12/09/2014 00:00:00 Candidatos de todo o país já receberam R$ 1,6 bi de doações

Fonte: Gazeta de Povo

Em apenas dois meses de campanha, candidatos de todo o ­país que concorrem a um dos cinco cargos em disputa nas eleições de outubro já receberam R$ 1,668 bilhão em doações eleitorais. O valor corresponde a doações em dinheiro e serviços ofertados. O montante é maior do que o orçamento para o ano inteiro de alguns ministérios, como o de Turismo.

Os dados foram informados à Justiça Eleitoral na 2.ª parcial da prestação de contas divulgada no início da semana e correspondem aos valores recebidos do início da campanha, em 5 de julho, até 27 de agosto. Os candidatos do PP foram os que mais receberam: R$ 312 milhões. O partido tem 736 filiados disputando vagas em Assembleias Legislativas, na Câmara e no Senado, além de quatro candidatos a governador e 11 a vice. Se o valor arrecadado fosse dividido igualitariamente, cada um teria cerca de R$ 415 mil para pagar gastos de campanha.

Na sequência, vêm políticos do PT (R$ 295 milhões) e do PSDB (R$ 266 milhões) – veja infográfico. Os candidatos do Partido da Causa Operária (PCO) ficaram na lanterna das arrecadações, com R$ 33 mil. Já os candidatos do PSB, partido de Marina Silva, receberam R$ 98 milhões e estão em quinto no ranking das arrecadações, atrás de integrantes do PMDB, com R$ 201 milhões. Os números se referem aos recursos recebidos diretamente pelos candidatos, provenientes de doações feitas por empresas, pessoas físicas e partidos – e também podem incluir dinheiro do fundo partidário.

Já o PMDB lidera as doações feitas por empresas e pessoas físicas aos diretórios e comitês financeiros dos partidos. A sigla declarou ter recebido R$ 226 milhões. Em segundo e terceiro voltam a aparecer PSDB (R$ 175 milhões) e PT (R$ 105 milhões), com os tucanos à frente. O PSB, que na primeira prestação de contas, quando o candidato era Eduardo Campos, havia recebido R$ 26 milhões, aparece com R$ 64 milhões, quarta maior arrecadação. O PP vem em sétimo, com R$ 45 milhões.

O cientista político da Uni­­versidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Carlos Ranulfo Melo entende como natural o aumento de doações atrelado à melhora nas pesquisas eleitorais. Mas lembra que, na dúvida, as empresas costumam ser generosas com boa parte dos candidatos “esperando algum tipo de retorno.” 

Poder

À exceção do PP, em primeiro nas arrecadações diretas dos candidatos, os três partidos que concentram as maiores arrecadações (PT, PSDB e PMDB) são também os que detêm mais poder na política nacional. Juntos, governam 19 dos 26 estados e Distrito Federal. O PSDB tem oito governadores, enquanto o PMDB tem seis e o PT, cinco. No Senado, o PMDB tem a maior bancada, com 19 integrantes, seguido por PT, com 13, e PSDB, com 12. As três siglas também se destacam na Câmara, onde o PT tem com 88 deputados; o PMDB tem 72. O PSD tem 45 parlamentares, um a mais que o PSDB. “Quem está no poder cultiva relações”, explica Melo. Para ele, a preferência dos grandes doadores por quem está no poder ou tem perspectivas de chegar lá “não é uma relação imediata, um toma-lá-dá-cá, mas é para manter as portas abertas”.