19/09/2014 00:00:00 Consumidor brasileiro investe em eletroportáteis

Fonte: Folha de Londrina

Os consumidores brasileiros aproveitaram a época de Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) reduzido para comprar produtos básicos da linha branca e agora investem em produtos "satélites", que facilitam as tarefas domésticas do dia a dia. A informação é da consultoria Gfk, divulgada na feira de eletroeletrônicos, eletrodomésticos, celulares e TI - Eletrolar, que terminou ontem em São Paulo. 

De acordo com o gerente da área de Home & Life Style da consultoria GfK, Oliver Römerscheidt, a linha branca "já não cresce mais com a velocidade que crescia antes". "Existem cerca de 60 mil lares no Brasil. Podemos dizer que metade aproveitou o IPI reduzido para comprar linha branca", afirma Römerscheidt. "Agora, os consumidores estão indo para os produtos 'satélite'." Prova disso, é que o segmento de eletroportáteis, teve crescimento de 22% em unidades vendidas, enquanto a linha branca tradicional (refrigeradores, fogões e lavadoras) teve queda de 5%. 

Produto que recebeu destaque entre os eletroportáteis foi a fritadeira a ar, que frita alimentos sem usar óleo. O produto teve 117% mais unidades vendidas de janeiro a julho deste ano em relação ao mesmo período de 2013. Em faturamento, o segmento cresceu 142%. "A cada R$ 100 gastos em eletroportáteis, R$ 4 vão para fritadeiras a ar. É uma categoria que não existia e que agora é realidade. Todos os produtos no Brasil estão deixando de ser nichos para ter representatividade", comenta Römerscheidt. 

Ainda na cozinha, os preparadores de alimentos e os cooktops também tiveram maior incremento. No segmento de limpeza, as máquinas de lavar louça, os aspiradores de pó e as secadoras de roupa foram as mais procuradas pelos consumidores. 

Toda a cozinha da doméstica Creide Carvalho já é equipada com produtos que vão além dos de necessidade básica. Sanduicheira, batedeira planetária e processador de alimentos são alguns exemplos de eletroportáteis que a doméstica foi adquirindo com o tempo. "Facilita muito. Mesmo se não tiver gás em casa, ainda dá para cozinhar com a panela elétrica, a panela de pressão elétrica, o aquecedor de água, a cafeteira... Já comprei de tudo. Só falta a fritadeira, mas acho que ainda está cara pelo que faz." Ontem, Creide estava em uma loja comprando um ventilador. 

A cozinheira Helena da Silva e a auxiliar de serviços gerais Márcia Aparecida Bragato afirmam que estes produtos auxiliares da cozinha são úteis para que as filhas possam cozinhar sozinhas quando elas estão trabalhando. "Para quem trabalha é bom, porque minha filha de 11 anos se vira sozinha na cozinha", diz Márcia. "São mais as minhas meninas que usam. Como estou sempre trabalhando, elas se viram", concordou Helena, que tem duas filhas de 16 e 18 anos, e um rapaz de 23. 

Valor agregado
"O que percebemos é que houve uma diminuição na procura de produtos de preços mais baixos e uma evolução na procura por produtos de preços superiores, como liquidificadores mais caros, design mais bonito", acrescenta o diretor geral comercial da marca Mallory, Mauro Vega Valdés. Para ele, este movimento tem relação com a evolução positiva da economia no País, e também com a introdução de novos produtos no mercado, como a própria fritadeira. 

Na opinião da diretora sênior de Marketing da Philips na América Latina, Alina Asiminei, produtos como fritadeiras e panela de pressão elétrica trazem inovação e o público brasileiro se mostra receptivo a eles. "Isso contribuiu para o crescimento. Ainda existe muito espaço para crescimento destes produtos no mercado, pois a penetração deles ainda é baixa."