13/05/2016 00:00:00 Arnaldo Jabor fala sobre Perspectivas do Brasil

Fonte: Assessoria ACIL

A ACIL participou na noite de ontem (12) da palestra “Perspectivas do Brasil”, com o jornalista, cineasta, crítico e escritor Arnaldo Jabor. O evento foi realizado pelo Sicoob Norte do Paraná, no Teatro Marista, em comemoração aos seus 13 anos.


Em um bate papo com os jornalistas, Jabor resumiu o cenário político brasileiro como uma “crise sem clareza” e elogiou alguns nomes definidos pelo atual presidente da República, Michel Temer, como José Serra para o Ministério de Relações Exteriores e Henrique Meireles no Ministério da Fazenda. Para o crítico, a falha do governo petista foi “conduzir o Brasil como se fosse um país socialista, sendo, por sua vez, capitalista”. E apesar do “grande prejuízo” com a tomada de decisões do governo de Dilma Rousseff, Arnaldo Jabor acredita ser possível reverter o atual cenário de recessão econômica.

Confira a entrevista com Arnaldo Jabor:

ACIL: Com a mudança no cenário político do Brasil após o afastamento da presidente Dilma, quais são as suas perspectivas para o Brasil que vem agora?

Arnaldo Jabor:
É muito difícil dizer isso porque não há uma solução para os problemas. Eles são processuais. O que posso dizer é que terminaram 13 anos de erros, de equívocos. E não é que não fizeram nada, fizeram muito erradamente, fizeram um retrocesso na vida brasileira, na vida política, econômica e administrativa. Agora, o Brasil não é mole. O Brasil é um país muito pantanoso, segura muitos processos. Pode ser que com a chegada do Temer [Michel Temer], eu calculo que pelo menos durante uns 100 dias vai haver um processo de melhoria. Eu gostei do discurso dele [Michel Temer]. Ele está imbuído no papel de salvador da pátria, fazendo perfil de estátua. Tomara! Tem que consertar a economia porque é uma catástrofe.

ACIL: O loteamento de cargos públicos, muitas vezes por troca de favores, culmina na corrupção?

Arnaldo Jabor:
Essa é uma das razões terríveis para a política brasileira. É inacreditável. Mas isso é muito comum porque os caras precisam abrigar partidos senão não tem aliado para aprovar os projetos. Não existe política sem você meter a mão na lama. O problema é não meter demais a mão na lama.

ACIL: O brasileiro está desesperançoso. O que o político deveria fazer para conquistar credibilidade?

Arnaldo Jabor: Se conseguirem reduzir a inflação, melhorar o cenário de desemprego, a situação gradualmente começará a melhorar. A população reage a fatos concretos. Ela pode ser enganada, mas o que pode mudar isso é uma mutação na economia.

ACIL: Existe o lado bom da crise?

Arnaldo Jabor: O lado bom da crise é a gente ganhar consciência do que somos e não ficarmos enganados, acreditando nas mentiras. A crise é a verdade.

ACIL: Você utiliza um tom poético em seus comentários e artigos, muitas vezes interpretados como irônicos. Como é seu dia a dia? Há muitas represálias? 

Arnaldo Jabor: Eu sofro sim muitas represálias [risos], mas nada que seja grave. Já tive muitos processos e sou até hoje processado. O Eduardo Cunha, inclusive, está me processando. Muita gente me odeia, recebo e-mails horrorosos, mas a maioria das pessoas me trata bem. Eu acho que sentem que eu falo e trabalho com o desejo de que as coisas sejam melhores. Não estou fazendo isso que eu faço para me promover.