09/10/2014 00:00:00 Com instituto, setor de TI quer voar mais alto em Londrina

Fonte: JL

A instalação do Instituto Senai de Inovação em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), prevista para ocorrer até setembro do ano que vem, deve potencializar a atratividade de Londrina no segmento.

O instituto – que ainda está com a sede em construção, mas já oferece consultorias e laboratório de testes de software – deve consolidar a posição do Município como polo nacional nessa área, já que deve atrair empresas de todo País, de acordo com as perspectivas mais otimistas.

As previsões não são infundadas. Atualmente, a região de Londrina tem uma indústria de TI com grande potencial de desenvolvimento, com cerca de 1,2 mil empresas, 14 universidades e 19 escolas técnicas formando mão de obra, além de aproximadamente 10 mil pessoas trabalhando na área.

As empresas atuais estão distribuídas no eixo entre Apucarana e Cornélio Procópio, a maioria em Londrina, segundo o presidente da Arranjo Produtivo Local (APL) de TI, Gabriel Henríquez. Segundo ele, 95% delas são micro e pequenas empresas. “Do total, 48% têm até cinco funcionários e 30%, entre seis e 15 funcionários”, diz.

Além disso, há vários Microempreendedores Individuais (MEIs), que não possuem funcionários. Estes, no entanto, de acordo com o presidente do Sindicato da Indústria de Softwares de Londrina (Sinfor), Marcus Von Borstel, só podem ser considerados consultores.

Referência
De acordo com Von Borstel, o segmento de TI de Londrina já é referência nacional, com um polo significativo e com grande potencial econômico. “A criação do instituto vai fortalecer o que já temos e atrair mais empresas. Elas [as empresas] já são interessadas na região pela grande capacidade de formação de mão de obra que temos. Com os serviços e consultorias que o Senai oferecerá, poderemos atrair novos investimentos e isso vai ter um impacto muito grande na economia londrinense”, prospecta.

A participação da administração municipal, através da implantação do ISS Tecnológico – que permite que a empresa invista até 40% do Imposto Sobre Serviços (ISS) devido em desenvolvimento de softwares que ajudem no crescimento – ajuda no contexto. “Ainda não temos finalizada uma pesquisa que mostre o quanto as empresas de TI representam na movimentação financeira do Município, mas posso afirmar que é significativo”, pontua. De acordo com ele, o setor cresce anualmente entre 15% e 20%.

Segundo o gerente do Senai em Londrina, Almir Gaspar Schenseld, a decisão de instalar o instituto na cidade teve a ver com a vocação local. “Londrina tem o APL mais antigo do Brasil em funcionamento e é um segmento com grande potencial de crescimento”, explica.

Outros dois institutos de inovação do Senai – um em Santa Catarina e outro na Bahia – também vão lidar com o segmento, mas serão voltados para automação e hardware, respectivamente. “Aqui, em Londrina, teremos enfoque em softs”, afirma.

De acordo com Schenseld, 60% dos serviços que serão ofertados já estão sendo executados na cidade. “Os mais procurados são as consultorias, inclusive a de certificação de produtos MPS.BR, que é uma espécie de ISO 9000 para a área de software.”

No total, a Sistema Senai deve investir R$10 milhões para estruturar totalmente o instituto na cidade. E, segundo o gerente local, a ideia é gerar entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões em serviços.

Cuke ajuda na venda porta-a-porta

A empresa de Gabriel Henríquez, a Kiwano Tecnologia, é um exemplo de como a indústria de Tecnologia da Informação (TI) se desenvolve em Londrina. Com uma equipe de sete pessoas, a empresa trabalha com softwares e soluções corporativas para web e dispositivos móveis sob encomenda. Mas a ideia é lançar produtos próprios. “Estamos buscando desenvolver produtos nossos, porque a receita é mais escalonável: você faz o produto uma vez e vende várias”, explica.

Com isso em mente, a empresa lançou há algum tempo o Cuke, um aplicativo para quem trabalha com vendas porta-a-porta. “Sem fazermos nenhuma divulgação, porque ainda estamos nos ajustes, já tivemos cerca de 800 downloads, metade deles no Brasil e o restante no exterior, já que lançamos em três línguas.”

O app ajuda o vendedor a gerenciar o estoque e a fazer controle de vendas e cadastro de clientes. “Na verdade, o app se propõe a facilitar a gestão do pequeno negócio, substituindo o caderninho de vendas”, afirma.

Para tablets e smartphones, o Cuke permite também um melhor controle do fluxo de caixa. “Hoje, há uma estimativa que 90 milhões de pessoas trabalhem com vendas porta-a-porta. Imagine se metade tiver um smartphone e, destes, 50% baixar meu programa?”, especula.

O lucro da empresa, no entanto, não vai ser na venda do programa. Ele vai continuar gratuito e, segundo Henríquez, a ideia é ganhar dinheiro com serviços agregados, como backup e sincronização de contas, que permitirão ao vendedor a atualização de novos produtos a um toque. “Vamos cobrar barato para ganhar no volume”, explica. (TE)