Conversa com o presidente

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02 de Setembro de 2016

Fazer o que deve ser feito

O primeiro discurso do novo presidente da República, Michel Temer, devolve ao País a esperança de que as pautas do governo central sejam a partir de agora as mesmas pautas dos extratos mais sensatos da sociedade, fartos da demagogia e das soluções mágicas que marcaram os 13 anos do petismo no poder.

No início da fala à Nação, o presidente Temer fez questão de lamentar a herança de 12 milhões de empregados e o incômodo déficit de R$ 170 bilhões antes de dizer que vai “resgatar a força da nossa economia e recolocar o Brasil nos trilhos”.

É louvável a clareza que o novo mandatário comunicou aos brasileiros como encara este desafio. “O governo é como a sua família. Se estiver endividada, precisa diminuir despesas para pagar as dívidas. (...)Nosso lema é gastar apenas o dinheiro que se arrecada”. Sem dúvida, uma mudança de postura que nos dá alento.

No campo político, ele enumera duas prioridades, as reformas da previdência e da legislação trabalhista, uma agenda necessária e urgente também na visão do setor produtivo por um motivo simples: caso estas reformas não aconteçam os pagamentos dos aposentados estarão ameaçados e o problema do desemprego pode se agravar.

Mexer nestes vespeiros exige experiência  e capacidade para realizar a costura parlamentar – o que Temer tem de sobra, além do apoio da opinião pública. Não podemos nos omitir, portanto. Os brasileiros em geral e o empresariado em particular precisam defender o esforço reformista, que por certo será atacado pelos setores mais corporativos e retrógrados da sociedade.

Com estas duas modernizações consumadas, ficaremos mais atraentes aos investidores estrangeiros e a partir deste novo fluxo de dinheiro a economia ganhará dinamismo.

Mas ainda faltarão alguns passos essenciais para o nosso futuro, tão complicados ou mais, como as reestruturações política e tributária. Ambas são peças-chave no aperfeiçoamento da nossa democracia e da nossa base econômica. Vivemos, portanto, o início de uma longa caminhada que teremos que fazer juntos e nos ajudando a cada obstáculo.

Até a próxima,

Claudio Tedeschi

“A República tem dois grandes inimigos, o patrimonialismo e a corrupção”.

Heloisa M. Starling (1955), historiadora

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