04/09/2014 00:00:00 Cesta básica tem quarto mês de redução em Londrina

Fonte: Folha de Londrina

Sustentada pela redução nos preços de itens como feijão, batata, leite, banana e tomate, a cesta básica de Londrina registrou o quarto mês consecutivo de queda. A baixa de 1,27% não foi maior em virtude da alta da carne, que variou positivamente 6,78% e tem grande peso na composição da cesta. Na média, o conjunto de 13 produtos custou R$ 280,73 para uma pessoa e R$ 842,19 para a família de quatro pessoas. 

A pesquisa encontrou o quilo da carne (coxão mole) vendido entre R$ 15,98 e R$ 22,80, variação de 42,68% e a maior diferença em reais detectada no período, R$ 6,22. O preço da batata variou 227%, entre R$ 0,79 e R$ 2,59; e o tomate, de R$ 0,87 a R$ 4,99 - diferença de 473%. "Caso o consumidor realizasse a pesquisa de preços nos dez estabelecimentos, adquirindo o produto mais barato em cada um deles, a cesta básica para uma pessoa sairia por R$ 210,12; nos mais caros, essa mesma cesta passaria para R$ 311,12", compara o economista Flávio Oliveira Santos, coordenador da pesquisa da Faculdade Pitágoras. 

Para a família de quatro pessoas, a cesta formada por produtos mais baratos custaria R$ 630,36, ou seja, seria possível uma economia de R$ 302,99 ou 48,07% para a família, quando comparado ao preço da cesta formada por produtos mais caros (R$ 933,35). "Somente a economia gerada com a carne já paga o que o consumidor vai gastar com combustível ou passagem de ônibus para realizar a pesquisa de preços", reforça Santos. 

O economista revela que a carne acumula, desde janeiro, aumento de 24,88% e segue em tendência de alta. "Isso porque está aumentando a demanda interna e as exportações, um dos principais fatores que levam à alta", explica. Além da pesquisa de preços, a substituição do produto durante a semana pode amenizar o impacto dos preços. 

A aposentada Irma Mendes Dias costuma aproveitar os dias de promoção para garantir a carne da família. "Não ficamos sem carne em casa, por isso, nas promoções compro para vários dias", diz. Já Iracema de Jesus Silva, aposentada, adotou a substituição de produtos como uma maneira de gastar menos. "Compro carne moída, vou fazendo molho para macarrão, ou compro frango; bife, às vezes, não dá para comer carne todos os dias", opina.

Tereza Dutra, também aposentada, diz que sente dificuldade em realizar pesquisas de preço no dia a dia em virtude da falta de transporte, mas sempre que pode, procura feiras e estabelecimentos mais baratos. "Para comprar coisas leves vou, de ônibus, nos supermercados que considero mais baratos", relata. 

Acumulado
Para o coordenador da pesquisa, a queda acumulada de quatro meses na cesta pode passar despercebida para os consumidores em virtude da alta de outros itens, como produtos de limpeza. "Entendo que os itens da cesta básica são, de certa forma, controlados pela demanda dos próprios consumidores, e também são itens que dependem da situação da agricultura; por outro lado, há itens sobre o qual não se tem tanto controle que acabam subindo além da inflação", justifica. 

A alta acumulada de 7,36% nos últimos 12 meses tem forte influência do mês de fevereiro, quando o aumento da cesta foi de 13,86%. Naquele mês, a batata aumentou muito, a banana também, e o tomate subiu 135%. Hoje, ele está custando 56% do valor da época.