11/04/2016 00:00:00 Crise preocupa lojistas do aeroporto

Fonte: Folha de Londrina

A Superintendência da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) do Aeroporto José Richa, em Londrina, quer movimentar o comércio das concessionárias do aeródromo atraindo o consumidor que não precisa dos voos. A medida é uma forma de evitar os efeitos da crise econômica, que retrai as vendas do varejo e diminuiu o fluxo de passageiros das companhias aéreas. 

As ideias foram discutidas na manhã de ontem entre o superintendente da Infraero, Marcus Vinícius Rezende Pio, a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e os concessionários. 

O desafio, além de atrair a atenção de quem mora na cidade, é afastar o senso comum de que os produtos são mais caros. O aeroporto tem 13 lojas que vão de lanchonetes e docerias a farmácia, livraria e loja de roupas. Porém, somente no primeiro trimestre do ano, o movimento de passageiros caiu cerca de 14,8%, de 265,4 mil entre janeiro e março de 2015 para quase 226 mil neste ano. 

Segundo Pio, a atitude da Infraero é uma forma de agir preventivamente para que os comerciantes instalados no aeroporto desviem da crise e busquem alternativas que garantam a sobrevivência. Uma reunião com consultores do Sebrae foi marcada para a próxima semana para discutir um projeto de divulgação das lojas. 

Vizinhança

O superintendente disse ainda que os comerciantes perceberam a necessidade de divulgar o comércio para o entorno. Para isso, devem fazer propagandas inicialmente0 em mídias digitais, como o Facebook, o Twitter e o Whatsapp, e também isolar um pedaço do estacionamento para promoção de eventos. "Ficar apenas olhando a crise não vai resolver nada. Temos de achar nesse período uma oportunidade de crescimento." 

O superintendente da Acil, Diego Menão, afirmou que a entidade enxerga o aeroporto como um vetor importante para o desenvolvimento de Londrina. "Saímos da reunião com a ideia de formalizar um núcleo de empresas do aeroporto, dentro do Programa Empreender", disse. 

Menão recordou que o aeródromo é, para alguns visitantes, o primeiro contato que têm com a cidade e, ao perder qualidade, a cidade toda perde junto. Por isso a Acil tem interesse em criar um grupo de desenvolvimento de inovação, fomentando interação maior com o ambiente externo. 

"Cultura antiga"

Para Marcus Vinícius Pio, a ideia de que aeroportos são caros "é cultura antiga" e precisa ser superada. "Temos até uma lanchonete popular, mas a maioria dos comerciantes oferece um produto diferenciado. E quem tem lojas fora da lanchonete vende ao mesmo preço das outras unidades de Londrina." 

Há 30 anos atuando no saguão do aeroporto, Maria Helena Cotarelli Berbert, proprietária da bombonière Gramado, considera fundamental a iniciativa para encontrar melhores condições de trabalho para os comerciantes do local. "A ideia que as pessoas têm é que tudo é muito caro, então, vamos fazer um trabalho para mostrar que é um comércio como qualquer outro, divulgando primeiro pelas mídias eletrônicas", disse. 

Ela também vê no entorno uma possibilidade de recuperar as vendas, que já se ressentem do movimento morno. "O pessoal do bairro pode vir fazer compras aqui ao invés de ir até o shopping", apontou. 

Ideia semelhante tem a supervisora da loja de bolsas e acessórios Le Postiche, Aline Geraldino. "Precisamos fazer algo para virar o jogo", afirmou. Segundo ela, os preços praticados no aeródromo são os mesmos das outras lojas da marca.