21/11/2014 00:00:00 Anúncio da volta do IPI deve movimentar vendas

Fonte: Folha de Londrina

O governo federal decidiu não prorrogar mais a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos e recompor os índices a partir de janeiro de 2015. Para carros populares, por exemplo, o imposto sobe dos atuais 3% para 7%. A informação foi confirmada pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, após reunião com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na manhã de ontem. 

Entre os representantes das concessionárias em Londrina, alguns já esperavam a decisão, outros acreditavam em nova prorrogação em virtude da instabilidade do mercado. No entanto, todos preveem impacto da medida nas vendas até dezembro. O diretor comercial da Metronorte (Chevrolet), Waldir Rezende, diz que desde a última prorrogação do imposto reduzido foi anunciada a recomposição em 2015. Segundo ele, a medida tem como consequência positiva o aumento das vendas nos últimos meses do ano. 

"Estamos com promoções boas, taxas de juros subsidiadas e essa notícia é ruim, mas ajuda no final de ano para quem estiver negociando ter uma condição melhor ainda", argumenta. Rezende ressalta que os veículos fabricados a partir de janeiro já terão incidência das novas alíquotas, por isso, chegarão mais caros ao consumidor. O gerente comercial da Tropical (Ford), Fábio Sitta, acredita que o consumidor acabará optando pela compra agora. 

"Essa notícia eleva bem mais as vendas no fim do ano", garante. De acordo com Sitta, é possível que permaneçam estoques nas lojas para o início do ano. O diretor comercial da Marajó (Fiat), Eduardo Meneghetti, aposta nessa manutenção dos estoques a fim de estimular boas vendas nos primeiros meses do ano. Segundo ele, vender mais em novembro e dezembro é natural e a loja registra 16% de aumento este mês em relação a outubro. Para ele, o desempenho deve seguir melhorando, ao menos, até fevereiro. 

"Como todo mundo vai virar (o ano) com estoque de pelo menos dois meses, já podemos esperar janeiro e fevereiro muito fortes, com uma ‘ressaquinha’ talvez em março", prevê. 

Recuperação


O próprio presidente da Anfavea já havia declarado à FOLHA, no início de novembro, que não esperava nova prorrogação do IPI. A desoneração do imposto, iniciada em 2012, foi renovada várias vezes, sob a condição de o setor não demitir e não cortar investimentos. Até o fim de 2014, pelos cálculos da Receita Federal, o governo terá deixado de arrecadar com a medida R$ 11,5 bilhões. 

Moan afirma que, a partir de agora, o setor vai fazer o possível para aumentar a produção e as vendas, focando a manutenção dos empregos, altamente especializados. "A indústria sempre evitou fazer uma redução do pessoal em função desse investimento que foi feito. Vamos lutar o máximo possível para continuar produzindo e principalmente vendendo", afirma. 

Depois de um primeiro semestre ruim, o setor passa por um segundo semestre de recuperação nas vendas e na produção. Segundo Moan, as vendas médias cresceram 5,7% de julho a outubro, em relação ao primeiro semestre. A produção cresceu 6,2%, e as exportações, 2,4%. Em novembro, as vendas estão superiores a 13 mil veículos por dia.