17/01/2018 07:48:33 Ano mais movimentado para o empreendedorismo

Fonte: Folha de Londrina

Formado em gastronomia, Guilherme Benzoni trabalhou na área em diversas cidades do Brasil, e até no exterior. Mas a sua vontade era de voltar para Londrina e abrir sua própria empresa. O sonho foi realizado em março do ano passado, com a abertura de uma empresa de massas, a Nido Pastifício. Benzoni passou a fazer parte das estatísticas da Jucepar (Junta Comercial do Paraná), que mostram que cresceu 9,7% o número de empresas abertas em 2017 na comparação com 2016. No ano passado, nasceram 43.312 novas empresas (exceto MEIs – Micro Empreendedores Individuais) de janeiro a dezembro no Estado. Em Londrina, foram abertas 2.762 empresas (exceto MEIs), contra 2.745 em 2016. 

"É um número muito expressivo, até considerando que estamos praticamente saindo de um processo de recessão", comenta Ardisson Akel, presidente da Jucepar. Para ele, o resultado de 2017 mostra que em 2018 haverá uma aceleração na abertura de empresas, já que em 2016 o número ficou estável. 

Na visão de Akel, o agronegócio e o cooperativismo fortes no Paraná garantem os números da Jucepar. Micros e pequenas empresas e Microempreendedores Individuais surgem "gravitando" em torno dos grandes empreendimentos, prestando serviços e fornecendo produtos a eles. O "rearranjo" da economia com a crise, com a demissão de empregados e a contratação de prestadores de serviços, também contribui para o surgimento de novas empresas, opina o presidente da Jucepar. "Quem era empregado vira empresário." 

Esse movimento também foi citado pela consultora e gestora de projetos de empreendedorismo do Sebrae Londrina, Liciana Pedroso. Para ela, é possível fazer duas leituras do crescimento da abertura de empresas no Paraná. O primeiro tem relação com a retomada da economia a partir do segundo semestre de 2017, que criou um ambiente um pouco mais favorável para o empreendedorismo. A segunda leitura tem relação com o alto nível de desemprego em 2016. "Como teve aumento do desemprego, as pessoas começaram a empreender porque não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho." Na opinião da consultora, é muito provável que o bom momento para a abertura de empresas continue em 2018 porque há perspectiva de crescimento neste ano. "Algumas pessoas vão se recolocar no mercado de trabalho, mas quando você tem um momento bom para a economia, há a possibilidade de empreendimentos surgirem." 

Para Liciana, os setores de Serviços e Alimentos são aqueles que conseguem "girar" mais rápido. Esse foi um dos motivos pelos quais, mesmo em um ano de crise, Guilherme Benzoni teve confiança para seguir o seu senho de abrir uma empresa de massas. "O setor de alimentos não teve uma queda grande de movimento. O que falta muito no nosso setor é uma profissionalização na área de gestão." Após fazer uma pós-graduação na área em Curitiba, Benzoni se sentiu preparado para empreender. Hoje, a Nido Pastifício já está presente em outras cidades, e está investindo forte na venda de massas para restaurantes, e em revendas, como empórios e mercados. 

Simplificação 
A desburocratização do processo de abertura de empresas, com a implantação dos sistemas Empresa Fácil e Junta Digital, também acelerou a abertura de empresas, afirmam Akel e Liciana. O Empresa Fácil faz a integração entre os dados cadastrais da Receita Federal do Brasil e os diversos órgãos Estaduais e Municipais que participam do processo de abertura, alteração e baixa de empresas. O site já integra sistemas de 213 prefeituras, inclusive a de Londrina. Já a Junta Digital permite que todos os registros de abertura, alteração ou baixa de empresas no Estado sejam protocolados virtualmente na Jucepar, sem a necessidade da entrega de documentos impressos. 

"O Empresa Fácil se tornou a porta única para o registro empresarial", comenta Akel. "O empresário não precisa vir para a Junta, ele pode ir pelo caminho da internet", continua o presidente, que destaca que apenas 10% dos casos que chegam até à junta precisam ser resolvidos presencialmente. A FOLHA tentou falar com o secretário municipal de Fazenda de Londrina, Edson dos Santos, para comentar a abertura de novas empresas na cidade, mas não obteve retorno.