08/06/2015 00:00:00 Estratégia - Boas ideias driblam a crise

Fonte: Folha de Londrina

Por necessidade ou oportunidade, os paranaenses estão investindo em ações empreendedoras. Contrariando os índices relativos à desaceleração da economia, apenas no mês de março de 2015 foram constituídas 4.771 empresas e filiais no Paraná, conforme informações da Junta Comercial, valor que supera em 17% as constituições de 2014.

A queda de 0,9% no consumo das famílias brasileiras no primeiro trimestre deste ano - em relação aos mesmos meses do ano anterior - e redução de 1,6% no PIB no mesmo período de comparação também não parecem desanimar quem tem boas ideias. A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), realizada por Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), Sebrae e FGV, identificou que em 2014, quando já havia indícios de instabilidade na economia, na região Sul do País a taxa total de empreendedores (TTE) era de 35,1% em relação à população entre 18 e 64 anos, quase o mesmo índice da média nacional (34,5%). Conforme o estudo, a TTE da região Sul recuperou queda observada em 2013 (28,6%) e superou o nível alcançado em 2012 (31,3%).

Luciano Minighini, professor do programa de mestrado em Governança e Sustentabilidade do ISAE/FGV, avalia que o histórico brasileiro de empreender por necessidade pode explicar a conjuntura. Desemprego e necessidade de aumentar a renda são dois fatores que incentivam este tipo de investimento. Lembra, porém, que 60% dos empreendimentos brasileiros nascem de oportunidades, o que indica que, apesar da crise, as novas ideias podem estar vencendo a falta de dinheiro.

O especialista avisa que as oportunidades podem inclusive nascer da crise. "Agora é a hora de se organizar, estudar os indicadores econômicos, ler os cadernos de economia dos jornais e se preparar para tomar as melhores decisões", diz ele, lembrando que a língua chinesa resume o espírito do período. "Em chinês, o ideograma para escrever a palavra 'crise' é a junção dos ideogramas que simbolizam 'perigo' e 'oportunidade'", esclarece.

Trabalhar mais com indicadores confiáveis e menos com o "feeling" sobre o que pode dar certo é uma das principais dicas para investir em tempos de incerteza econômica. "É preciso ler, planejar, colocar os números no papel", enfatiza. O empreendedor tem que localizar os setores mais positivos e idealizar negócios que tenham a ver com essas áreas. "Se as montadoras estão demitindo, não faz sentido abrir um restaurante ao lado de uma fábrica", exemplifica.

Minighini destaca que existem quatro grandes escolhas estratégicas para empreender em tempos de crise. A primeira delas é oferecer soluções adequadas para quem está perdendo poder de consumo, ou seja, colocar produtos mais baratos no mercado. "É preciso considerar, porém, que os brasileiros estão cada vez mais sensíveis à qualidade, não dá para descuidar", diz.

Outra estratégia é investir no nicho de produtos e serviços com alto valor agregado, focando no público que tem poder de consumo e procura facilidades exclusivas. "É o caso das conveniências que oferecem bons produtos 24 horas do dia", destaca. A localização do empreendimento é outra escolha estratégica, e Minighini comenta que hoje em dia, com a internet, as tecnologias de transporte e as agências que fomentam as exportações, é possível vender para o mundo todo. "O dólar alto traz vantagens para vender fora do País." Por fim, cita a economia colaborativa como a quarta escolha estratégica para vencer a crise. "Buscar parcerias que sejam boas para os dois lados é uma forma inteligente de sobreviver", ensina.

O especialista reforça que investir com a economia desaquecida exige planejamento e busca de informações. "Diante dos riscos, é fundamental se organizar para seguir uma boa estratégia", diz.