07/11/2014 00:00:00 ANTES DO ILS - Aeroporto precisa ampliar pistar para garantir decolagens em tempo ruim

Por Paulo Briguet

O Aeroporto de Londrina sempre fez história. Tudo começou em 1949, quando a cidade tinha apenas 15 anos e uma casinha de madeira foi erguida no meio do cafezal. Com a inauguração do terminal de passageiros, em 8 de abril de 1956, na gestão do prefeito Antonio Fernandes Sobrinho, o aeroporto decolou. O fato de ter nascido no meio do cafezal, onde hoje está a zona leste da cidade, é bastante emblemático. Nos anos 50 e 60, quando Londrina era conhecida como Capital Mundial do Café, o aeroporto local tornou-se o terceiro mais movimentado do País, atrás apenas de Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro). No auge do café, em 1962, foi registrado um movimento de 250 mil passageiros.

Com as geadas que determinaram o fim do ciclo do café, o Aeroporto de Londrina, hoje Aeroporto Internacional Governador José Richa, também esfriou em termos de movimentação. Mas o terminal continua sendo um termômetro do desenvolvimento da cidade. Nos últimos dois anos, é possível identificar um impressionante renascimento do nosso aeroporto. No momento em que Londrina se torna Cidade Genial, com a expansão do setor de TI, e se prepara para a instalação de dois parques industriais, podemos afirmar seguramente que o Aeroporto decolou de novo. Em 2012, o terminal londrinense ultrapassou a marca de 1 milhão de passageiros por ano. No ano passado, 1.051.026 usuários passaram por lá. Em 20114, de janeiro a agosto foram 750.947 passageiros – um acréscimo de 13% em relação ao mesmo período do ano passado.

Londrina é uma cidade com forte cultura aeronáutica. Temos três escolas de aviação, que formam todos os anos um total de 330 profissionais nos cursos de Piloto Privado; 120 nos cursos de Piloto Comercial; 75 nos cursos de Comissário de Bordo; e 70 nos cursos de Mecânico de Aeronaves. Somente uma das escolas, o Aeroclube (fundado em 1941), realizou 100 voos de cheque e 40 voos de recheque no ano passado. E ainda há o curso superior de Ciências Aeronáuticas da Unopar, único no País, que conta com 226 alunos.

Nesse ambiente favorável, o que falta para o Aeroporto de Londrina ficar ainda melhor e mais movimentado? Muitos responderiam que falta o ILS. O sistema eletrônico de pouso é uma antiga reivindicação da cidade. As três linhas da sigla em inglês para instrument landing system soam frequentemente no saguão durante os fechamentos do aeroporto por falta de condições climáticas.

O ILS é importante? É. Mas quem entende do assunto explica que nem tudo depende de ILS para tornar o aeroporto melhor. “Dizem que com a instalação do ILS os aviões vão pousar e subir com qualquer condição de tempo, mas não é bem assim”, pondera o economista Rubens Bento, da Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina). Com 45 anos de Prefeitura e mais de duas décadas acompanhando a questão do aeroporto local, Rubens explica que o ILS só serve para pousos. “Mas grande parte do problema, em Londrina, são os aviões que já estão pousados aqui e não podem decolar quando o tempo fecha.”

Segundo Rubens Bento, o ILS resolve o problema de pousos, mas o nosso maior problema está nas decolagens. Para que os aviões em terra pudessem decolar, seria necessário que Londrina tivesse o chamado “teto requerido”, que é definido pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil). Isso não depende da instalação do ILS, mas de um alargamento do aeroporto, com a construção de taxiways distantes pelo menos 176 metros da pista principal. Atualmente, a taxiway está muito próxima, a 70 metros.

Para fazer a ampliação da pista principal e das taxiways – o que também permitiria a instalação do ILS –, é necessário desapropriar alguns terrenos nas faces norte e sul do aeroporto. Ao todo, está faltando a desapropriação de 207 mil metros quadrados, que seriam repassados à União. São as áreas em azul e marrom no mapa.

Com o empréstimo de R$ 50 milhões ao Município, anunciado pelo Governo do Estado recentemente, R$ 20 milhões serão destinados a desapropriar os lotes marcados em azul e marrom. Se isso for feito com agilidade, será possível conquistar o “teto requerido” e diminuir em até 40% os fechamentos do aeroporto na cidade.

Com a autoridade de quem acompanha a questão há 20 anos, Rubens Bento afirma que estamos muito perto de dar o “pulo do gato” no Aeroporto José Richa. “Houve um grande avanço nos últimos anos, graças ao apoio das entidades locais e de lideranças como a do [empresário e ex-presidente da ACIL] Kentaro Takahara”, observa o economista da Codel. Ele ressalta que o empréstimo do Governo do Paraná ainda deve ser aprovado pela Câmara de Vereadores e pelo Tesouro Nacional. “Neste momento, as entidades devem ficar atentas para agilizar a liberação dos recursos. Quando isso acontecer, faremos as desapropriações que faltam e o problema será resolvido rapidamente.” Rubens Bento lembra que o ILS de Londrina já está adquirido – mas não pode ser instalado enquanto a área do aeroporto não pertencer inteiramente à União.

Recordes em passageiros e cargas

A ampliação está muito perto de acontecer. Mas, mesmo enquanto ela não chega, o Aeroporto José Richa vem batendo recordes atrás de recordes. Como já foi mencionado, o número de passageiros em Londrina já passou a marca de 1 milhão por ano – e cresce 13%, bem mais que a média nacional (5%). Em comparação, os aeroportos de Maringá tiveram no ano passado, respectivamente, as marcas de 720 mil e 400 mil passageiros.

Além disso, o Terminal de Cargas Aéreas (TECA) de Londrina vem registrando um crescimento vertiginoso. No primeiro semestre de 2014, o TECA registrou um movimento de cargas 26 vezes maior que o do mesmo período do ano anterior. Em 2013 inteiro, passaram pelo terminal 200.663 quilos de cargas. Em 2014, só até julho, foram 591.408 quilos. A atuação de entidades como o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial, que se reúne semanalmente na ACIL, foi decisiva para alavancar o nosso TECA. E as boas notícias não param por aí: em setembro, o Ministério da Agricultura oficializou a instalação de um posto da Vigiagro para desembaraço de cargas com origem animal e vegetal. E evoluem as negociações para a instalação de um posto local da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), para desembaraço de cargas farmacêuticas e químicas. Demanda não falta: só a empresa Sandoz, localizada em Cambé, faz operações de cargas em número e volume suficiente para justificar a instalação da Anvisa no TECA local.

Londrina, que já foi Capital Mundial do Café, agora será Cidade Genial. E essas duas fases de nossa terra possuem algo em comum: um grande aeroporto.