02/06/2016 00:00:00 O sabor da libertação

Fonte: Fernanda Bressan - Revista Mercado em Foco - ACIL

Fumar faz mal à saúde. A frase está na ponta da língua de qualquer pessoa que tenha mais de dois neurônios. Fumantes ou não, todos sabem que o cigarro tem inúmeras substâncias tóxicas (são 4.720), que a nicotina vicia, que o pulmão adoece, que o coração sofre as consequências. O que poucos falam diz respeito aos benefícios que o corpo sente ao parar de fumar – e eles começam logo nas primeiras horas. Basta um dia sem fumar para sentir a melhora nos pulmões, normalizar o nível de oxigênio no corpo e a pressão sanguínea. O problema é ficar 24 horas (e mais 24, e mais 24) sem acender um cigarro.

Tabagismo é doença e é assim que precisa ser encarado para, de fato, ser combatido. Andrea Carraro de Oliveira Badin trabalha com programas antitabagistas desde 2003. Dentista, ela se especializou no tratamento da doença e criou o Programa VivaLivre do Tabagismo. “O tratamento contra o tabagismo é recente. Da década de 1930 à década de 1960, o tabagismo era visto como algo bom. Depois desse período, muitos morreram em decorrência do cigarro e percebeu-se que ele tinha malefícios”, explica Andrea. “Foram mais 30 anos apenas sabendo que ele causava danos, mas não se conseguia sair da dependência”, completa. “Apenas em 1995 houve a identificação de que tabagismo era uma doença e era necessário estabelecer um tratamento adequado para ela.”


Enfim, um protocolo para o tratamento

Essa referência histórica é importante para perceber que não adianta esperar que o fumante queira, de fato, parar. “Ele deixa de ser tão culpado por não sair da dependência”, esclarece Andrea. Ainda seguindo a história, a especialista aponta que em 2003 chegou-se a um método eficiente de combate ao tabagismo. “Foi feita uma convenção em Genebra com a participação de 200 países que assinaram um acordo reconhecendo uma metodologia adequada para o tratamento. A partir daí, tivemos um norte para trabalhar”, revela.

O tratamento, diz ela, é uma combinação da terapia medicamentosa com comportamental. Os remédios auxiliam na dependência química da nicotina e a área comportamental cuida do psicológico, do automatismo do ato de fumar. “O tratamento para a cessação do cigarro tem que ser sem sofrimento para o fumante, sem sensação de abstinência. Observo que 100% dos pacientes que atendo vêm porque precisam, não porque querem”, diz. Segundo ela, o tratamento da clínica dura dois meses e a metodologia é ajustada para cada caso, visto que a dependência varia de pessoa para pessoa.

Tirar o cigarro da vida dos pacientes é rotina para o cardiologista Ricardo Rodrigues, que salienta os inúmeros benefícios de quem para com o vício. “Eles já começam a aparecer no primeiro mês. A primeira coisa que se percebe é a melhora do paladar”, conta.

Quanto mais tempo sem fumaça, maiores as conquistas. “Depois vêm a redução de infecções das vias aéreas superiores, como sinusites e gripes, e a melhora do sistema cardiorrespiratório – ao fazer exercícios, ganha-se mais performance”, afirma.


Descanso pleno

Quando o período da abstinência passa, o ex-fumante percebe que a arquitetura do sono melhora muito e há redução do ronco e tosses que prejudicam o descanso. “Quem para de fumar reduz em 50% o risco de enfartar”, destaca Rodrigues. Outras doenças que têm risco reduzido são trombose e câncer. “Segundo a Organização Mundial de Saúde, três milhões de pessoas morrem em decorrência do cigarro todos os anos”, informa o cardiologista.

Vale lembrar que fumantes passivos – aqueles que convivem com quem fuma –, também sofrem as consequências. “Fumantes passivos absorvem entre 30 e 50% dos malefícios do cigarro”, alerta.

A dentista Andrea Badin explica que os benefícios de parar de fumar vão além da parte fisiológica. “Tem a questão dos relacionamentos que se desfazem por causa do cigarro, de profissionais capacitados que perdem grandes oportunidades porque o padrão de comportamento da dependência interfere na produtividade. Ao parar com o vício, a pessoa sente melhora na concentração, na estabilidade emocional e no equilíbrio. Do ponto de vista fisiológico, interrompe-se um caminho de morte”, pontua.

