21/08/2014 00:00:00 Alimentos seguram prévia da inflação em agosto

Fonte: Folha de Londrina

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,14% em agosto, pouco abaixo dos 0,17% de julho. O grupo alimentação e bebidas aprofundou o ritmo de queda e foi o maior responsável por conter o aumento do índice, com deflação de 0,32%. Com isso, as despesas com esses produtos reduziram o impacto de -0,01 ponto percentual em julho para -0,08 ponto percentual no índice deste mês. A desaceleração só não foi maior em decorrência dos reajustes das contas de energia elétrica. 

Os aumentos nas tarifas fizeram a energia ficar 4,25% mais cara no IPCA-15. O item teve um impacto de 0,12 ponto percentual no índice. Com isso, as despesas com habitação aceleraram de 0,48% em julho para 1,44% em agosto. Em 12 meses, o IPCA-15 continua muito próximo do teto da meta do governo, em 6,49%, e no acumulado no ano a média está em 4,32%. 

Francisco de Castro, economista do Ipardes, afirma que o índice já era esperado, por causa do impacto da redução no consumo de alimentos e bebidas após a Copa do Mundo e da sazonalidade. Ele ressalta que a inflação está alta, já comprometendo a renda das famílias, reduzindo o consumo e aumentando o endividamento. Nos próximos meses, o comportamento do índice depende do cenário macroeconômico. 

"Se a taxa de juros permanecer alta e o câmbio como está, a tendência é a inflação permanecer na meta, até porque não tem uma perspectiva de crescimento econômico e os agentes ficam mais cautelosos", diz. O professor de economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Fabiano Dalto, destaca que estamos em um ano atípico, em função da Copa e da eleição. "Mas o impacto mais significativo foi o da seca, que levou as empresas de energia a comprar energia mais cara das termelétricas", explica. "Isso levou o governo a conceder reajustes mais altos", enfatiza. 

Para Dalto, a inflação não deve bater o teto da meta até o fim do ano. "Pelas notícias que se tem de fatores antecedentes é que o índice acumulado deve ficar abaixo entre 5,9%, 5,8%", diz. 

Alimentos
O diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), Francisco Simioni, afirma que os preços dos alimentos estão em baixa em função da recomposição dos estoques mundiais de milho e soja. Além disso, o feijão teve uma safra nacional quase 25% maior, fazendo cair os preços. O trigo também sofre redução e o calor influencia nos hortifrutigranjeiros. 

"Desde 2012, quando aconteceu quebra da safra dos Estados Unidos, tivemos safras com bons preços; esse ano está acontecendo o contrário", ressalta. Segundo Simioni, nos próximos meses a tendência de queda continua, com a comercialização da safra mais lenta. "Os produtores vinham de uma situação de bons preços e conseguiram se capitalizar, têm condições de manter o estoque por mais tempo", justifica. 

Os alimentos que registraram as maiores quedas foram batata-inglesa (-20,42%), tomate (-16,47%), feijão-carioca (-5,49%), hortaliças (-5,13%), óleo de soja (-3,17%) e feijão-preto (-3,11%). Houve deflação em outros três grupos no período: vestuário (-0,18%), comunicação (-0,84%) e despesas pessoais (-0,67%). Em contrapartida, aceleraram artigos de residência (0,41%), transportes (0,20%), saúde e cuidados pessoais (0,55%) e educação (0,42%).