12/01/2015 00:00:00 Com 1,1 milhão de passageiros, Aeroporto de Londrina está em alta

Fonte: JL

O número de passageiros do Aeroporto Governador José Richa aumentou 7,7% no último ano. Se em 2013 pouco mais de um milhão de pessoas utilizaram o terminal, em 2014 o número subiu para 1,1 milhão, destes 102,9 mil somente em dezembro. O aumento no número de passageiros refletiu diretamente no percentual de ocupação dos voos. No ano passado, a média de ocupação foi de 75%. Há cinco anos, essa taxa era de 40%.

“Os números aumentam ano a ano e isso mostra que as pessoas estão cada vez mais acostumadas a viajar de avião. Além da comodidade e economia de tempo, o valor das passagens está cada vez mais acessível. Alguns trechos são vendidos a menos de R$ 100”, avaliou o superintendente regional da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) em Londrina, Marcus Vinícius Pio.

Para atender a demanda, a Infraero está investindo cerca de R$ 10 milhões em melhorias na operacionalidade do terminal. Em fevereiro, três conectores climatizados irão fazer a ligação entre as salas de embarque e as aeronaves. No mês seguinte, uma nova sala de embarque, com 1,2 mil metros quadrados – três vezes maior que atual –, deverá ser inaugurada.

O prédio onde está o radar de aproximação e a administração do aeroporto passam por reformas. “O aparelho que faz o controle do terminal de Londrina e outros 22 aeroportos da região também está sendo reestruturado. Isso irá garantir maior segurança, já que irá mostrar com precisão a que distância as aeronaves estão.”

Mesmo com mil voos cancelados, índice de operacionalidade é de 90%

Dos 12.224 voos previstos para o Aeroporto Governador José Richa no ano passado, 1.219 foram cancelados. Destes, 1.092 por questões operacionais, como problemas de manutenção da aeronave ou cancelamento por conta de outros aeroportos. Somente 127 voos foram cancelados por questões climáticas. “Se já tivéssemos o sistema ILS, este número cairia para 80 porque com a neblina abaixo dos 200 pés nem mesmo o aparelho consegue garantir os voos”, explicou o superintendente.

Pio informou que, mesmo antes da conclusão das obras do aeroporto, o índice de cancelamento de voos já deve melhorar. Segundo ele, a desapropriação dos terrenos no entorno do terminal deve garantir, dentro de um ano, essa redução. As atuais condições do terminal não atendem às determinações internacionais de segurança, já que o aeroporto foi construído antes das atuais resoluções.

“Temos um muro localizado a 79 metros da pista, enquanto o correto seria uma distância de pelo menos 150 metros. Com a desapropriação dos terrenos, será possível otimizar a área de obstáculos e, assim, solicitar decolagens sem teto requerido [exigido pela Agência Nacional de Aviação Civil].”

Com o aumento da área de segurança, a decolagem passaria ser menos dependente das condições do tempo. A eliminação dos obstáculos permitiria que os aviões deixassem o aeroporto de Londrina mesmo com neblina a 400 pés. “Atualmente, o nosso maior problema de cancelamento de voos por condições climáticas é por conta de neblina entre 300 e 400 pés”, disse o superintendente. Mesmo assim, Pio reforça que a melhoria das condições de segurança da atual pista não elimina a necessidade do ILS. “Quanto mais recursos para evitar o cancelamento de voos, melhor.”

Cada cancelamento afeta, em média, 96 passageiros. “Se você pensar que temos cerca de cinco voos nos períodos mais críticos da neblina - manhã e noite –, temos pelo menos 480 pessoas na sala de embarque. Isso causa um transtorno imenso às companhias e, claro, aos passageiros. Queremos melhorar sempre a experiência de quem usa o nosso terminal.”

De acordo com o superintendente regional da Infraero, a Prefeitura de Londrina deve conseguir em breve liberação da verba necessária para a desapropriação de mais de 200 mil metros quadrados no entorno do aeroporto. A verba será viabilizada pela Agência Fomento Paraná. “Depois da liberação, a área será concedida a União e posteriormente para administração da Infraero. Se formos otimistas com o processo burocrático, a expectativa é que as obras da pista estejam concluídas em 2019.”

Proprietários de terrenos devem receber dinheiro neste semestre

Os proprietários dos terrenos no entorno do Aeroporto de Londrina deverão receber pela desapropriação dos imóveis já no primeiro semestre de 2015. De acordo com o presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, a Prefeitura já enviou os documentos ao Fundo de Desenvolvimento Paraná Cidades, que irá encaminhá-los para a aprovação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN). “Já temos R$ 40 milhões pré-viabilizados. Então, acreditamos que em breve os primeiros proprietários sejam convocados pela Justiça Federal para dar início ao processo de desapropriação.”

Veronesi explicou que a verba deve ser liberada em “pacotes” de R$ 10 milhões. Segundo ele, as primeiras negociações e liberação do pagamento aos proprietários deve ocorrer já em abril. “Vamos trabalhar para cumprir este prazo. Mas, oficialmente, vamos tentar resolver a questão até o final do primeiro semestre.”

Com o processo de desapropriação concluído, a área do entorno do aeroporto será transferida à União e posteriormente à administração da Infraero. “Com esta transferência, a Infraero já tem permissão para iniciar a licitação dos projetos do aeroporto. Entre as melhorias de operacionalidade e construção da pista, a agência tem R$ 80 milhões para investir no terminal.” 

O presidente da Codel é mais otimista em relação ao término das obras do terminal do que o superintendente regional da Infraero. Enquanto Marcus Vinícius Pio afirma que as obras devem ser concluídas até 2019, Veronesi disse acreditar que tudo fique pronto em 2017. “O processo das obras já está bem encaminhado, o ILS está comprado. Então, acreditamos que no máximo em dois anos as melhorias já estejam prontas.”