15/05/2017 16:07:05 ACIL através do tempo

Fonte: Paulo Briguet - Revista Mercado em Foco - ACIL

O Livro do Eclesiastes, um dos inúmeros tesouros da Bíblia Sagrada, faz uma reflexão memorável sobre a natureza do tempo: “Há um momento para tudo e um tempo para todo propósito debaixo do céu. Tempo de nascer e tempo de morrer. Tempo de plantar e tempo de arrancar a planta. Tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir. Tempo de chorar e tempo de rir; tempo de gemer e tempo de bailar. (...) Tempo de calar e tempo de falar. Tempo de amar e tempo de odiar; Tempo de guerra e tempo de paz”.

Ao escrever sobre as oito décadas de existência da Associação Comercial e Industrial de Londrina, vieram-me à mente essas palavras das Escrituras.

Contemplando tudo que a ACIL fez nestes 80 anos, senti-me inclinado a pensar na entidade como uma pessoa de carne, osso e, principalmente, alma. E pensar que a linha do tempo da ACIL, assim como a de Londrina, está só começando...

Pois é pelo tempo que se conquista a eternidade.

(Paulo Briguet)


PRIMEIRA DÉCADA: 1937-1946

Tempo de nascer

Não basta sobreviver, é preciso se unir. Não basta se unir, é preciso crescer

Quando terminou a Segunda Guerra, perguntaram a um escritor que ficara desaparecido durante o conflito:

— O que você esteve fazendo nos últimos anos?

A resposta foi simples:

— Estive sobrevivendo.

Nenhum nascimento é fácil. A primeira conquista da ACIL antecedeu a própria criação da entidade: foi a sobrevivência pessoal dos primeiros habitantes da clareira na mata que se chamou Londrina. Aqueles homens e mulheres enfrentaram as carências, as adversidades, os obstáculos, as dores, os perigos e as incertezas dos primeiros tempos com uma tenacidade que só podemos chamar de heróica.

Os primeiros comerciantes que se estabeleceram em Londrina, no início dos anos 30, eram dois alemães e um libanês. Chamavam-se Alberto Koch, Friedrich Schultheiss e David Dequêch. Os três estavam entre os 19 pioneiros que assinaram a ata de fundação da Associação Comercial de Londrina, no salão nobre do Líder Clube, em 5 de junho de 1937. David Dequêch foi escolhido como primeiro presidente da entidade. Fundar uma entidade empresarial naqueles tempos foi uma conquista em si; um ato de ousadia, marcado pelo espírito de união. Eles sabiam: para sobreviver, era preciso que estivessem unidos. Ainda mais naqueles tempos difíceis, em que a humanidade atravessou o maior conflito armado já visto, com 50 milhões de mortos.

Mais cedo do que se pensava, a ACIL se revelaria fundamental para o futuro da cidade. Apenas cinco meses após a fundação da entidade, Getúlio Vargas deu o golpe do Estado Novo, fechando todas as casas legislativas do País e nomeando interventores estaduais. Durante os primeiros tempos da ditadura, a Associação Comercial foi a caixa de ressonância da população londrinense junto às autoridades. O papel de fiscalizador do poder público também foi corajosamente exercido. Ao denunciar a aplicação irregular de uma verba de 177 contos de réis pela administração municipal, a ACIL provocou a demissão do prefeito João Ferrário Lopes, logo substituído pelo capitão Miguel Blasi.

Já naquela época, a cidade olhava para além de seus limites geográficos. Era necessário um canal de comunicação mais rápido com o mundo. A população já não aceitava esperar longas horas para fazer a travessia de balsa no Rio Tibagi. Numa visita do então interventor Manoel Ribas, conhecido pela alcunha de “Mané Facão”, a ACIL organizou um baile de recepção que acabou se tornando um evento reivindicatório. Quando o interventor deixava a cidade, incomodado com as cobranças, nova surpresa: uma imensa fila de caminhoneiros londrinenses fez com que Mané Facão esperasse horas para atravessar o Tibagi (tudo foi orquestrado pela entidade). E assim, graças à pressão do povo, foi construída a ponte que ligou Londrina ao mundo.

