26/03/2015 00:00:00 A Cidade Industrial e o futuro de Londrina

Por Paulo Briguet/Equipe ACIL

Quem é de Londrina conhece o Jair Bacaninha, que durante mais de 20 anos morou no canteiro da Avenida Dez de Dezembro com a Rua Tremembés. O nome deste personagem urbano foi citado ontem pelo prefeito Alexandre Kireeff ao sancionar a lei que autoriza a compra de terreno para a instalação da Cidade Industrial de Londrina (Cilon) na Zona Noroeste. Por que o prefeito citou Bacaninha? Você logo vai saber.

Pela lei nº 12.242, sanciona nesta quinta-feira, o Município adquire dois lotes na Gleba Jacutinga, totalizando 1,12 milhão de metros quadrados (ou 46,58 alqueires), onde será implantada a Cidade Industrial. Essa área está localizada no final da Avenida Saul Elkind (sentido Londrina-Cambé), a 3,6 km da PR-445 e da BR-369 – um ponto estratégico para a industrialização da cidade. “É um passo fundamental para a mudança da matriz econômica de Londrina”, disse o prefeito.

O novo polo industrial de Londrina contará com infraestrutura completa: rede de água, esgoto, energia, galerias pluviais e pavimentação. Serão oferecidos 255 lotes, cada um com 2 mil metros quadrados em média. A área na Gleba Jacutinga foi adquirida por R$ 24 milhões, que serão pagos em oito anos.

O prefeito Alexandre Kireeff destacou que o novo parque industrial nasce sob a égide da sustentabilidade. “E nós entendemos, por sustentável, um empreendimento que se baseia no equilíbrio ambiental, econômico e social”, afirmou. “Estamos cumprindo todas as etapas necessárias para a industrialização do município. Não existe atalho.” Kireeff observou ainda que os frutos dessa iniciativa serão colhidos a médio prazo. “Nossas ações têm em vista o futuro da cidade e não se encerram dentro de um mandato.”

O presidente da ACIL, Valter Luiz Orsi, diz que a criação da Cidade Industrial vem ao encontro dos anseios da população londrinense, fato já comprovado em pesquisa realizada pelo Fórum Desenvolve Londrina. “Há alguns anos, as entidades da sociedade civil londrinense iniciaram uma campanha para a instalação de faculdade de Engenharia em Londrina. Esse anseio foi atendido; hoje temos mais de 10 cursos da área em Londrina. Agora são as faculdades que pedem indústrias para empregar os seus formandos”, comentou Orsi.

E o Bacaninha? Por que razão foi citado? Após um intenso trabalho capitaneado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, Jair Bacaninha não mora mais no meio da rua: está sob os cuidados de uma entidade assistencial.  Uma foto sua, bem disposto e saudável, foi publicada numa rede social pela secretária Télcia Lamônica. O prefeito explica: “É preciso saber que a Cidade Industrial e o desenvolvimento econômico da cidade são fundamentais para que possamos realizar os atendimentos na área social”. Sem os recursos gerados pela atividade econômica, as escolas, postos de saúde e entidades assistenciais simplesmente não existiriam. E Jair Bacaninha ainda estaria morando na rua.