19/01/2015 00:00:00 Aplicações atreladas a juros são alternativas para este ano

Fonte: Folha de Londrina

Início de ano é sempre mais difícil sobrar dinheiro, mas para quem conseguiu segurar uma parte do 13º salário, por exemplo, as aplicações atreladas a juros são uma boa alternativa, já que essas taxas altas impulsionam os ganhos dos investidores. "Com a alta dos juros a renda fixa ficou muito atraente", disse o consultor de investimentos da Inva Capital, Raphael Cordeiro. 

No momento, a sugestão dele é aplicar mais recursos em investimentos conservadores no curto prazo como as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) que seguem a oscilação dos juros. As LFTs têm liquidez semanal e permitem a venda toda quarta-feira. O CDB (Certificado de Depósito Bancário) e os fundos DI também são opções conservadoras. Segundo Cordeiro, o poupador precisa primeiro pesquisar os custos dos fundos DI, por exemplo, que não podem ter taxa de administração superior a 1%. 

A bolsa está em queda, por isso, a recomendação também é de cautela para aplicar no mercado acionário. Em relação ao dólar, Cordeiro acredita que há chances da moeda se valorizar ainda mais. Hoje, para comprar a moeda em casas de câmbio, o investidor paga caro e, caso opte por fundos cambiais, também tem que arcar com a taxa de administração. "Acredito que o dólar vai passar de R$ 3 ao longo desse ano", prevê. Já os imóveis são uma aplicação sólida, mas vale lembrar que não possuem liquidez imediata como uma aplicação financeira simples realizada nos bancos. A dica é verificar bem o preço antes de comprar para encontrar valores atrativos. 

Cordeiro alertou ainda que o cenário está muito incerto. Ele lembrou que os ativos recuaram no ano passado. A bolsa despencou no final do ano. Segundo ele, uma possível desaceleração da China, a Rússia que pode passar por crise econômica, a economia europeia que pode se deteriorar mais e a crise política do Brasil podem fazer a bolsa e os fundos imobiliários caírem mais e o dólar subir. 

Já a poupança, ele considera um "péssimo negócio" porque está empatando com a inflação. Ele recomendou ainda que as pessoas devem ter uma reserva financeira que cubra seis meses das despesas mensais da família, porque o desemprego deve se acentuar neste ano. 

Para a gerente de gestão de investimentos da Gradual Investimentos de São Paulo, Mariana Orosco, o tipo de aplicação que a pessoa vai escolher depende muito do tempo que o poupador pode deixar o dinheiro aplicado e do risco que pretende correr. 

Ela sugere, para este momento, as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) que têm vencimento entre 60 dias até três anos. Ela não recomenda aplicação em ações que estão em queda e podem cair ainda mais. Prevê que, para os fundos cambiais, existe potencial de valorização. "Para quem vai viajar, comprar dólar é uma forma de se proteger", disse. 

Mariana também não recomenda a poupança. Segundo ela, as Letras Financeiras do Tesouro (LFTs) atreladas à taxa Selic e as Notas do Tesouro Nacional série B (NTN-B) atreladas ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) são mais interessantes. Estas aplicações têm vencimentos que ocorrem em 2015 até a mais longa que é em 2050. A escolha vai depender do tempo que a pessoa pode deixar o dinheiro aplicado.