Outras campanhas bem-sucedidas da primeira década resultaram na fundação da Santa Casa, na eletrificação da cidade e no aumento no número de vagões ferroviários para escoamento da produção agrícola. Em 1946, nas dependências da ACIL, nasce uma de suas mais importantes coirmãs: a Sociedade Rural do Paraná.

A conquista de maior simbolismo, no entanto, foi a construção da primeira sede própria da Associação Comercial, que orgulhosamente era apresentada como “o prédio mais bonito e mais alto do Sertão”. No alto desse prédio, a estátua do Mercúrio apontava para cima. Era o rumo da história que a cidade vislumbrava.


SEGUNDA DÉCADA: 1947-1956

Tempo de crescer

Com a presença marcante da ACIL, a cidade se desenvolve em ritmo vertiginoso

O advogado mineiro Milton Menezes, que veio a ser duas vezes prefeito de Londrina, fez em entrevista um comentário certeiro sobre a presença da ACIL já nas primeiras décadas da cidade:

— A existência da ACIL marca o espírito pioneiro que presidiu a organização da cidade. Cidade que, não tendo passado a lembrar, empenhava-se em preparar o futuro.

Se a fundação da ACIL coincidiu com o advento do Estado Novo, a segunda década da entidade começa com ventos democráticos. Após o período ditatorial de Getúlio Vargas, o País tinha um presidente democraticamente eleito, o marechal Eurico Gaspar Dutra. A redemocratização teve efeitos diretos no município, com a eleição dos prefeitos Hugo Cabral (1947-1951), Milton Menezes (1951-1955) e Antonio Fernandes Sobrinho (1955-1959).

Em Londrina, além da democracia, havia a euforia. Euforia do café. Os números são impressionantes: de 1939 a 1951, o valor da saca do café no Porto de Santos teve crescimento de 772%; só entre 1949 e 1950, o salto fora de 80%. Em 1952, a renda do café tornou Londrina o 15º município em arrecadação de impostos no País. Começava a era do Ouro Verde.

No início dos anos 50, a ACIL veio a descobrir que a crônica falta de vagões ferroviários na cidade se devia a uma retaliação de autoridades pelas constantes reivindicações feitas pelos produtores londrinenses. Em agosto de 1952, diretores da ACIL tiveram uma reunião no Rio de Janeiro com o ministro da Viação e Obras Públicas, Álvaro de Souza Lima, e conseguiram resolver o problema. O ministro determinou o auxílio da Ferrovia Sorocabana e de uma frota de caminhões para escoamento da safra.

Em 1953, o comércio da cidade iniciou uma luta que se estende até hoje: a campanha pela ampliação no horário de abertura das lojas. Já naquele ano, a ACIL entrou em rota de colisão com os políticos e burocratas que teimavam em proibir o funcionamento do comércio aos sábados. 

No mundo, a Guerra Fria. No Brasil, o suicídio de Getúlio. Por aqui, a cidade crescia em ritmo frenético. Em 1956, foi inaugurada a pista do Aeroporto de Londrina, que veio a ser o terceiro mais movimentado do País, perdendo apenas os de Rio e São Paulo. O urbanista Prestes Maia, responsável pelo primeiro plano diretor da cidade, comentou: “Londrina é uma cidade regional de primeira classe, em plena prosperidade e em rápido crescimento”.

