio-PR (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná) apresentam metodologias e resultados diferentes, mas todos com indicadores em alta. A percepção geral é de que mais pessoas apresentam intenção de presentear familiares em 2019.

No País, a data deve movimentar R$ 7,8 bilhões. Conforme a entidade, não houve aceleração das vendas nas outras datas comemorativas deste ano, com leves altas na Páscoa (1,5%), Dia das Mães (1,0%), Dia dos Namorados (0,1%) e Dia dos Pais (2,4%).

Porém, o cenário para o segundo semestre deste ano é um pouco melhor. Isso porque a previsão da CNC para a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo - 15) em 12 meses é de 3,5% para outubro, bem abaixo da média de 7,1% dos 12 anos anteriores. “Medidas de estímulo à economia, como a liberação de saques no FGTS e PIS/Pasep, além dos juros básicos em novo piso histórico, tendem a favorecer as datas do varejo nesta segunda metade de ano”, diz o economista Fabio Bentes, da CNC.

Para o consultor econômico da Acil, Marcos Rambalducci, os comerciantes londrinenses apresentam uma perspectiva de alta de vendas de 4% a 5%. “Muito em função da manutenção do tíquete médio e de aumento do número de pessoas que vão presentear na data ou que vão comprar presentes para maior número de familiares.”

Rambalducci estima em R$ 110 milhões a 120 milhões o valor que será liberado até o fim do ano por meio de saques do FGTS, com cerca de um terço (ou até R$ 40 milhões), destinados para o consumo. Ainda, ele conta que houve melhora na perspectiva do consumidores nos últimos dois meses. “Tivemos um aumento de 14% no número de pessoas que quitaram dívidas em atraso em setembro em relação ao mesmo mês de 2018, segundo o SPC Acil, então são pessoas que voltam a ter a condição de potencial tomador de crédito ou de consumidores”, explica. 

O diretor do Instituto Datacenso e consultor da ACP, Claudio Shimoyama, fez uma pesquisa com 200 lojistas de calçados, vestuário, presentes e lojas de departamentos de Curitiba e a expectativa de variação de vendas ante 2018 foi de 1,3%. “A maioria continua esperançosa com a economia e com as vendas nos próximos meses, levando em conta a parcela do dinheiro do FGTS que está sendo sacada e o fim de ano, com 13º.” 

Na sondagem da Fecomércio-PR, foram ouvidos 311 consumidores e 68% pretendem presentear neste Dia das Crianças, ante 61% no ano passado. O diretor de planejamento e gestão da entidade, Rodrigo Rosalem, afirma que há uma melhora progressiva no cenário econômico desde 2017, por mais que seja menos sentida na geração de emprego. "Acreditamos em crescimento nas vendas porque o que acontece em outras datas é que o adulto, seja familiar ou namorado, entende melhor quando não há condição de se comprar um presente para ele. A criança, até pela magia da data, recebe algum presente mesmo que seja no auge da crise."

Lojistas de Londrina esperam por ‘dia do pagamento’

As vendas das lojas de brinquedos em Londrina ainda não engrenaram, mas a expectativa é que este ano seja melhor do que 2018 devido aos pequenos avanços da economia. “Até agora está fraco, mas vai melhorar depois de quarta-feira, quando a maioria das pessoas já terão recebido os salários”, diz a gerente da Toni Toys, do Boulevard Londrina Shopping, Rosa Maria Assalin. 

Para a proprietária da loja de brinquedos educativos Ciranda, Denise Gentil, o tíquete médio das vendas tem aumentado neste ano, o que gera melhores perspectivas para a data. Porém, ela ressalta que a maturação do negócio em 2019 é maior do que antes, já que o estabelecimento ficou mais conhecido e com mais clientes cativos. “Mas tem uma parte que migrou para livros educativos para continuar a presentear, porque é algo mais acessível e porque hoje em dia as crianças têm muitos brinquedos”, conta.

Segundo a sondagem do Instituto Datacenso para a ACP, o valor médio de compra para o Dia das Crianças deve passar de R$ 123 em 2018 para R$ 128 neste ano, alta de 4,0%. Porém, o valor é nominal, sem desconto de inflação.

Na pesquisa da Fecomércio-PR, que apresenta a intenção do consumidor, a expectativa de alta no tíquete médio é de 13,7% já com a inflação descontada. Conforme a pesquisa, o valor passaria de R$ 77,74 no ano passado para R$ 88,44 neste ano, com 41% dos presentes na faixa de preço entre R$ 50 e 100. (F.G.)