Conversa com o presidente

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19 de Junho de 2015

LUGAR DE CORRUPTO É NA PRISÃO

Alguns perguntam: 

- Diante do escândalo da Receita Estadual, qual é a posição da ACIL? 

Ora, a resposta é óbvia! Defendemos a investigação completa dos fatos e a punição rigorosa de todos os responsáveis, sejam eles quem forem. Garantidos o direito de defesa e o respeito ao contraditório, é preciso ir até o fundo no trabalho investigativo, doa a quem doer. Não importa o partido, a classe social, a profissão ou o cargo político: l ugar de corrupto é na prisão. E isso não é nenhuma novidade: há 78 anos, a ACIL pensa assim. 

Desde o início da Operação Publicano, a ACIL ofereceu todo apoio às investigações. Há alguns meses, estive pessoalmente na sede do Gaeco para conversar com os promotores e colocar a ACIL à disposição para ajudar no desvendamento desse esquema que tanto mal causou aos empresários paranaenses. 

A esta altura das investigações, é preciso esclarecer alguns fatos. O esquema de desvios na Receita Estadual não surgiu ontem - existe há pelo menos 30 anos. Não somos nós que estamos afirmando isso, mas o próprio Ministério Público. Também não atinge apenas Londrina, mas muitas outras cidades paranaenses. Ocorre que em Londrina temos uma tradição no combate ao crime que nos permitiu revelar um esquema que vai muito além dos limites do município. 

Algumas pessoas criticam a ACIL e outras entidades locais por não termos divulgado o nosso apoio ao Ministério Público durante a Operação Publicano. Ora, fizemos isso exatamente para que as investigações seguissem o seu curso normal, sem interferências de qualquer tipo ao trabalho do Gaeco. Dessa maneira, contribuímos discretamente para que esse terrível esquema - em que as vítimas quase sempre são empresários, achacados por delinquentes - fosse finalmente desmascarado. 

Necessária se faz uma contextualização histórica. Hoje, ao contrário de alguns anos atrás, o MP é uma instituição forte e conta com a vigilância da imprensa livre. É uma situação muito diferente daquela que existia em 1999-2000, durante o escândalo AMA-Comurb, quando muitos veículos de comunicação eram cerceados em seu trabalho. 

A investigação dos crimes, a punição dos culpados e a devolução do dinheiro desviado são importantes, mas não esgotam o assunto. O problema só será resolvido efetivamente se houver um choque de transparência na Receita Estadual, com a criação de um modelo eficiente para acompanhamento público da arrecadação de impostos nas empresas e fiscalização direta pelas entidades da sociedade civil. Vamos estudar o assunto em profundidade, ao lado de outras instituições, e criar um modelo eficiente e transparente para garantir a arrecadação de impostos e evitar a doença da corrupção, com a qual todos perdemos. Transparência já! 

- Valter Luiz Orsi é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL). 

Frase da semana: "Quando alguém faz uma doação de sangue, está realizando um gesto que se aproxima do amor no sentido de ágape, como diziam os antigos gregos. é o amor puro, que nada pede em troca e nos aproxima de Deus." (Cláudio Tedeschi, empresário e diretor da ACIL)

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