O fenômeno londrinense tem origem na própria concepção de uma cidade que nasceu como empresa, no bojo da maior reforma agrária promovida pela iniciativa privada em todo o planeta. Assim como aconteceu na primeira década e aconteceria em todas as fases seguintes, as grandes conquistas, fundações e inaugurações da cidade passavam pela sede da Associação Comercial de Londrina. Autoridades como o governador Bento Munhoz e os ministros Horácio Lafer (Fazenda) e João Cleofas (Viação) estiveram na entidade como se a Casa do Mercúrio fosse a representação diplomática de Londrina. Digna de registro também é a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima, trazida à sede da ACIL pelo então arcebispo de Jacarezinho, Dom Geraldo de Proença Sigaud.

Em espírito e entusiasmo, em corpo e alma, a ACIL crescia com Londrina, enquanto os cafezais em flor anunciavam tempos ainda mais fascinantes. Abençoada terra!


TERCEIRA DÉCADA: 1957-1966

Tempo de brilhar

As vitórias e as conquistas da época em que Londrina foi a Capital Mundial do Café

Quando uma pessoa faz 20 anos, está no que chamamos de “a flor de idade”. Se o solo é bom e o lavrador é responsável, tudo aquilo que foi semeado na infância e na adolescência começa a florescer de um modo espetacular. O que vale para o indivíduo, vale para a instituição. Ao fazer 20 anos, a ACIL iniciava uma década em que as conquistas de sua irmã pouco mais velha, Londrina, começaram a brilhar para todo o mundo.

Durante os Anos Dourados, em que Londrina passou a ser denominada Capital Mundial do Café, a Associação Comercial participou de praticamente todos os grandes feitos que vieram a moldar a cidade amada. No plano nacional, vivia-se a euforia dos “50 anos em 5” anunciados pelo presidente Juscelino Kubitschek. No plano local, assistia-se ao reinado da cafeicultura e à elevação de Londrina a Arquidiocese, com a chegada de Dom Geraldo Fernandes, em 1957.

Com a renda do café, o comércio da cidade se fortalecia. Em maio de 1960, a ACIL criou o Seproc (Serviço de Proteção ao Crédito), um sistema de informações que oferecia segurança à atividade dos comerciantes. Foi a semente lançada para Londrina se tornar um modelo nacional de proteção ao crédito, com o atual SPC.

No ano seguinte, o industrial Lizandro de Almeida Araújo (presidente da ACIL em três mandatos), juntamente com D. Geraldo, adentrou o gabinete do recém-eleito governador Ney Braga, e disse com firmeza:

— Universidade para Londrina!

Em plena era de ouro do café, a ACIL sabia que o conhecimento e a cultura eram condições fundamentais para o verdadeiro desenvolvimento. Nos anos seguintes, a cidade conquistaria a criação de vários cursos superiores, que juntos viriam mais tarde a formar a UEL.

Uma cidade na flor da idade precisa ser firme na defesa de suas ideias. Firmeza que levou a ACIL a conseguir a redução do ICM (atual ICMS) em 1961 e o reforço no policiamento da cidade em 1963. Em fevereiro de 1964, a entidade organizou um protesto de lojistas contra a destinação de 25% das multas do comércio para o bolso dos próprios fiscais municipais.

Desde 1962, a ACIL já contava com seu próprio veículo de comunicação, o Jornal do Comércio, em cujas páginas a entidade discutia os temas mais importantes para o desenvolvimento. O número de estreia trazia na capa um tema que até hoje envolve a sociedade londrinense: a necessidade da industrialização.

No dia 5 de maio de 1963, o “prédio mais bonito do Sertão” teve um visitante ilustre: o ex-presidente da República e então senador Juscelino Kubitschek. No principal salão da entidade, JK recebeu o título de Cidadão Honorário de Londrina.

Mas os anos de brilhantismo da cidade também tiveram seus problemas. Em 1963, houve uma grande geada, seguida de um incêndio rural de proporções catastróficas em todo o Paraná. Graças ao empenho das entidades locais, Londrina conseguiu ajuda financeira do governo para os cafeicultores prejudicados.

