15/06/2015 00:00:00 Obrigado por me salvar a vida

Por Paulo Briguet/Equipe ACIL

Conta uma antiquíssima lenda que um monge morreu e foi para o Céu. Chegando lá, encontrou Deus e achou tudo muito bonito. Só havia um detalhe estranho: uma porta trancada atrás da qual se ouvia um burburinho de vozes incompreensíveis. O monge então perguntou a Deus:

– O que é aquilo?

– Aquilo é o inferno – respondeu o Senhor.

– Mas o que as pessoas estão gritando por trás da porta? – indagou o monge.


– Veja por você mesmo – disse Deus.

O monge foi até a porta, abriu-a e percebeu que as pessoas lá dentro gritavam uma só palavra:

– Eu! Eu! Eu!

Recordamos essa lenda judaico-cristã apenas para ilustrar o que há de mais belo no gesto da doação de sangue. É um ato absolutamente altruísta, um ato de puro amor ao próximo. Aqui na ACIL temos um lema: “O nós deve vir à frente do eu”. Pois a doação de sangue é um momento em que esse ideal associativista se realiza plenamente.

Em tempos de egoísmo e corrupção, de apego excessivo ao poder e de discórdia entre os homens, a 1ª Quinzena Municipal de Conscientização à Doação de Sangue foi um momento de emoção e gratidão em estado puro. “Quando alguém faz uma doação de sangue, está realizando um gesto que se aproxima do amor no sentido de ágape, como diziam os antigos gregos. É o amor puro, que nada pede em troca e nos aproxima de Deus”, disse o empresário Cláudio Tedeschi, diretor da ACIL.

Foi bonito ver as entidades unidas em torno de uma causa importante para a saúde das pessoas. Foi emocionante ver os maiores doadores de sangue de Londrina recebendo um diploma por sua dedicação ao próximo. Foi instrutivo ouvir as palavras do dr. Fausto Trigo, diretor do Hemocentro de Londrina, sobre a necessidade de doações regulares de sangue para atender a todos os pacientes do sistema de saúde. Se cada um doasse sangue uma vez por mês, no mês de aniversário, jamais faltaria sangue em nossos hospitais!

A mais bela cena da noite, no entanto, foi o encontro entre o receptor e os doadores. O sr. Ataíde Teodoro Gomes, um simpático aviador aposentado, manifestou pessoalmente sua gratidão a todos aqueles que doaram sangue para que ele pudesse continuar vivendo nos últimos anos. O abraço entre o sr. Ataíde e José Giuliangeli de Castro, doador de sangue e deficiente visual, foi uma daquelas cenas que marcam para sempre a nossa memória.
Onde existe doação, não há espaço para o egoísmo. Um dia, todos nós poderemos dizer, junto com o sr. Ataíde: 

– Obrigado por salvar a minha vida.