09/12/2015 00:00:00 Artigo: classificação ABC de estoques

Por Maurício Kalau Gonzales

O custo financeiro de estocagem é sempre motivo para que as empresas tomem medidas capazes de diminuí-lo. No conjunto da administração de estoques a classificação ABC, muito conhecida entre os administradores, é uma das técnicas que os empresários e administradores usam na tentativa de melhorar a gestão dos estoques. Porém, da forma como tradicionalmente é usada, pode trazer erros de avaliação e prejuízos à empresa.

Classificação ABC

Vejamos. A classificação ABC é feita tradicionalmente tomando-se como base o custo de aquisição dos produtos e seu giro mensal. Multiplica-se um pelo outro e encontram-se valores que depois de classificados em ordem decrescente são nominados em A, B, ou C. Os itens que devem ter maiores controles na compra e estocagem (gestão) são os A e B, e os itens C com controle menos efetivo, e outros critérios que a empresa tenha. Porém, existe um erro conceitual nesta metodologia que pode conduzir a graves consequências na empresa, inclusive gerar prejuízo. E qual é esse erro?

O erro conceitual a que me refiro e que demonstrei inicialmente na pesquisa “Modelo sistêmico integrado em gestão de estoques e compras na administração de resultado: O desafio financeiro no ressuprimento” – publicada na revista SEMINA da UEL vol. 27 Jan/2006 – é não se levar em consideração a situação estrutural de custos de cada empresa e produto. Ressalto aqui a expressão “de cada empresa” porque cada uma delas tem sua própria composição de custos (fixos e variáveis). E como corrigir esse erro? Usando-se o conceito de margem de contribuição utilizado na formação de preços do produto.

Metodologia da Margem de Contribuição

A metodologia de formação de preço de venda e margem de contribuição (tabela 1) aqui apresentada foi instruída no CEAG-PR (atualmente Sebrae-PR).


Passos a seguir

Usando a tabela 1, diminua do preço de venda do produto os custos variáveis e você terá a margem de contribuição. A margem de contribuição é o valor necessário para cobrir os custos fixos e gerar lucro.

Multiplique o valor encontrado na margem de contribuição de cada produto pelo seu consumo mensal (giro) e proceda e siga em diante da mesma forma como na metodologia ABC tradicional. Ter-se-á a classificação ABC por margem de contribuição.

Outras explicações

Para ilustrar imagine a seguinte hipótese: Um produto tem o valor de venda X e custo variável Y. Se você usar o modelo tradicional de classificação ABC com base no custo do produto terá um resultado. Mas, se o preço de venda desse produto não aumentar, o que pode acontecer por questões de marketing e mercado, e o custo do produto aumentar, a margem de contribuição diminuirá. Então, um produto de valor alto na empresa poderá não gerar lucro e mesmo assim ser considerado classificado como A, o que é um erro gravíssimo. E ainda vai pesar financeiramente no momento das compras.

No momento da efetivação das compras visando à reposição de estoques, uma dica importante é saber quanto a empresa pode suportar financeiramente na reposição dos itens vendidos, isso porque muitas vezes por dificuldades no fluxo de caixa pode-se não repor todo o estoque vendido no mês de uma só vez. Um parâmetro de compras condizente com a estrutura da empresa é, por exemplo, comprar no mês seguinte até o valor dos custos totais dos produtos vendidos no mês anterior, assim a proporção será de 1/1. Os critérios de reposição de estoques da empresa devem levar em consideração esse fator e outros relacionados.

Recomendações

É desejável saber com exatidão a margem de contribuição de cada produto e usar essa informação na sua classificação ABC em todas as empresas que fabricam e/ou vendem. Logicamente, aquelas que lidam com mais produtos ou fazem parte de uma cadeia de lojas o resultado da aplicação dessa metodologia é mais impactante. Aprimorar as formas de administração nas empresas geralmente traz vantagem competitiva. Um exemplo está aqui exposto e espero que o empresariado e profissionais do ramo façam bom uso desse conhecimento.

– Maurício Kalau Gonzales é administrador de empresas, especialista em Metodologia do Ensino Superior pela UEL e professor na mesma instituição.