04/03/2015 00:00:00 Londrina: passado, presente e futuro

Fonte: Fábio Cavazotti - Revista Mercado em Foco

No momento em que comemora 80 anos, Londrina mais uma vez mostra porquê é uma cidade especial. Após uma década de notícias ruins em diversos segmentos, que chegaram a arranhar a autoestima de uma população acostumada a ousar e liderar, a virada de 2014 para 2015 trouxe novidades bastante positivas sobre nosso desenvolvimento. Nos últimos anos, vínhamos nos acostumando a dar uma ênfase muito grande aos nossos problemas. Hoje, o que a prudência nos pede é que, sem descuidar daquilo que merece ganhar novos rumos, também saibamos valorizar as conquistas que, a duras penas, vimos construindo neste ambiente um bocado pessimista.

Exemplos? O principal deles foi a divulgação, há dois meses, do resultado dos PIBs municipais pelo IBGE. O último levantamento disponível mostrou um desempenho espetacular da economia londrinense: em 2012, a cidade cravou um crescimento de 19%, simplesmente o maior registrado entre as cidades do Sul do país. Naquele ano, Londrina teve um prefeito cassado e outro preso, o que confere ainda maior destaque à resiliência e vigor das forças produtivas locais. Naquele ano, o crescimento do PIB fez Londrina avançar 10 posições no ranking nacional, passando do 55º para o 45º lugar.

Também recentemente, o Ministério da Educação divulgou um levantamento sobre a qualidade de ensino superior que classificou a UEL como a melhor universidade paranaense e 22ª do país. A UTFPR, que tem campus aqui, ficou em segundo lugar no estado e em 25º no país.

Ainda no campo do ensino superior, um levantamento realizado por uma grande universidade local mostrou que o PIB universitário de Londrina ultrapassa R$ 1 bilhão e que quase 10% da população (algo como 50 mil pessoas!) é composta por alunos, professores e servidores de universidades. Poucas cidades têm números tão positivos no ensino de terceiro grau – e, para 2015, a previsão é de instalação de uma nova universidade em Londrina.

Na área de serviços, com as duas inaugurações previstas para este ano, Londrina passará a contar com seis grandes shoppings – quase 20% dos shoppings do Paraná. Um deles, inaugurado há dois anos e que pertence a uma grande rede com operações em todo o país, registrou neste período o maior crescimento entre as dezenas de empreendimentos de mesma bandeira.

A construção civil, apesar das dificuldades dos últimos anos, continua entregando novos edifícios e condomínios a cada mês – e a Gleba Palhano, em que pese os problemas que a falta de planejamento urbano tem gerado, é uma das regiões de mais rápida transformação do sul do país.

Na área industrial, em que notadamente Londrina apresenta crescimento menor que de outras cidades, nichos como da Tecnologia da Informação mostram que a massa crítica e a qualificação profissional são aliados indispensáveis para abertura de novas oportunidades. O coroamento deste processo deve vir também este ano, com a inauguração de um Instituto de Inovação e Tecnologia do Senai, um empreendimento de formação de mão de obra em TI com raros similares no país.

Todas estas transformações e conquistas vieram – e talvez isso seja o mais importante! – dentro de um ambiente democrático que valoriza a cidadania e a cultura e que homenageia alguns dos legados mais importantes de nossa história.

Londrina, como a maioria das cidades brasileiras, continua com muitos problemas, sim, e não é o caso de escondê-los. Porém, ao acolher de forma generosa as nossas conquistas, conseguiremos ajudar a construir o ambiente necessário para consertar aquilo que precisa de reparo, e para avançar ainda mais naquilo que tem dado certo.

Que venham os próximos 80 anos; Londrina tem a cara do futuro!

Fábio Cavazotti é jornalista e vice-presidente do Observatório da Gestão Pública em Londrina.