Conversa com o presidente

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27 de Maio de 2016

O FREIO E A HABILIDADE

O governo interino de Michel Temer conseguiu sua primeira vitória no campo parlamentar ao aprovar a meta fiscal para este ano - R$ 170,5 bilhões, evitando uma possível paralisia do governo a fim de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (o afastamento de Dilma Rousseff está ligado à transgressão desta).

Não há dúvida que a vitória no Congresso tranquiliza o mercado financeiro e, por extensão, todo o setor produtivo. Mas ainda é cedo para comemorar. O que vem pela frente é mais importante e mais difícil de ser viabilizado e executado.

Senão, vejamos: Temer propõe uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que praticamente congela os gastos públicos, corrigindo os orçamentos de um ano para o outro apenas pelo índice de inflação. Para entrar em vigor, é necessária a aprovação dos congressistas, algo, por ora, bastante incerto.

Pois, bem. Trabalhemos, então, com o cenário de aprovação da PEC. É indiscutível que a criação deste controle seria um avanço para o equilíbrio das contas a médio e longo prazo. A austeridade deixaria de ser uma política de governo, eventual, para ser uma política de Estado, permanente. Uma proteção institucional contra as administrações inconsequentes, de retórica populista.

Porém, não podemos nos iludir. O congelamento da despesa primária exigiria um aprimoramento na capacidade de gestão dos futuros governantes. A eficiência deixaria de ser um predicado para ser uma obrigação do gestor.

Temos motivos para acreditar nesta reviravolta administrativa após tantas decepções? É uma pergunta incômoda. Mas não é do nosso feitio o desânimo. Já perdemos bastante tempo. É hora de acreditar no amadurecimento do País.

Embora nada pareça fácil no atual cenário nacional, convenhamos, ao menos não estamos mais à deriva. Temer sinaliza que quer enfrentar a tempestade. Aos líderes de todas as esferas, torna-se um dever juntar-se a ele nesta empreitada, não exatamente por ele, mas pelo próprio instinto de sobrevivência que nos acompanha e, principalmente, pelo futuro do nosso País.

Até a próxima,
Valter Luiz Orsi

Frase da semana
“Tudo vem dos sonhos. Primeiro sonhamos, depois fazemos.”
Monteiro Lobato, escritor (1882-1948)

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