Em 1964, houve o golpe militar e a queda de João Goulart. Por meio de seus dirigentes, a ACIL foi uma das responsáveis por manter a cidade unida naqueles dias turbulentos. Inspirada pelo exemplo dos pioneiros, Londrina congregou forças para enfrentar os desafios que viriam.

 

QUARTA DÉCADA: 1967-1976

Tempo de mudar

Em meio a desafios imensos, ACIL protagoniza transformações e lança as bases para a reinvenção da cidade

Jean-Paul Sartre dizia que 30 anos era a “Idade da Razão”. Talvez não exista um ponto, na vida de uma pessoa ou de uma instituição, em que a juventude e a maturidade se equilibrem tão perfeitamente. A partir de 1967, quando a ACIL completou três décadas, a pureza da criança, o entusiasmo do jovem e a fortaleza do homem adulto seriam igualmente indispensáveis para enfrentar imensos desafios.

Já em 1967, a ACIL intermediou um empréstimo de 2 bilhões de cruzeiros para socorrer produtores rurais afetados por intempéries climáticas. Mas o clima pesava mesmo era em Brasília, pois a linha-dura dos militares não realizou o prometido retorno à normalidade democrática. Até lideranças que haviam apoiado o movimento de 64, como Carlos Lacerda e JK, foram hostilizadas e expurgadas pelo regime.

Diante do autoritarismo, Londrina mostrou mais uma vez seu espírito inconformista e libertário. Em 1968, o jornalista Délio César organizou o 1º Festival Universitário de Londrina, que viria se tornar o FILO. Naquele mesmo ano, com o apoio decisivo do empresariado local, o prefeito José Hosken de Novaes inaugurou o Sercomtel (Serviço de Comunicações Telefônicas de Londrina), em corajoso desafio ao monopólio do governo no setor.

A cafeicultura, embora ainda pujante, apresentava claros indícios de que, cedo ou tarde, viria o esgotamento. Os dirigentes da ACIL não se cansavam de apontar a necessidade de diversificação da base econômica do município. Ao lado de outras forças vivas da sociedade civil, a entidade capitaneou as campanhas que resultariam na criação de dois centros de conhecimento e pesquisa fundamentais para o Norte do Paraná: a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que começaram a funcionar, respectivamente, em 1970 e 1972.

Com a base formada — UEL, Iapar, Sercomtel, obras de infraestrutura urbana e expansão dos sistemas de saúde, educação e moradia —, foi possível enfrentar a maior das provações que o município vivera até então: a geada negra, na noite de 17 para 18 de julho de 1975.

Os jornais anunciavam a tragédia em letras garrafais: não sobrara um pé de café! Era a mãe de todas as geadas, com a destruição total da safra. Da noite para o dia, milhares e milhares de pessoas ficaram sem trabalho, gerando um êxodo rural de proporções bíblicas. E para onde vieram essas pessoas? Para Londrina. Era preciso reinventar a cidade para que o sonho dos pioneiros não se tivesse um fim melancólico.

A presença de um setor empresarial forte e dinâmico foi condição essencial para que Londrina superasse o trauma da geada. A ACIL seria protagonista na história da superação. Em 1976, ao inaugurar sua nova sede no Palácio do Comércio, a entidade se colocava como um dos pilares da grande mudança. Era preciso olhar para onde o Mercúrio apontava: o futuro.


QUINTA DÉCADA: 1977-1986

Tempo de resistir

Após o fim do ciclo cafeeiro, a ACIL participa dos três desafios da cidade: econômico, administrativo e político-cultural

O número 40 possui um rico simbolismo na civilização judaico-cristã. Noé permaneceu na Arca durante o Dilúvio durante 40 dias e 40 noites; o povo de Israel caminhou 40 anos antes de chegar à Terra Prometida; Jesus passou 40 dias e 40 noites no deserto. Quarenta simboliza o período necessário para que alguém atinja o ápice de uma trajetória e inicie um novo ciclo. Com 40 anos, uma entidade e uma cidade, se edificadas sobre valores sólidos, podem resistir às mais fortes tempestades e tormentas.

