10/11/2017 07:43:47 Aguardado, 13º pode injetar R$ 11 bilhões no Paraná

Fonte: Folha de Londrina

Responda rápido: quantas vezes a proximidade do 13º salário já invadiu seus pensamentos neste mês? Quem perdeu a conta ou já se perdeu nas contas deve valorizar o fato de integrar o privilegiado grupo de 5,1 milhões de paranaenses ou de 83,3 milhões de brasileiros que terão essa renda extra em 2017, segundo estimativa do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).

O valor médio do 13º dos paranaenses é de R$ 2.142. E o total a ser injetado na economia do Estão é de R$ 11 bilhões (em 2016 foram R$ 10,8 bilhões), o que equivale a 2,9% do PIB (Produto Interno Bruto) estadual. No Brasil, o Dieese calcula que R$ 200,5 bilhões (em 2016 foram R$ 191 bilhões) entrarão em circulação por conta desse recurso – algo equivalente a 3,2 % do PIB nacional. 

Para o economista e técnico do Dieese-PR, Fabiano Camargo da Silva, historicamente o principal destino do 13º salário é o pagamento de dívidas. "O que é altamente recomendável, ainda mais em um cenário de queda dos juros. Porém, não se deve apenas pagar a conta e reabilitar o crédito para seguir consumindo dentro de um padrão de gastos acima da receita", observa. "Há de se pensar antes de qualquer gasto que o cenário econômico ainda é recessivo. Há as despesas de início de ano como impostos e escola dos filhos e, diante das reformas (trabalhista e da Previdência), a perspectiva para o futuro é de redução na média salarial do trabalhador", complementa. 

No entendimento do consultor especialista em gestão financeira e diretor da Ideia Consultoria, de Londrina, Maicon Putti, o destino do 13º salário do trabalhador que deseja sair da "sofrência" financeira deveria depende das informações obtidas a partir de um planejamento orçamentário. "Em jogo está a paz de espírito do indivíduo e de sua família. Se há um deficit, não dá para usar essa renda extra antes de corrigir esse deficit. Estamos no momento de pagar juros baixos, inclusive, bancos privados estão fazendo campanhas com juros reduzidos. Usar essa sobra financeira em prol de se livrar de um endividamento pesado traz um alívio incalculável", defende. 

Putti aconselha as pessoas a aproveitarem a chegada do 13º para fazer uma virada na vida financeira, quitando as dívidas, reduzindo os gastos mensais e destinando o dinheiro que sobrar a aplicações de longo prazo (a partir de dois anos). "Esse objetivo tem que de ser perseguido por toda pessoa ou família, porque é dolorido ficar refém de um orçamento em desequilíbrio em um situação de emergência, como doença", ressalta. 

Uma das estratégias para reduzir gastos adotadas pelo próprio consultor em 2017 foi negociar com a escola da filha. "Consegui uma abatimento de 15% no total do que gastaria com mensalidades neste ano antecipando um valor maior para a escola durante o período de matrícula. O valor que sobrou se transformou em uma mensalidade baixa ao longo de 2017", explica. 

O exemplo, destaca Putti, ilustra a relação entre o valor do dinheiro e o tempo. "Essa relação é objeto de estudo da matemática financeira. Todo mundo percebe na própria vida as vantagens de antecipar o pagamento de algo para depois adquiri-lo. O contrário, primeiro obter algo para depois pagar, é mais dispendioso." 
Maicon Putti reconhece que as recomendações podem soar impraticáveis frente à pressão dos festejos de final de ano e das estratégias do varejo para levar as pessoas às compras. Mas garante que ter um orçamento equilibrado é motivo de bem-estar. "Contar com uma margem de manobra para as eventualidades da vida afasta as pessoas do abismo financeiro e as habilita a aproveitar as oportunidades, inclusive, de ampliar a receita", assegura.