Saques do FGTS chegam a R$ 44 bi e ajudam comércio

Fonte: Folha de Londrina

A Caixa Econômica Federal informou nesta segunda-feira, 7, que o valor injetado na economia referente aos saques das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) foi de R$ 44,032 bilhões, ou 88% do total disponível (R$ 49,8 bilhões). O presidente do banco, Gilberto Occhi,contou que 25,910 milhões de trabalhadores acessaram os recursos, ou 79% dos que tinham direito. 

Segundo ele, 36% do valor sacado foi destinado ao pagamento ou amortização de dívidas. "Acredito que isso ajudou muito na economia e todos os setores", afirmou Occhi, completando: "E ajudou principalmente porque deu uma nova oportunidade aos trabalhadores de aquisição de bens, de voltar ao mercado, regularizar a situação (de crédito)". 

O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Fernando Maurício de Moraes, diz que a liberação do FGTS das contas inativas foi muito importante para o comércio da região. Devido a essa medida, ele estima que a loja da qual é diretor (Móveis Brasília) vai fechar o ano com vendas 20% acima das que foram projetadas no início do ano, antes da notícia da liberação dos saques. "Esse dinheiro foi muito importante e ajudou nas vendas do comércio no primeiro semestre", comentou. Moraes acredita que o FGTS também terá impacto nas vendas do segundo semestre. "Muita gente que sacou o dinheiro o usou para pagar dívidas. Essas pessoas limparam seus nomes e agora estão em condições de voltar a comprar", comemorou. 

O diretor de Planejamento e Gestão da Fecomércio-PR (Federação do Comércio do Paraná), Rodrigo Rosalem, também diz que a liberação do FGTS foi muito importante para o setor em todo o Estado, mas ressalta: "O efeito positivo dos recursos liberados das contas inativas do FGTS só não foram melhores por conta da alta instabilidade política em nosso País". 

O fato de muitos brasileiros terem pago suas dívidas e se reabilitado para o crédito pode ajudar no segundo semestre e nas vendas de Natal. Mas ele também se mostra cauteloso quanto a isso. "A alta dos combustíveis e a estiagem levando o aumento da tarifa de energia elétrica impacta diretamente no custo das família tirando o poder de compra delas", justificou. 

SEM PRORROGAÇÃO 
Durante apresentação do balanço, nesta segunda-feira, o presidente da Caixa, Gilberto Occhi, negou qualquer possibilidade de prorrogação do período de saque. "Não haverá prorrogação. Acreditamos que o governo já fez um grande gesto", disse. "Foi uma grande medida do governo federal", completou. 

Ele comentou que apenas alguns casos poderão sacar os recursos até 31 de dezembro de 2018: trabalhadores com doença grave ou que estão ou estavam presos no período normal de saque que terminou em julho. Nesses casos, é preciso levar documentação que comprove a situação à Caixa para a retirada de recursos. 

Além desses, o presidente disse que os cotistas poderão sacar o dinheiro nos momentos tradicionais: para compra de imóvel, em caso de aposentadoria, em caso de doença grave ou após três anos de inatividade da conta.