Entre 1977 e 1986, anos que marcaram o fim do período militar e a volta à democracia, a ACIL teve desafios gigantescos pela frente. Ao mesmo tempo em que era preciso redefinir as bases econômicas do município e da região, Londrina via-se face a face com uma demanda social crescente. As famílias que vinham da zona rural precisavam de moradia, saúde, educação — e, é claro, buscavam o maior de todos os programas sociais: aquele que se chama emprego.

Em 1980, com o desemprego na cidade atingindo 15%, a ACIL realizou um amplo debate sobre a industrialização do município, ao mesmo tempo em que realizava ações de fomento ao comércio e à prestação de serviços. Os empresários se mobilizavam para garantir a ampliação do horário das lojas e a melhoria na segurança dos cidadãos. Em 1982, a entidade tomou a iniciativa de criar o Conselho Comunitário de Segurança e o Núcleo Industrial da ACIL. Em 1985, surgiu o Conselho da Mulher Empresária. Todas essas iniciativas visam a defender benefícios valiosos: o bem-estar e a integridade das pessoas; a produtividade econômica e a geração de renda; o fortalecimento e capacitação da mulher empreendedora.

No plano político-cultural, o Auditório David Dequêch foi palco de manifestações artísticas nas quais se defendia abertamente a redemocratização do País. Escritores, músicos, artistas plásticos e intelectuais usavam a linguagem universal da cultura para mostrar que sonhavam com um novo país, mais justo e próspero, onde a livre iniciativa e o livre-arbítrio pudessem caminhar juntos.

Em 1983, Wilson Moreira elegeu-se prefeito e mobilizou as forças empresariais locais para recuperar as finanças do município, deixadas em condições catastróficas pela administração anterior. A gestão Moreira foi um verdadeiro renascimento de Londrina, em termos administrativos. Se no plano nacional a economia sofria com a inflação galopante, a cidade se reinventava no setor educacional e também na construção civil, tornando-se um dos municípios mais verticalizados do País. Nesta época é fundado o Sinduscon Norte (Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Norte do Paraná), um dos fiéis companheiros de viagem da ACIL nas lutas pelo desenvolvimento.

Durante o Plano Cruzado, em 1986, o País viveu a ilusão de que era possível curar o mal da inflação sem atacar as causas da febre, mas apenas quebrando o termômetro, através do congelamento de preços. Desfeita a magia dos primeiros meses, a inflação voltou mais forte do que nunca. E o povo percebeu que a iniciativa privada era um aliado, e não um inimigo, na luta por um Brasil melhor.


SEXTA DÉCADA: 1987-1996

Tempo de evoluir

Enquanto Brasil reconquista a estabilidade econômica, ACIL investe em modernização e mobiliza a comunidade para as boas causas

A sexta década da ACIL também começou com dias turbulentos. Em 10 de dezembro de 1987, na ressaca do Plano Cruzado, houve um assalto cinematográfico à agência do Banestado na Avenida Paraná, acompanhada ao vivo por todo o País. Havia um sentimento de revolta contra a tão sonhada democracia, que parecia ter saído dos trilhos. No ano seguinte, foi aprovada a nova Constituição Federal, que trouxe liberdades políticas mas sobrecarregava o Estado de demandas e atribuições irrealistas. “Aprovamos uma Constituição com direitos suíços e recursos moçambicanos”, definiu o senador Roberto Campos, em palestra na ACIL.

