12/09/2014 00:00:00 Comércio deve fechar o ano com resultado abaixo de 2013

Fonte: Folha de Londrina com Folhapress

Num momento de incertezas em relação à economia, os consumidores estão menos dispostos a gastar, o que compromete o desempenho do comércio neste ano. O setor, mantido o atual ritmo, deve fechar o ano com o pior resultado desde 2003, quando as vendas caíram 3,7%. 

Pelos cálculos de economistas, o varejo tende a crescer 4% neste ano, abaixo dos 4,5% de 2013. De janeiro a julho, as vendas subiram 3,5%. Em 12 meses, acumulam alta de 4,3%. 

O mais fraco dinamismo do setor está ligado à piora da confiança dos consumidores, à escassez do crédito, aos juros mais elevados e à inflação ainda em patamar alto - embora tenha cedido nos últimos meses. Para Aleciana Gusmão, técnica do IBGE, a Copa do Mundo afetou o setor tanto em junho como em julho - quando as vendas caíram 0,7% e 1,1%, respectivamente. Isso porque os feriados e dispensas antecipadas em dias de jogos prejudicaram o setor. Aleciana disse que o crédito mais fraco também abateu o varejo. Um dos sinais é a retração das vendas de móveis e eletrodomésticos de junho para julho - de 4,1%, a mais intensa dentre as categorias pesquisadas. "O ano de 2014 tem se mostrado menos favorável para o comércio", disse. 

DESACELERAÇÃO
Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, ressalta que "o desempenho do comércio reforça a expectativa de desaceleração gradual do consumo ao longo de 2014." Nos últimos dados do PIB, tal tendência de moderação do consumo já estava presente e tende a ganhar força após esse fraco resultado do comércio em julho. 

Apesar de sinais de piora do crédito, as vendas de veículos subiram 4,3% e reagiram, após dois meses em queda. "Isso é resultado de promoções que o setor fez para desovar estoques", disse Aleciana. O dado compõe o comércio varejista ampliado. O índice também inclui o comércio de materiais de construção, que teve alta de 3,8% no mês de julho.