11/07/2022 10:59:47 Conectados pelo mesmo propósito

Fonte: Francismar Lemes - Revista Mercado em Foco/ACIL

Os desafios de toda cidade são superados a curto, médio e longo prazos, mas, historicamente, em Londrina, o trabalho coordenado dá mais fôlego para que as respostas cheguem mais rápido. Ao longo dos 85 anos da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), a colaboração entre as entidades de classe é um capital social e um ativo importante para atingir esse objetivo, o que foi significativo para colocar a cidade como destaque em quatro setores do estudo Melhores Cidades para Fazer Negócios 2.0, produzido anualmente para a revista Exame pela empresa de consultoria e inteligência Urban Systems. 

Realizada em 2020, com metodologia diferente dos anos anteriores, a pesquisa teve como foco seis segmentos: educação, comércio, serviços, indústria, mercado mobiliário/construção civil e agropecuária. 

No ranking das 100 cidades, Londrina é destaque no setor Imobiliário, ocupando a 25ª colocação no país, e 3ª posição na Região Sul; Educação, na 30ª colocação no país e 4ª posição na Região Sul; Agropecuária, na 34ª colocação no país e 9ª posição na Região Sul; e Comércio, com a 37ª colocação no país e 5ª posição na Região Sul. 

A sondagem de oportunidades futuras para o município e a estratégia para tirar da frente obstáculos de crescimento é um trabalho conjunto da sociedade, como aponta o vice-presidente da ACIL, Hélio  Terzoni. 

“Eu acredito que com a força dessa conexão, com um objetivo único, começou-se a deixar claro que projetos abraçados por associações com um norte claro, garantiriam a transformação da cidade”, afirma Terzoni.  

Conquistas importantes para a cidade nasceram de discussões, que começaram na sede da ACIL. A criação do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial (NDE), em 2009, amplificou ainda mais a voz da sociedade no enfrentamento de problemas e alcance de respostas às demandas. 

Além da ACIL, fazem parte do Núcleo o Sebrae; Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel); Sindicato da Indústria da Construção Civil de Londrina (Sinduscon); Sociedade Rural do Paraná (SRP); Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (CEAL); Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval); Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos do Estado do Paraná (Sindimetal); TI Paraná; Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), entre outros.  

Segundo Luiz Carlos Euzébio, diretor da ACIL, o NDE olha para diversas frentes da cidade, especialmente relacionadas à infraestrutura, e orienta as estratégias, que podem levar ao desenvolvimento. 

De olho na Av. Duque de Caxias  

Comerciante há 32 anos em Londrina, ele também faz parte do Núcleo Nossa Duque, do Programa Empreender, da ACIL. Euzébio lembra que ao compor a diretoria da entidade, conheceu o Programa, que já tinha proposto e conseguido a revitalização da Rua Sergipe, na área central.  

“Nós trouxemos esse projeto para a Avenida Duque de Caxias e aí mudou toda a nossa realidade. Até então, não havíamos conquistado nada. É impressionante a força que tem um projeto desse. As portas se abriram de uma forma impressionante. Tínhamos a preocupação de que a Duque fosse duplicada. Com a nossa ação, a proposta foi retirada de pauta no novo Plano Diretor. Como não haverá esta obra nos próximos 50 anos, o empresariado, o investidor voltou a investir na avenida”, ressalta Euzébio. 

O diretor conta que isso desencadeou uma reação positiva nos empresários da região. Só para citar um exemplo, ele afirma que alguns comerciantes se sentiram motivados e revitalizaram as lojas, tornando-as mais atraentes para os consumidores.  

Para o futuro, o comércio da Duque de Caxias espera que a união dos empresários da região, juntamente com o apoio da ACIL e demais entidades de classe, consiga mais uma pista de rolagem para a avenida e que, das 9 horas às 16 horas, os carros possam trafegar na pista de ônibus, o que hoje não é possível.  

“Queremos ainda uma revitalização da avenida, com um asfalto novo, melhor iluminação, plantas novas, o que está em discussão e está sendo bem encaminhado, mas tudo isso é a força da união”, afirma Euzébio. 

União de forças 

O consultor do Sebrae, Sérgio Ozório, reforça que as entidades londrinenses sempre tiveram objetivos comuns, mas, faltava uma unificação, que foi possível com a formação do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial.  

“Foi uma necessidade que conseguimos suprir, em 2009, com a criação do núcleo. Num primeiro momento éramos cinco entidades e, atualmente, estamos em 12. Entidades que se reúnem todas as terças-feiras, discutindo uma pauta econômica da cidade. No início, nós falávamos em ter um centro de transferência de tecnologia, falávamos de políticas públicas como o ISS Tecnológico, termos programas que pudessem valorizar as empresas locais, aumentar os cursos de engenharia, implantar o empreendedorismo na rede pública de ensino. Muitas dessas pautas, com o passar do tempo, conseguimos fazer a articulação para que se concretizassem”, conta Ozório. 