No entanto, a classe empresarial não podia ficar de mãos atadas, só reclamando do governo. Era preciso ir à luta — e evoluir. Já em 1987, a ACIL incorporou oficialmente o setor industrial ao quadro de associados, fortalecendo a sua representatividade. A estrutura da Associação passou por diversas medidas modernizadoras, com a informatização dos serviços e a criação dos cursos de treinamento. Dos anos 1990 até hoje, milhares de empresários, gestores e funcionários passaram pelo Centro de Capacitação da ACIL. É um verdadeiro centro irradiador de conhecimento. O Auditório David Dequêch recebeu palestrantes ilustres, como o já citado Roberto Campos, o mestre do empreendedorismo Ozires Silva e o ex-ministro da Agricultura Pratini de Moraes.

Ao mesmo tempo em que o Conselho da Mulher Empresária realizava eventos como a 1ª Mulher Mostra Londrina e Londrina É Moda, a ACIL e o Conselho Comunitário de Segurança mobilizavam a sociedade civil para apoiar as forças policiais e defender a população contra a ação dos bandidos. Em 1996, a entidade viabilizou a doação de terreno para a construção da Casa de Custódia.

A um país que clamava por mudanças profundas, o presidente Itamar Franco e o então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso anunciaram em 1994 o Plano Real. Apesar do ceticismo inicial, finalmente conseguiu-se vencer a inflação e trazer estabilidade econômica ao País. Embora ainda houvesse muito a fazer, acenderam-se as luzes da esperança. A vitória sobre inflação encerrou um ciclo tenebroso da história nacional.

Reflexo dos novos ânimos, as esperanças também brilharam na noite londrinense, com a campanha Londrinatal. A ACIL estimulou a comunidade a fazer decorações luminosas nas residências e empresas da cidade, como forma de ressaltar a alegria do período natalino. Foram Natais inesquecíveis, em que a cidade brilhou para todo o País.

Na década de sua modernização, a ACIL encontrou as oportunidades para aperfeiçoar sua atuação pública e unir a comunidade em torno das melhores causas. Além de brilhar, é preciso evoluir.


SÉTIMA DÉCADA: 1997-2006

Tempo de lutar

Uma década marcada pelos movimentos em defesa da moralidade, da legalidade, da segurança pública — e das boas ideias

A corrupção e a violência estão entre os maiores males do nosso tempo. Não por acaso, a ACIL notabilizou-se na virada do século por liderar movimentos que puseram o dedo na ferida e uniram a sociedade para dizer NÃO aos criminosos de todas as esferas: sejam aqueles que atacam os cofres públicos, sejam aqueles que perturbam a paz da comunidade.

Em 1999, a ACIL e o Conselho Comunitário de Segurança lançaram o movimento Londrina Exige o Fim da Violência, chamando a atenção das autoridades públicas para a escalada de crimes na cidade.

Logo em seguida, a sociedade londrinense descobriu, estarrecida, que o crime não lesava apenas cidadãos e empresas individuais, mas também o poder público municipal. A partir de uma pequena denúncia sobre desvios em serviços de capina e roçagem, foi revelado um imenso esquema de corrupção, batizado de Caso AMA-Comurb. A ACIL uniu-se a outras entidades da sociedade civil e criou o célebre movimento Pé Vermelho Mãos Limpas, que levaria à cassação do então prefeito por improbidade administrativa, em junho de 2000. No ano seguinte, representantes da entidade e do Ministério Público de Londrina receberam, na República Tcheca, o Prêmio Integridade, conferido pela Transparência Internacional.

Outra linha de combate da ACIL se deu em torno do horário do comércio e da atividade ilegal dos camelôs. A entidade travou uma luta intensa contra o poder público, que por um lado prejudicava e punia comerciantes legalizados, e por outro incentivava o comércio ilegal e a pirataria.

Mas tempo de lutar também é tempo de criar. Em 2003, o Londrina Convention Bureau iniciou atividades tendo a ACIL como entidade mantenedora. O órgão apresenta a cidade como destino de eventos e convenções, fomentando o turismo e a prestação de serviços. De lá para cá, centenas de eventos foram realizados em Londrina graças à atuação do Convention.

