15/12/2017 08:28:48 Aprendizado com a crise

Fonte: Folha de Londrina

O fim de um ano para o início de outro faz com que boa parte das pessoas pense também em recomeços e mudanças. Depois de um 2017 de crise econômica, desemprego em alta e mais alguns percalços que levam a desistir de realizar boa parte dos sonhos, é possível usar a necessidade e a cultura da virada também para ter uma nova vida financeira. 

O presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), Reinaldo Domingos, afirma que é preciso disciplina e dispor de um pouco de tempo para organizar as próprias finanças, mas encarar o planejamento com prazer. Mais do que pensar em economizar, ele sugere focar nos objetivos e sonhos para o futuro, seja a viagem dos sonhos, um carro novo, uma casa ou mesmo uma aposentadoria tranquila. 

Para o também autor de livros como "Terapia Financeira" (editora Elevação, 168 páginas), o grande erro quando se fala em planejamento financeiro é pensar em economizar. "Tratam-se de sonhos, de propósitos na vida. O corte de despesas é uma consequência do que a pessoa pretende realizar", diz Domingos. 

Por isso, o educador financeiro sugere como primeiro passo definir o que espera para 2018. "Tem de reunir a família, falar com as crianças e fazer uma reflexão sobre o que aconteceu em 2017, para poder projetar não apenas 2018, mas 2019, 2029 e 2039", afirma Domingos. "É preciso pensar também no longo prazo porque o carro que é novo hoje não vai ser mais em quatro anos e não se pode esquecer da aposentadoria", completa. A definição de objetivos pode incluir uma boneca ou um videogame, de forma a incutir nos mais jovens o costume de planejar. 

OBRIGAÇÕES 
Na sequência, é preciso conhecer as próprias obrigações. São inerentes a todo início de ano, por exemplo, o pagamento de impostos como IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores) e IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) ou, para pais e mães, a necessidade de comprar material escolar. Sem ter como escapar das obrigações, é comum que a pessoa se endivide longo no primeiro mês do ano. 

Por isso, o educador financeiro orienta que se coloque no papel cada um dos compromissos que a pessoa ou família terá no ano, sejam os obrigatórios, como tributos, até os opcionais, como presentes em datas comemorativas. É preciso lembrar também de restos a pagar de parcelamentos anteriores. Ao anotar todas as despesas e fazer uma previsão de valores para cada uma, a pessoa terá um montante definido para economizar. 

Com o diagnóstico dos gastos e objetivos, a pessoa poderá cotar e definir prazos para cada projeto que tem na vida. Domingos diz que é preciso reduzir sempre nas despesas, e não nos objetivos, para ter incentivo a manter as finanças em dia. Um bom modo de fazer é anotar o valor de cada boleto ou cafezinho na esquina, para definir como é possível diminuir ou cortar de vez os custos. "Não existe um percentual fixo, mas estudos da Abefin mostram que as famílias brasileiras têm um gasto médio que supera em 30% o necessário, seja no supermercado ou nas tarifas de casa", conta. 

Quando a família começa a enxergar recursos para pagar as parcelas do objetivo, o incentivo aumenta. Porém, é preciso lembrar que existe inflação e a possibilidade de elevar os rendimentos por meio de investimentos. Novamente, a ideia é definir cada um de acordo com o prazo de realização. Se é para algo após curto período de tempo, por exemplo, é necessário liquidez, o que torna mais adequado a caderneta de poupança ou os títulos públicos, como Tesouro Direto. Se o resgate será no futuro ou mesmo uma aposentadoria, é possível pesquisar uma previdência privada ou fundos multimercados, entre outros. 

Revisão 
Não é porque o planejamento foi feito que não possa, ou tenha, de mudar. A perda de um emprego, a necessidade de mudança ou uma doença são exemplos de imprevistos que podem colocar por terra os esforços em se organizar financeiramente. Não precisa ser assim. "É preciso fazer um primeiro diagnóstico do plano depois de 30 dias e um outro, no mínimo, a cada ano, ou quando se tem uma oscilação no padrão de vida", diz Domingos.