03/02/2015 00:00:00 Arrecadação das micro e pequenas cresce 7,2%

Fonte: Folha de Londrina

A arrecadação de tributos das micro e pequenas empresas cresceu 7,2% acima da inflação no ano passado e atingiu R$ 61,9 bilhões. Esse segmento da economia gerou 526,9 mil postos de trabalho no ano passado resultado positivo em relação às médias e grandes empresas que demitiram 380 mil pessoas em 2014. Em 2013, as micro e pequenas tinham criado 839 mil postos. Os dados mostram que, apesar de terem gerado empregos em um ritmo menor no ano passado, as micro e pequenas continuaram abrindo novas vagas. As informações são da Secretaria da Micro e Pequena Empresa e do Sebrae. São consideradas micro e pequenas as empresas que possuem faturamento de até R$ 3,6 milhões por ano. 

O presidente da Federação das Micro, Pequenas Empresas e Empreendedores Individuais do Paraná, Ercílio Santinoni, acredita que as micro e pequenas têm gerado vagas para suprir as demissões que ocorreram nas grandes empresas. Segundo ele, a economia de bairro gerada pelas microempresas continua sobrevivendo. Além disso, ele destacou que, muitos trabalhadores que são demitidos, acabam virando microempresários. 

Santinoni disse que as micro e pequenas que sobrevivem estão muito ligadas ao mercado local e, por isso, sentem menos os efeitos negativos da economia brasileira. Ele explicou ainda que o aumento da arrecadação neste segmento está ligado à elevação do número de microempresas através do Simples. "No andar de baixo da nossa economia, temos um crescimento chinês. Embora esteja com restrição e problema de crescimento do PIB, a micro e pequena está respondendo com muito mais força", disse o ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif Domingos. 

Santinoni, disse que as micro e pequenas que mais têm crescido no Paraná são dos setores de alimentação e vestuário. O gerente de Ambiente de Negócios do Sebrae-PR, Cesar Reinaldo Rissete, também destaca estes dois segmentos e ainda o de serviços, especialmente, ligado a saúde e cuidados pessoais. 

Para Rissete, o crescimento da micro e pequena está ligado à formalização maior no setor que vem crescendo desde 2006 e ao mercado interno brasileiro. No ano passado, os segmentos que mais geraram vagas entre as micro e pequenas no Brasil foram serviços (334.942 vagas), comércio (134.302) e construção civil (60.369). 

Uma das empresas que abriu vagas em 2014 foi a Schew Construções de Curitiba. A coordenadora do setor financeiro e de recursos humanos da companhia, Ágata Rubio de Brito Ageitos, disse que foram contratados 13 novos funcionários e hoje a empresa conta com um total de 32 pessoas. "A construtora fechou contratos com novas obras e foi necessário contratar no segundo semestre do ano passado", disse. A empresa realiza obras industriais, residenciais, comerciais e reformas. 

IMPULSO

Ainda segundo o ministro, os dados positivos do setor vão dar impulso à aprovação da proposta de revisão das tabelas do Simples, formulada pela Fundação Getúlio Vargas, com a participação do Ministério do Planejamento. A proposta que torna mais suave a progressão do imposto à medida que o faturamento da empresa cresce, tem impacto fiscal estimado de R$ 3,9 bilhões a partir de 2016. Segundo Afif, um projeto de lei deve ser enviado ainda em fevereiro ao Congresso. Santinoni acredita que a revisão do Simples vai reorganizar o setor. 

Santinoni prevê que, em 2015, as micro e pequenas continuem gerando empregos e com arrecadação de tributos em alta. Rissete acredita que as micro continuem abrindo postos de trabalho, mas em ritmo menor que em 2014. Já o faturamento e a arrecadação de impostos vai depender do desempenho da economia, segundo ele.