01/06/2017 08:14:12 BC mantém ritmo de corte da Selic e reduz juros para 10,25%

Fonte: Folha de Londrina

São Paulo - O Banco Central manteve o ritmo de corte da taxa Selic e reduziu em 1 ponto percentual o juro básico, de 11,25% para 10,25%, conforme comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgado nesta quarta-feira (31). 


A manutenção do ritmo era esperada pela maioria dos analistas ouvidos pela agência internacional de notícias Bloomberg. Dos 47 especialistas consultados, 43 estimavam o corte de 1 ponto percentual. Três previam redução menor, para 10,50%, e um apostava em afrouxamento monetário maior, para 10% ao ano. 

A decisão dissipa a dúvida que pairava sobre o mercado em relação à intensidade do corte dos juros, após a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista que mergulhou o governo em instabilidade política nas últimas duas semanas. 

Na sequência das revelações de que Joesley tinha gravações de áudios envolvendo o presidente Michel Temer, houve forte reação na Bolsa brasileira, que travou os negócios pela primeira vez desde 2008. O dólar também disparou, assim como as taxas de contratos de juros futuros. Com isso, a rentabilidade de papéis da dívida pública retornou a patamares que não eram registrados desde o final do ano passado, quando o governo começava a apresentar suas propostas de reformas. 

Antes das delações, o mercado trabalhava com um corte maior na Selic, de 1,25 ponto percentual, em uma tentativa do Banco Central de reanimar a economia brasileira. O governo divulga nesta quinta-feira (1º) o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre do ano. Com a ajuda de uma safra excepcional, a expectativa é de uma alta de 1% ante o quarto trimestre de 2016. 

INFLAÇÃO 
A inflação sob controle é outro dos fatores que permitem que o BC mantenha o ritmo de corte da Selic. O IPCA, índice oficial de preços, encerrou abril em 0,14%. Nos 12 meses encerrados em abril, o índice ficou em 4,08%, abaixo do centro da meta de 4,5% pela primeira vez nos últimos sete anos. 

A crise econômica, o desemprego e o alto endividamento dos brasileiros contribuem para a redução do consumo de produtos e serviços pela população, o que tira a pressão dos preços. 

Segundo o boletim Focus, que reúne estimativas de economistas e consultorias do mercado, o IPCA deve fechar o ano com avanço de 3,95% - o centro da meta do governo é de 4,5%, com uma banda de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para 2018, a inflação projetada é de 4,40%. Já a previsão é que a Selic encerre o ano a 8,5% e mantenha esse nível em 2018. 

Fundos rendem mais do que a poupança 
São Paulo - Aplicações em fundos de investimento ganham da caderneta de poupança na maioria das simulações com a taxa básica de juros (Selic) em 10,25% ao ano. 

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (31) reduzir a Selic em 1 ponto percentual, em linha com o esperado pelo mercado. A decisão do BC foi tomada em um cenário de inflação comportada e em tentativa de reanimar a atividade econômica do País. Nesta quinta-feira (1º), o governo divulga o PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre. 

Pelas simulações realizadas pela Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), a poupança mantém atratividade em relação a fundos nos casos em que a taxa de administração seja igual ou superior a 2% ao ano, a depender do resgate. 

Isso acontece porque a poupança, que rende TR (taxa referencial) mais 6,17% ao ano, é isenta de Imposto de Renda, enquanto os fundos são tributados conforme tabela regressiva que começa em 22,5% e vai caindo até alcançar 15%, para aplicações acima de dois anos. 

Segundo os dados da Anefac, a poupança tem rentabilidade maior que os fundos com taxas de 2% ao ano se o resgate do dinheiro ocorrer em até seis meses. Se o saque for entre seis meses e um ano, o ganho da caderneta empata com o dos fundos. Acima desse prazo, a poupança perde. 

Se a taxa de administração dos fundos superar 3% ao ano, a poupança, com um rendimento mensal de 0,52%, ganha em todos os cenários. 

CDI 
As principais aplicações de renda fixa mantêm atratividade com a Selic a 10,25% ao ano. Com remuneração de 80% do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro, taxa de juros nos empréstimos entre bancos), o CDB tem rentabilidade de 6,54% em um ano, ante 6,42% da caderneta de poupança. 

Se a rentabilidade subir para 90% do CDI, o ganho do CDB vai a 7,40% em um ano. O título bancário tem incidência de Imposto de Renda e segue tabela regressiva, que começa em 22,5% e vai caindo gradativamente até alcançar 15%. 

No caso da LCI/LCA (Letras de Crédito Imobiliário e do Agronegócio, respectivamente), a taxa de retorno fica atrativa por causa da isenção de IR para pessoas físicas. Se o investidor conseguir uma taxa de 80% do CDI, a remuneração será de 8,18%. Se a taxa for de 90% do CDI, o retorno sobe para 9,24%. 

O Tesouro Selic (título público pós-fixado que segue o juro básico), com custo de 0,3% de custódia e zero de corretagem, tem retorno de 7,96% com resgate em um ano e de 8,46% acima de 24 meses. (Folhapress) 

Entidades divergem sobre redução 
São Paulo - A redução da taxa básica de juros (Selic), de 11,25% para 10,25% ao ano, provocou reações diversas entre algumas entidades. Para a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo), a decisão do Banco Central pareceu "um pouco ousada", apesar de a inflação continuar em queda e o desemprego seguir em níveis elevados. 

Na avaliação da FecomercioSP, o corte de 1 ponto percentual "ignorou" o aumento das incertezas causadas pela crise política. "Parece que a autarquia federal quis mostrar que observa a situação política atual sem receio, o que pode ser encarado com certa desconfiança, apesar de ser uma estratégia que se prove acertada a depender do desenrolar da mais recente crise", afirmou a entidade em nota. 

Para a ACSP (Associação Comercial de São Paulo), a redução da Selic poderia ter sido maior porque a inflação está recuando mais do que os juros. "Isso significa que, na prática, a taxa de juros real está crescendo, o que é ruim para o consumidor e para a economia em geral", disse Alencar Burti em nota. Para ele, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central precisa acelerar o ritmo de corte da Selic nas próximas reuniões. 

Já a Fecomercio RJ divulgou nota apoiando a decisão do Copom. "Baixar os juros constitui uma necessidade para a economia real, em paralelo a outras medidas estruturais na economia, como a desburocratização e o equilíbrio fiscal", afirmou a entidade no texto. 

Na visão da Força Sindical, o corte nos juros serve como um "pequeno alento". Para a entidade, é necessário que a redução da Selic tenha continuidade e o Banco Central seja mais contundente nas próximas reuniões do Copom. 

A CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) compartilha da mesma opinião. "É imprescindível que o Copom execute cortes mais acentuados para que o Brasil cresça de maneira acelerada", disse Antonio Neto, presidente da CSB, em nota.