06/10/2014 00:00:00 Beto Richa é reeleito em primeiro turno

Fonte: Folha de Londrina

O governador Beto Richa (PSDB), da coligação Todos Pelo Paraná (PSDB/Pros/DEM/PSB/PSD/PTB/PP/PPS/PSC/PR/SD/PSL/PSDC/PMN/PHS/PEN/PTdoB), foi reeleito ontem em primeiro turno para mais quatro anos no Palácio Iguaçu, com 3,3 milhões de votos, o equivalente a 55,67% dos votos válidos. Roberto Requião (PMDB), da coligação Paraná com Governo (PMDB/PV/PPL), ficou em segundo lugar, com 27,56%. Gleisi Hoffmann, da coligação Paraná Olhando Pra frente (PT/PDT/PCdoB/PRB/PTN), ficou em terceiro, com 14,87% dos votos válidos. 

Na eleição para presidente, Aécio Neves (PSDB) foi o candidato mais votado pelos paranaenses no primeiro turno. No Estado, ele teve 49,79% dos votos válidos, contra 32,54% de Dilma Rousseff (PT) e 14,20% de Marina Silva (PSB). 

Os 55,67% alcançados ontem por Beto são a maior vitória de um candidato que buscava a reeleição para governador do Paraná. Desde que foi aprovada a emenda da reeleição, em 1997, todos os ocupantes do Palácio Iguaçu conseguiram um segundo mandato. Em 1998, Jaime Lerner foi reeleito com 52,21% dos votos válidos no primeiro turno. Em 2006, Requião precisou ir ao segundo turno, contra Osmar Dias, para conseguir a reeleição – teve 42,81% dos votos válidos no primeiro turno. 

A vitória de ontem superou a primeira eleição de Beto para o governo do Paraná, em 2010. Naquele ano, o tucano também venceu em primeiro turno, mas com uma vantagem menor: fez pouco mais de 3 milhões de votos, que representaram 52,44% dos válidos, enquanto Osmar Dias teve 45,63%. 

O voto nas maiores cidades paranaenses foi decisivo para a vitória de ontem do atual governador. Nos 10 maiores colégios eleitorais do Estado, Beto Richa foi o vencedor em todos. Em Londrina, onde nasceu, teve a maior vantagem entre essas cidades, com 79,05% dos votos válidos. Em Curitiba, onde havia sido eleito prefeito por duas vezes, teve 52,70%.

Esta foi a primeira vez, em três disputas diretas, que Requião foi derrotado pela família Richa. Na eleição para o governo do Estado de 1990, o hoje senador curitibano foi para o segundo turno e venceu José Carlos Martinez, enquanto o pai de Beto, José Richa, ficou em terceiro. Doze anos depois, Beto também ficou em terceiro no primeiro turno e viu Requião enfrentar e bater Alvaro Dias no segundo. 

Ontem, os dois ganharam votos na comparação com o primeiro turno de 2002, mas Beto ganhou bem mais. Naquela ocasião, ele teve 888,8 mil votos, e Requião, 1,35 milhão. Este ano, Beto teve aproximadamente 2,4 milhões de votos a mais, enquanto seu adversário ganhou apenas outros 287 mil. 

Hoje inimigos políticos, Requião e a família Richa já foram aliados. Em 1985, quando José Richa era o governador, ele apoiou Requião, então seu correligionário no PMDB, na vitória sobre o favorito Jaime Lerner na eleição para a Prefeitura de Curitiba. 

Cinco anos depois, aconteceu o primeiro racha. José Richa, já no PSDB, e Requião eram adversários na briga pelo Palácio Iguaçu. Um dos principais motivos apontados para Richa não alcançar o segundo turno foi o desgaste provocado por ataques de Requião, relativos à aposentadoria de ex-governador recebida pelo pai de Beto. 

O segundo racha, esse com ares de definitivo, aconteceu em 2006. Beto era prefeito de Curitiba e Requião buscava sua terceira eleição para governador. Ambos mantinham relações amistosas até o tucano declarar apoio a Osmar Dias no segundo turno. Depois disso, Requião passou a atacar Beto. Por ironia, na eleição para governador de 2010, apoiou Osmar. 

O próximo round está previamente agendado para 2018, quando terminam os mandatos de Requião no Senado e de Beto no governo. Os dois podem ser adversários na briga por duas cadeiras de senador.