11/04/2019 08:24:22 Artigo: 357 votos para salvar o Brasil

Fonte: Folha de Londrina

Qualquer empresa ou qualquer chefe de domicílio sabe que gastar mais do que se ganha é armar uma bomba que vai explodir no futuro. 

Operar insistentemente no vermelho – seja um indivíduo, seja um empreendimento ou seja uma família - transmite a ideia de irresponsabilidade e inconsequência. É como continuar acelerando numa curva fechada.

Não é novidade para ninguém que desde 2014 o governo central tem mais despesas do que receitas. E que nosso nível de endividamento é cada vez mais preocupante, alcançando 76,7% do Produto Interno Bruto no ano passado. Com a dívida sempre em viés de alta, as notas de classificação de risco das agências internacionais continuarão despencando, inviabilizando um novo ciclo de investimentos, o aquecimento das vendas na indústria e no comércio e, pior de tudo, a geração de empregos com carteira assinada.

Países de renda média, como o Brasil, não podem ter endividamento alto como os países desenvolvidos, simplesmente porque temos baixa poupança interna, juros altos e capacidade de pagamento limitada. Especialistas apontam que o nível aceitável de endividamento de um emergente estaria em torno de 50% do PIB.

É evidente que esta redução não vai acontecer num estalar de dedos ou sem que o governo se desgaste politicamente com duros cortes no Orçamento. Certamente, é um processo longo e sofrido, tanto para os eleitores quanto para os eleitos.

Mas, há atalhos para desarmar esta bomba-relógio. E este atalho atende pelo nome de reforma da Previdência, um verdadeiro ralo de dinheiro público que foi ficando cada vez maior ao longo do tempo, com a conivência dos governantes em relação aos privilégios do setor público e com o envelhecimento acelerado da população.

De acordo com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a economia projetada no decênio posterior ao funcionamento do novo regime chegaria a R$ 1,1 trilhão, um terço do déficit estimado ao fim do período. É um volume importante de recursos que dá sobrevida ao sistema e que faz o Estado brasileiro voltar aos trilhos da austeridade. 

Além do efetivo combate ao problema fiscal, a nova previdência é uma espécie de sinal ao mercado global de que o Brasil pode se tornar de novo um país confiável aos investidores.

Mesmo no mercado interno, é muito provável que os indicadores sejam positivamente impactados, talvez quase que imediatamente. 

É exatamente esta oxigenação que o setor produtivo aguarda nos próximos meses. E estamos dizendo aqui que gostaríamos imensamente que os representantes da região entendessem seu papel neste momento. 

Aprovar um novo sistema para as aposentadorias é o maior empurrão possível para a economia voltar a decolar. Os deputados desta legislatura têm uma grande chance de salvar o país da insolvência e das trevas. Ou fazer o inverso. 

A Acil e todos os parceiros históricos estarão mobilizados em prol desta causa, a rota de fuga de uma crise duradoura demais. 

Queremos envolver prefeitos, o governador e, claro, as bancadas da Assembleia, da Câmara Federal e do Senado. Não há mais como se omitir. Os líderes devem esclarecer a população sobre os riscos que estamos correndo com o endividamento crescente.

Porque acreditamos que o país precisa de entendimento como poucas vezes precisou em sua história. Baixar o tom, conversar, argumentar, discutir, ponderar. Esta grande conversa nacional sobre o futuro da Nação - o que de fato se parece o debate sobre reformar ou não a previdência - pode ser o melhor ponto de partida para uma pacificação política. 

Contudo, apesar de ser salutar aprofundar o diálogo, é também fundamental que a aprovação da emenda constitucional seja feita o mais rápido possível e de modo a assegurar a integridade do seu impacto nas contas públicas o quanto antes. 

Postergar ou descaracterizar a proposta não é mais razoável. Que os congressistas se conscientizem disso. São 308 votos na Câmara Federal e outros 49 no Senado que podem alterar completamente o nosso ambiente de negócios e nossas perspectivas de crescimento.


FERNANDO MORAES, presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina