14/04/2015 00:00:00 Profissões que melhoram gestão nas empresas ganham fôlego com a crise

Fonte: Gazeta do Povo

Passado o primeiro trimestre do ano, a palavra de ordem no mercado de trabalho brasileiro é cautela. A economia cambaleante e os escândalos políticos criaram um cenário pessimista que tomou conta de empresas e profissionais. Mas o momento também é de oportunidades para algumas carreiras do alto escalão, que ganham fôlego em momentos de crise.

A retração dos investimentos e a necessidade de cortar custos dão o tom do mercado de contratações. As companhias precisam controlar as finanças, elevar a produtividade, manter ou aumentar a rentabilidade e, de alguma forma, tentar ganhar mercado. “Isso explica perfeitamente que profissionais chamam a atenção das empresas hoje. Profissões ligadas às áreas de finanças, vendas, operações, tecnologia da informação e recursos humanos estão em evidência neste ano”, diz Patrícia Tourinho, gerente-executiva da recrutadora Michael Page em Curitiba.

Enquanto o desemprego avança na base do mercado de trabalho, as consultorias que recrutam profissionais para o alto escalão das empresas garantem que o mercado não está estagnado. O momento, porém, não é de expansão. “Pode haver sim redução de posições mais medianas, pois as empresas estão cortando gordurinhas”, afirma a consultora da Hays Tailir Blitzkow. Pesquisa da Page Executive, porém, mostra o contrário. Segundo o levantamento, o número de executivos presidentes em busca de um novo cargo no mercado de trabalho no primeiro trimestre deste ano equivale ao triplo do registrado no mesmo período de 2014.

“Logo depois das eleições, sentimos um baque maior. A candidata eleita não era a de preferência do empresariado e isso deixou o mercado fragilizado, em compasso de espera. Aos poucos, as demandas estão voltando, embora os clientes estejam mais seletivos, brigando mais por preço e demorando mais para tomar a decisão final”, observa Felipe Laufer, consultor da Fesa Regional de Curitiba.

“Antes, a recolocação levava, em média, de três a cinco meses. Hoje, já estamos mais próximos dos seis meses. Fazia tempo que a gente não tinha um movimento tão cauteloso de mercado. Não só por parte das empresas, mas os profissionais também estão mais receosos em mudar”, avalia Patrícia. “A busca está mais minuciosa e cirúrgica. Entre seguir reclamando ou buscar os resultados possíveis, a maioria escolheu a segunda opção, porém, com uma estrutura mais enxuta possível”, completa André Caldeira, da Propósito.

Três em um

Sem condições de expandir posições, a tônica é a substituição de profissionais, a única forma de o mercado se movimentar em momentos de crise, dizem os headhunters. “A tendência é que as empresas escolham um profissional com visão macro do negócio, que consiga tocar duas ou três áreas ao mesmo tempo com eficiência”, detalha Tailir.

Remuneração

Fronteira sensível, os salários dos profissionais de alto escalão ainda não foram fortemente impactados, segundo as consultorias. “As companhias encaram como um investimento necessário para atravessar a crise. Ainda há margem de negociação de salários que oscila entre R$ 6 mil a R$ 7 mil”, ressalta Tailir. Segundo Laufer, da Fesa, os salários e a política de bônus seguem os mesmos, mas as metas ficaram mais difíceis de atingir.

Gestores de crise

Após um 2014 difícil, as empresas precisam de profissionais para pôr a casa em ordem e buscar os melhores resultados possíveis diante do atual cenário econômico:

PROFISSÕES EM ALTA

Finanças

São profissionais que vão ajudar a empresa a controlar e cortar custos, negociar preços e prazos com fornecedores, cumprir o orçamento planejado, olhar com atenção a questão fiscal e tributária, e gerenciar questões como ética corporativa, auditoria interna e código de conduta da empresa.
Cargos:
Gerente financeiro e diretor financeiro; gerente de controladoria e de custos; gerente de planejamento financeiro; gerente de planejamento tributário; profissionais da área de compliance; e advogado tributarista.

Vendas

Em um momento desafiador, a área de vendas ganha ainda mais importância. O profissional é responsável por levar a empresa para fora, prospectando novos negócios e aumentando o número de clientes, além de manter e fidelizar aqueles que já têm relacionamento com a empresa. Também pode identificar novas oportunidades de atuação.
Cargos: gerentes regionais de vendas; diretor/gerente comercial; e diretor de operações.

Operações e logística

Em tempos de ajustes, produtividade é palavra-chave. Profissionais ligados à área de operações e logística tem a responsabilidade de fazer a empresa gastar o mínimo para produzir, obtendo ganhos de produtividade e eficiência, sempre de olho nos custos.
Cargos: diretor industrial; gerência de manufatura/logística; gerente/diretor de produção; e diretor de engenharia e produção.

Tecnologia da Informação

Esta é uma área em alta, tanto para os profissionais autônomos quanto para empresas prestadoras de serviço. Eles oferecem soluções em help desk, backup de dados, redes de telefonia, segurança de dados e processos que ajudam a aumentar a eficiência das empresas e otimizar custos.
Cargos: gerente de TI; e analista/desenvolvedor de TI.

Recursos humanos

A retração da economia e a pouca expectativa de aumento na remuneração dos executivos trazem desafios importantes para os departamentos de recursos humanos. Em um cenário de crise, a estratégia de retenção de pessoas precisa ser eficiente, coesa e bem estruturada para manter as equipes motivadas e reter os profissionais.
Cargos: analista, especialista ou gestor de recursos humanos.

PROFISSÕES EM BAIXA

Óleo e gás

Os desdobramentos da Operação Lava Jato minaram as expectativas de investimentos nesse setor, que tem grandes projetos capitaneados pela Petrobras, epicentro dos escândalos. Além disso, o preço do petróleo em baixa e a desaceleração da economia levaram as empresas a cortar vagas e reduzir a remuneração do setor.

Infraestrutura

Toda a cadeia de infraestrutura passa por um momento de ajuste, com as principais empresas do setor bastante fragilizadas pelos efeitos da Operação Lava Jato, que trouxe mudanças significativas para esse mercado. Muitas empresas que atuam na construção civil estão mudando o foco de infraestrutura para os mercados corporativo e privado de olho em novas oportunidades, mas, de forma geral, o momento é ruim.

Setor automotivo

O momento é de alerta vermelho para os profissionais da área automobilística, sobretudo para aqueles que desenvolveram carreira apenas em empresas desse setor. Segundo os recrutadores, não há nenhuma sinalização de melhora para esse mercado, que está totalmente em baixa a com retração das vendas. Embora existam bons profissionais, a maioria está encontrando dificuldades para se recolocar no mercado de trabalho.