Para 2022, o núcleo visualiza a criação de uma governança para a implementação do Master Plan, que trata do planejamento estratégico para os próximos 20 anos de Londrina.  

Ozório enumera ainda, no horizonte, a industrialização da cidade com incentivos como espaços para que empresas possam se instalar e de políticas públicas que atraiam investidores. 

Ele também reforça a necessidade de uma agência de desenvolvimento e, de preferência, privada, com foco na industrialização com papel de captar indústrias para a cidade.  Outra discussão que está na mesa é a revitalização do Centro e tornar Londrina uma cidade inteligente.  

O presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Decarlos Manfrin faz parte do Núcleo de Desenvolvimento Empresarial. Ele avalia a importância da participação de entidades que representam diferentes setores produtivos, o que contribui para expandir o alcance das respostas para os problemas e reinvindicações da cidade. 

“Gostaria de citar também o Master Plan. O plano foi realizado, juntamente com o poder público e, agora, o núcleo tem uma preocupação de fiscalizar, acompanhar esses projetos. Todas as entidades estão empenhadas nesse objetivo. Podemos citar ainda a criação do Tecnocentro, que é uma conquista, mas temos outras demandas importantes para o desenvolvimento de Londrina, como o fortalecimento do turismo”, aponta Manfrin. 

O Programa Empreender, que já foi citado, é uma das iniciativas mais importantes nesse movimento, que conecta diferentes agentes, como explica o diretor Institucional da ACIL, Marcelo Quelho.  

“O programa é uma metodologia internacional, que já está no Brasil há mais de 20 anos, aplicado pelas associações comerciais. O papel principal é mudar a mentalidade dos empresários que se viam como concorrentes a serem parceiros de segmento e sentarem numa mesma mesa e discutir o setor. Gosto de usar essa analogia: é como se as pessoas parassem de discutir a semente, que é a empresa delas, para discutirem o terreno, que é onde a semente está plantada. É pensar em todo o ecossistema que influencia o resultado das nossas empresas”, afirma o diretor. 

Quelho exemplifica com o trabalho do núcleo pioneiro da Sergipe, que é multissetorial e que, entre as conquistas, conseguiu que a via fosse a primeira rua inteligente do Brasil. 

O esforço coletivo das entidades, muitas vezes, em parceria com o poder público, é responsável por muitas outras conquistas, como relaciona o diretor-presidente do Sinduscon, Sandro Nóbrega.  

Ele integra a Comissão de Desenvolvimento e Infraestrutura da Região de Londrina, que reúne representantes políticos, entidades da sociedade civil organizada e poder público. 

“São as lideranças que sentem as demandas das suas bases em função das carências de infraestrutura que nossa região tem. Essa comissão organiza o trabalho e exerce as pressões de uma forma muito construtiva e adequada sobre os respectivos entes responsáveis. Isso é feito de uma forma planejada, encadeada, muito harmonizada, demandando o governo do estado, concessionárias de energia, governo federal, entre outros, para que sejam implementadas”, afirma Nóbrega. 

O diretor do Sinduscon destaca entre as obras de infraestrutura importantes, a duplicação da PR-445, os viadutos da Bratislava, em Cambé, e o da Pontifícia Universidade Católica (PUC), o Terminal Metropolitano, cujo anteprojeto está sendo doado para o governo estadual. 

“Nós vamos conseguir que sejam atendidas outras demandas, como as duplicações de interligações de rodovias com o estado de São Paulo, que são pequenos segmentos que precisam dessas obras para podermos ter fluxo comercial”, completa. 

Para o rol de conquistas ainda entram o Compra Londrina, Plano Diretor e Planos Complementares e a instalação do Batalhão na Zona Norte. 

O diretor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia, Brazil Versoza, valoriza a união como um movimento de aceleração do desenvolvimento de Londrina e região.  

“Eu vejo que, a partir do momento em que todas as entidades estão olhando para os principais objetivos do desenvolvimento da cidade, fica fácil a gente concentrar as forças e definir os objetivos. A gente caminha no mesmo sentido. Vejo como um ponto muito positivo porque, quando não se tem essa união, cada um está olhando para um lado, acaba-se propondo muitas coisas e não se faz nada. Porque cada um está jogando a sua força para um lado. Na comissão, a gente junta as forças, todo mundo anda para o mesmo lado e as coisas acontecem de uma maneira mais consciente e a coisa acaba acelerando”, conclui.