Conversa com o presidente

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07 de Outubro de 2016

Sacrifício universal

Sugiro aos associados uma reflexão sobre o momento que estamos vivendo. E sobre como ele vai determinar o que seremos em alguns anos. O tempo avança, não podemos deter. Mas podemos – e como! – ajustar os rumos da História de uma maneira que ela não ameace nossos valores mais caros.

Neste sentido, constato uma prioridade nesta fase de transição nacional, onde há um duelo entre as forças retrógradas e as forças renovadoras. E esta prioridade é a recuperação das finanças públicas. Ao meu ver, todos nós devemos participar do esforço para equilibrarmos as contas governamentais.  Precisamos de um sacrifício universal: de empresários, de empregados, dos profissionais liberais, dos que fazem parte do Judiciário e do Legislativo, do quadro do Executivo e também dos aposentados. 

Obviamente que o nível de sacrifício deve ser proporcional à renda, tendendo a ser zero nos estratos mais carentes destes grupos.

O certo é que temos que conviver com uma ideia - aquela que diz que o estado brasileiro não cabe mais no PIB – e ter coragem para interromper uma mecânica social perversa, que gera uma multidão de desempregados equivalente à população da cidade de São Paulo. Esta é a face mais obscura e dramática do desequilíbrio das contas públicas.

É perturbador observar alguns dados que explicam a derrocada das contas públicas. Destaco um deles: nos últimos 13 anos, o salário no serviço público cresceu três vezes mais do que no setor privado. Levantamento mostra que entre 2003 e 2016, os salários dos serviços públicos cresceram 33% acima da inflação, enquanto na iniciativa privada esse aumento foi de 10%. A diferença entre o rendimento médio do setor público em relação ao setor privado, neste período, saltou de 44% para 75%. 

O somatório da estabilidade do emprego, aliada ao direito de greve, no setor público, nos parece um dos maiores vetores responsáveis pelo descolamento dos dois padrões salariais.

Portanto, a discussão sobre a reforma do Estado não deve hesitar em abordar todos os tabus que nos levaram à bancarrota. Talvez estão neles as chaves para adentrar numa era onde o Estado tenha atuação e despesas em patamares mais realistas. 

Claudio Tedeschi

Até a próxima,

Frase da semana:

“Não julgo o acontecimento; procuro a consequência.”

Alexis de Tocqueville (1805-1859), pensador francês

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