Quem não fuma pode pensar que basta falar desses benefícios para que o viciado interrompa ao hábito. O fato de ser proibido fumar em locais fechados também parece “ajudar”. Mas a questão vai além. “A lei proíbe fumar nas empresas, por exemplo, mas não existe a consciência da dependência. Não basta proibir, tem que tratar. Politicamente se resolve o problema proibindo o fumo, mas é preciso ter a consciência de que a ajuda é necessária”, sentencia a criadora do VivaLivre.

Se está difícil abandonar o mau hábito, o cardiologista Ricardo Rodrigues traz um alento. “Reduzir a quantidade de cigarros fumados já traz alguns benefícios.” Apague um cigarro e viva mais. Há opções de programas antitabagistas na cidade – alguns deles são gratuitos. Veja a lista no fim desta matéria e informe-se.

 

O corpo agradece cada hora sem fumar

Após 20 minutos
A pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal.

Após 2 horas
Não há mais nicotina circulando no sangue.

Após 8 horas
O nível de oxigênio no sangue se normaliza.

Após 12 a 24 horas
Os pulmões já funcionam melhor.

Após dois dias
O olfato já percebe melhor os cheiros e o seu paladar já sente melhor o sabor da comida.

Após três semanas
Nota-se que a respiração se torna mais fácil e a circulação melhora.

Após um ano
O risco de morte por infarto já se reduziu à metade.

Após 5 a 10 anos
O risco de sofrer infarto será igual ao das pessoas que nunca fumaram.

Fonte: Instituto Nacional do Câncer (INCA)


Vício perigoso

Comparados aos não fumantes, os fumantes apresentam risco:

10 vezes maior de adoecer de câncer de pulmão;

5 vezes maior de sofrer infarto;

5 vezes maior de sofrer de bronquite crônica e enfisema pulmonar;

2 vezes maior de sofrer derrame cerebral;

O uso de anticoncepcionais associado ao cigarro aumenta em 10 vezes o risco de sofrer derrame cerebral e infarto;

Grávidas fumantes aumentam o risco de ter aborto espontâneo em 70%; perder o bebê próximo ou após o parto em 30%; o bebê nascer prematuro em 40%; ter um bebê com baixo peso em 200%.

Fonte: INCA

 

S.O.S FUMANTE

Opções de tratamento

Unimed Londrina – apenas para quem tem o convênio

As reuniões são semanais no primeiro mês e depois o acompanhamento passa a ser mensal. O trabalho é coordenado por uma equipe multidisciplinar com psicólogo, enfermeiro, nutricionista e assistente social, em parceria com médicos treinados para o tratamento do tabagismo. O Unimed Saúde atende na Avenida Ayrton Senna, 1065. O atendimento é gratuito.
Contato e informações: (43) 3375-5050 ou 0800 400-6100.

 

Programa da Secretaria Municipal de Saúde

Algumas Unidades Básicas de Saúde oferecem o programa antitabagismo gratuitamente. A orientação é que a pessoa procure a unidade mais próxima para verificar se há o programa. Se aquela unidade não dispuser do programa, eles vão referenciar o Hospital das Clínicas ou outra unidade mais próxima. Por vezes há lista de espera.

O programa inclui quatro sessões de acompanhamento no primeiro mês seguidas por sessões de manutenção que podem ser quinzenais ou mensais, de acordo com o caso. Se for indicado, dependendo do grau de dependência da nicotina, o médico prescreverá medicação.

 

VivaLivre do tabagismo

Tratamento particular que combina uso de medicamentos com reuniões para facilitar a saída da dependência tanto física quanto emocional. O tratamento pode ser realizado com encontros on-line ou presenciais, sempre respeitando uma programação para o sucesso do tratamento que segue orientações da Organização Mundial de Saúde complementada por informações atualizadas de estudos e pesquisas recentes.
Endereço: Rua Prof. Joaquim de Matos Barreto, 200. Fone: (43) 3345-1921