Conversa com o presidente

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19 de Agosto de 2016

O debate que merecemos

Começou a campanha para as eleições municipais. Candidatos a prefeito e a vereador terão pouco mais de seis semanas para conquistar a preferência dos 353.314 londrinenses aptos a votar.

É, sem dúvida, um breve período de discussões para uma decisão tão importante. A justificativa para uma campanha de “tiro curto” é a pressão da sociedade por menos gastos no processo eleitoral.

Iniciativa louvável da Justiça Eleitoral, não fosse um efeito colateral perverso que se desenha, o risco da falta de densidade no debate se agravar.

É preocupante perceber já nos primeiros movimentos do processo o despreparo da maioria, tanto dos postulantes ao cargo de prefeito, quanto - de forma ainda mais flagrante – para aqueles que almejam uma cadeira no Legislativo municipal.

Será que os partidos estão colocando os interesses da coletividade na balança quando o assunto é definir seus representantes nas eleições?

Ou melhor, será que estão cientes de uma responsabilidade implícita nesta disputa, que é a de fazer indicar candidatos com uma qualificação mínima para governar ou fiscalizar o governo?  Ou será que nossos partidos pensam exclusivamente na capacidade dos seus representantes em atrair votos?

Candidatos a prefeito e a vereador precisam muito mais que boa vontade e carisma. Em um processo sadio, eles têm noções básicas sobre contas públicas e gestão, conhecimento razoável dos sistemas de saúde, de educação e de transporte, além de ter uma massa de informação suficiente sobre infraestrutura e programas sociais. Só desta maneira podem se posicionar sobre as questões principais que tomam a agenda do Executivo e do Legislativo. E só assim conseguem formular propostas realizáveis.

Será que 44 dias são o bastante para o eleitor tirar suas conclusões sobre quem dispõe destes pressupostos?

Acredito que, entre outras coisas, a democracia brasileira se ressente da falta de discussão sobre gestão e serviços públicos nos ambientes partidários. Este é um ponto fundamental para entendermos porque o debate é tão pobre durante a campanha.

Em plena largada do processo eleitoral, é lamentável constatar que há poucas posições maduras e coesas para balizar as escolhas dos eleitores, que se desdobram para acertar na urna usando dotes intuitivos. Não avançaremos se não exigirmos clareza programática e transparência de posições dos que se submetem ao julgamento popular. Cabe ao setor produtivo propor esta reflexão e estimular um amplo monitoramento de todo o processo eleitoral.

Até a próxima,

Claudio Tedeschi

Frase da semana

“Quando alguém pergunta a um autor o que ele quis dizer, um dos dois é burro.”

Mário Quintana (1906-1994), poeta gaúcho

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