30/04/2015 00:00:00 Artigo: Sete vezes chega!

Fonte: Folha de Londrina

Desde janeiro de 2015, a empresa de nossa família foi assaltada sete vezes. Você não leu errado: sete vezes. Estamos presentes em mais de dez cidades, mas todos os assaltos aconteceram em Londrina. Até o momento, os prejuízos foram materiais e psicológicos. Decidimos lançar este grito de alerta para evitar que algo ainda mais grave venha a acontecer.

Nosso grupo empresarial tem 49 anos de atuação. É uma das redes de varejo mais tradicionais do Paraná, com a credibilidade conquistada por meio de muito trabalho e ancorada nos valores familiares. O fundador da empresa, sr. Francisco Ontivero, é pioneiro de Londrina. Começou trabalhando ainda na infância, como ajudante de carroceiro. Arrimo de família aos 16 anos, abriu na década de 60 a primeira loja de móveis, que ganhou o nome em homenagem à capital federal, então recém-inaugurada. Hoje o grupo gera 600 empregos diretos, com 37 lojas espalhadas pelo Paraná e Santa Catarina. Tudo isso só foi possível porque acreditamos no trabalho e queremos tornar melhor a vida das pessoas.

A sensação de ter a casa invadida por ladrões é angustiante. Não desejamos essa experiência para ninguém. Ser vítima de assalto por sete vezes seguidas, em apenas quatro meses, ultrapassa os limites da descrição. É uma sensação de impotência, revolta, indignação e perplexidade – tudo ao mesmo tempo. O primeiro assalto é um susto. O segundo assalto é um aborrecimento. O terceiro assalto é um golpe. O quarto assalto é uma ofensa. O quinto assalto é um absurdo. O sexto assalto é uma aflição. O sétimo assalto é algo indefinível – a partir daí, o que nos resta é pedir socorro.

O mais recente roubo dessa inacreditável série foi também o mais traumático, porque envolveu um sério risco à integridade física de nossos colaboradores e familiares. Um complexo esquema criminoso levou ao sequestro de um de nossos encarregados e sua esposa. Os funcionários foram amarrados e ameaçados. Alguns tiveram de se submeter a carregar mercadorias para o carro dos assaltantes. Em meio século de existência, nossa empresa nunca viveu momentos tão difíceis quanto aqueles 80 minutos em que nossa equipe ficou em poder dos bandidos.

O Brasil vive uma fase de crise econômica e política. Entendemos que a melhor forma de superar a crise é investir na produtividade e acreditar na força do País. Por isso, estamos trabalhando para expandir nossos negócios. Temos fé na superação das dificuldades. Mas, para que isso aconteça, precisamos do básico: liberdade para trabalhar. Os brasileiros merecem um país seguro. Merecem ganhar a vida com trabalho honesto. Merecem ser protegidos contra os amigos do alheio. Merecem ter paz. E só teremos paz se houver segurança.

Todos nós trabalhamos até maio exclusivamente para pagar impostos ao governo, que engole cerca de 40% da renda nacional. O mínimo a que teríamos direito, em contrapartida, seria a segurança para trabalhar, produzir e viver. Mas isso não acontece. Estamos presos dentro de nossas próprias casas e empresas – onde tentamos nos proteger daqueles que deveriam estar na cadeia.

Como já disse um empresário londrinense neste jornal, o Brasil hoje vive uma guerra: a guerra entre a grande maioria que trabalha e a uma pequena minoria que insiste em tomar à força aquilo que não lhe pertence. Roubam a Petrobras, roubam a Receita Estadual, roubam as nossas casas, as nossas empresas, os frutos do nosso trabalho. Roubam em Brasília, em Londrina, no Brasil. Roubam e continuarão roubando enquanto os verdadeiros homens públicos e cidadãos de bem – a ampla maioria da população brasileira – não exigirem que o País deixe de ser assaltado. Chega! Sete vezes chega.

FERNANDO MAURÍCIO DE MORAES é empresário e diretor da Associação Comercial e Industrial de Londrina