No mesmo ano, foi inaugurado o Sicoob Londrina, cooperativa de crédito com juros e serviços bancários mais acessíveis. Juntamente com o Sicredi e a Uniprime, as cooperativas têm sido uma excelente opção para os empreendedores locais.

Em 2005, por inspiração do professor José Monir Nasser, a ACIL e outras entidades locais fundaram o Fórum Desenvolve Londrina, composto hoje por 38 entidades locais. O grupo estuda problemas e propõe soluções para os grandes temas da vida na cidade, tais como saúde, educação, segurança, meio ambiente, empreendedorismo, industrialização e gestão pública. Produzindo anualmente um caderno temático de estudos, o Fórum se tornou uma usina geradora de boas ideias e uma fonte de propostas para construir uma Londrina cada vez melhor.


OITAVA DÉCADA: 2007-2017

Tempo de voar

É impossível separar a essência de uma cidade e de uma entidade que juntas alçam voo

Só toca o céu quem não tem medo de voar. A frase que marca os 80 anos da ACIL é uma tradução perfeita das realizações da entidade na última década. De 2007 até os dias atuais, a ACIL não teve medo algum de levantar voo. Sem abandonar os valores que permanecem desde o passado pioneiro, a linha do tempo da ACIL alcança o futuro transformando-o em presente para Londrina.

Mas o que é voar para a ACIL? Voar é modernizar a entidade, com a profissionalização da equipe e o oferecimento de produtos e serviços que aumentam a competitividade dos associados.

Voar começa pela própria logomarca da ACIL, lançada há dez anos, que incorpora alguns dos principais símbolos da nossa cidade, como a dizer que Londrina está na ACIL e ACIL está em Londrina, sendo impossível separar a essência da cidade e da entidade. A atuação da ACIL jamais se limitou à ação corporativa ou aos interesses de classe; desde o início, buscou-se o bem de toda a população londrinense.

Voar é discutir e implantar propostas em benefício da cidade, como a Lei Cidade Limpa, a campanha Trânsito Legal, a Nova Sergipe, a Nova Saul, o Natal do Amor e os novos cursos de Engenharia nas universidades locais e a Sala do Empreendedor.

Voar é aumentar o número de associados, mesmo em tempo de crise, tornando-se uma das ACEs que mais cresceram nos últimos anos em todo o País.

Voar é conquistar a confiança dos empresários e da comunidade local através de serviços de qualidade, como o SPC ACIL, campeão nacional de resultados e eficiência.

Voar é promover eventos de grande impacto entre a classe empresarial e o público formador de opinião: Fórum Mercado em Foco, Semana do Empreendedor Digital e o movimento de cidadania Brasil Mostra Sua Garra.

Voar é criar grupos que representam com firmeza os ideais do desenvolvimento sustentável, como o G7 (Grupo de Defesa Econômica de Londrina), o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial e os Núcleos Setoriais.

Voar é estimular o empreendedorismo através de entidades como a Garantinorte (Sociedade Garantidora de Crédito), a SGC que mais cresceu no Brasil nos últimos dois anos.

Voar é mostrar firmeza mesmo em situações difíceis, como durante o processo de cassação do prefeito Barbosa Neto (2012), o fim da Lei da Muralha (2012) e a crise do impeachment (2016).

Voar é pensar no futuro. É investir no conhecimento, na inteligência, na cultura. É transformar a antiga Capital Mundial do Café em Londrina Cidade Genial.

Voar é saber que essa linha do tempo ainda reservará muitas boas notícias nas próximas décadas.

Voa, ACIL!

“O que caracteriza a ACIL desde o início é o espírito desbravador e associativista. Os pioneiros tiveram a necessidade de ousar e de se unir para vencer as dificuldades dos tempos de colonização. Isso acabou se incorporando à essência da ACIL. Tornou-se uma identidade, uma segunda natureza.”
(Claudio Tedeschi, presidente da ACIL)