22/04/2015 00:00:00 Comércio vê no Dia das Mães chance de alavancar vendas

Fonte: Jornal de Londrina

O comércio de Londrina aposta todas as fichas nas vendas para o Dia das Mães, que será comemorado em 10 de maio. Para muitos lojistas, a data, considerada um “segundo Natal” em volume de vendas, figura como oportunidade para se recuperar o baixo rendimento registrado no comércio em fevereiro, março e abril. A expectativa é de que se repita, pelo menos, o desempenho do ano passado, segundo a vice-presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Nájila Nabhan. “Ninguém deixa de comprar nem que seja uma lembrancinha para a mãe. Por isso, acredito que a data pode ser boa”, diz.

Os últimos três meses foram muito ruins para o comércio. “Março ainda foi um pouco melhor, ameaçou uma reação, mas só porque não teve feriado. Fevereiro e abril foram péssimos para as vendas”, avalia o diretor comercial da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Fernando de Moraes. Neste mês, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina) complicou a situação. “Nós mesmos [Móveis Brasília] tivemos de montar um estande lá [na exposição], para dar uma recuperada. E foi bom, porque a circulação no parque foi melhor que no comércio de rua.”

De acordo com Moraes, há vários fatores que estão inibindo as vendas. Um deles é o aumento nos preços das mercadorias. “Com reajustes no ICMS [Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação] de grande parte dos produtos, nas contas de energia e de água e no combustível, foi impossível segurar os preços”, explica.

Outros fatores são o medo do consumidor e a demora da chegada do frio. “Há muita gente preocupada com o futuro, porque as notícias são todas alarmistas. Por isso, tem muita gente preferindo segurar o dinheiro com medo de perder o emprego.” Sobre o segundo ponto, Moraes relata que os comerciantes já estão com os estoques cheios de produtos para a temporada mais fria do ano, mas as vendas desses itens ainda não decolaram porque o calor persiste. “Se esfriar antes do Dia das Mães, será o ideal.”

Situação crítica

O gerente de uma loja de confecções que pediu para não ser identificado relata que nunca registrou um trimestre com vendas tão fracas como o de fevereiro a abril. “Estou no ramo há 15 anos e nunca tinha passado por isso. O pessoal está com medo de gastar e de perder o emprego, mas se continuar assim quem vai perder o emprego é o comerciário”, lamenta. Segundo o gerente, se as vendas do Dia das Mães não recuperarem pelo menos parte dos prejuízos, “a situação vai ficar feia”. “Seremos obrigados a dispensar de 40% a 50% do nosso quadro de pessoal.”

Cenário de crise

O presidente do Sindicato dos Empregos no Comércio de Londrina e Região (Sindecolon), José Lima do Nascimento, afirma que o comércio local vive, de fato, um momento preocupante. “Nos últimos meses, fizemos mais rescisões de contrato de trabalho do que no mesmo período dos anos anteriores. Isto está deixando a classe preocupada.” Os trabalhadores que recebem comissão, acrescenta, são os que mais reclamam. “Os mais novos de empresa, com menos de um ano de casa, encontram grandes dificuldades.” Na avaliação dele, a situação ainda não é desesperadora, mas é típica de crise. “Teremos que enfrentá-la.”