19/12/2014 00:00:00 Chapa governista vence eleição para Mesa da Câmara

Fonte: Folha de Lodnrina

Mais de três horas depois de uma série de reuniões, conversas nos corredores e tentativa de angariar votos, os vereadores de Londrina escolheram ontem a nova Mesa Executiva da Câmara para o biênio 2015 e 2016. O atual líder do prefeito Alexandre Kireeff (PSD), Fábio Testa (PPS), mais conhecido como Professor Fabinho, foi eleito presidente com 10 votos. O grupo derrotado, encabeçado por Mário Takahashi (PV), obteve nove votos. 

Além de Testa, a nova Mesa tem outros dois apoiadores contumazes de Kireeff: Elza Correia (PMDB), que foi líder do prefeito no primeiro ano do mandato, e Vilson Bittencourt (PSL), que ocupará o cargo de terceiro secretário. Douglas Pereira (PTB) e José Roque Neto (PR), que ora votavam com a oposição ora com a situação, também integram a Mesa como primeiro e segundo secretários, respectivamente. 

A intervenção do PTB, do deputado federal Alex Canziani, que fechou questão sobre a escolha de Testa, foi fundamental. O mensageiro foi o advogado Maurício Carneiro, membro da Executiva Estadual do partido. Douglas, que a princípio integraria a chapa de oposição, não gostou nada de ser "enquadrado". Mas, depois de conseguir um cargo na Mesa governista, parecia conformado. "O PTB considera essencial que o prefeito Kireeff continue tendo governabilidade porque tem feito uma boa administração para a cidade", justificou Carneiro. 

Para Testa, o apoio do PTB é uma espécie de retribuição aos votos dados ao petebista Rony Alves, eleito presidente da Câmara em 2013. Para Takahashi, "pesou bastante a força externa dos partidos". "Tínhamos um acordo que envolvia outros vereadores que acabaram mudando de lado", comentou. 

A demora na escolha das chapas se deu porque, desde o princípio, a chapa governista teria os 10 votos necessários. A oposicionista tentava convencer pelo menos um deles a mudar de lado, já que Douglas, dado como certo até a manhã de ontem, tinha que votar conforme a deliberação do PTB. Chegaram a oferecer cargos a, pelo menos, dois vereadores: Lenir de Assis (PT) e Roque Neto. 

"De fato, chegaram a cogitar a presidência da Câmara e, neste caso, eu pensaria em formar um grupo com eles, mas, como também havia o entendimento de que o Mário (Takahashi) não abriria mão do cargo, eu desisti", relatou Roque. Lenir estava indecisa, mas acabou fechando com os vereadores com quem aparentemente tem mais afinidade. 

INDEPENDÊNCIA
Fábio Testa, que desde o início das discussões acerca da eleição da Mesa, declarava que não seria candidato, disse que "aceitou o desafio" porque era um "nome de consenso", ou seja, aquele que obteria mais votos. Advogado, ao se tornar presidente da Mesa, ele fica legalmente impedido de exercer a profissão. "Eu tinha outros planos, mas aceitei o desafio para contribuir", comentou, afirmando ter conversado com Kireeff sobre a decisão de disputar a presidente e com o presidente de seu partido, o deputado estadual Tercílio Turini. 

Mais conhecido com Professor Fabinho, o presidente eleito disse que, embora tenha uma posição de apoio ao Executivo, manterá a Câmara com um poder independente. "Mesmo como líder do prefeito já tive posicionamentos contrários ao Executivo. Vou manter a postura de manter os poderes independentes." 

Aceitando a derrota, Takahashi disse ter a expectativa de "bons projetos da Mesa", mas, espera que, diante da posição governista de seus membros, "a Câmara não seja uma extensão do Executivo". "Espero que esta posição não interfira na independência do Legislativo", comentou. 

PRESENÇA FEMININA
Elza Correia é a primeira mulher a ser vice-presidente da Câmara (que também nunca foi presidida por uma mulher). "Desde a posse, queríamos uma representante da bancada feminina. Queríamos a presidência, mas a vice-presidência já é um começo", declarou a vereadora. 

Quanto ao mandato, Elza disse que a posição governista não vai interferir na independência da Câmara e que a intenção do grupo é "fortalecer a imagem e a presença do Legislativo, melhorar a estrutura para o trabalho de servidores e de vereadores e trazer a população para dentro da Casa". "A reforma e a ampliação é algo que precisa ser discutido."