14/11/2014 00:00:00 Custo para modernizar iluminação pode chegar a R$ 180 milhões

Fonte: JL

A modernização do sistema de iluminação pública por parte do Sercomtel, a partir do segundo semestre do ano que vem, custaria até R$ 180 milhões se fosse feita hoje. O serviço será assumido pela empresa em 1º de janeiro, para cumprir a determinação de municipalização feita pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Atualmente, é gerenciado pela Companhia Paranaense de Energia (Copel).

O prefeito Alexandre Kireeff (PSD) afirmou ontem que a intenção é usar “a melhor tecnologia disponível”, sem mexer na taxa de iluminação paga pelos moradores, que não é corrigida pela inflação desde 2002. A “melhor tecnologia disponível” é a de lâmpadas de LED, que iluminam melhor e gastam menos energia.

“Conforme se instala a iluminação [com lâmpadas de LED], há uma queda no consumo, o que pode gerar reequilíbrios [nos investimentos]”, explicou Kireeff. Em outras palavras: o dinheiro para tocar a modernização viria justamente da economia gerada pela implantação da nova tecnologia.

O prefeito não estipulou em quanto tempo será concluído o processo de modernização, o que só será possível mensurar depois que forem definidos os parâmetros no contrato que o Município e a Sercomtel devem assinar até dezembro. Este contrato é elaborado pela Procuradoria Geral do Município (PGM).

Defasagem

O presidente da Sercomtel, Christian Schneider, afirmou que a defasagem na taxa de iluminação pública paga pelo contribuinte é de 89%. O londrinense, acrescentou ele, paga uma média de R$ 4 per capita pelo serviço, custo que, se tivesse sido corrigido pela inflação, estaria em cerca de R$ 8 per capita. Ele disse acreditar que “em dois ou três anos o Município vai ter de discutir” a correção desses valores.

A saída encontrada pela Prefeitura, de contratar a Sercomtel para cuidar da iluminação pública, garante um serviço mais barato, já que a empresa deve trabalhar com uma taxa de lucro mais baixa do que seria caso o serviço fosse privatizado, explicou Schneider. “O lucro foi jogado para baixo. Estamos tentando fazer uma conta de equilíbrio para prestar o serviço sem onerar o Município.”

Prazo

O presidente da Sercomtel afirmou que a intenção é começar a substituição do sistema de iluminação pública a partir do segundo semestre do ano que vem. O formato ainda vai ser definido no contrato e nas conversações com a Prefeitura.

“A partir de julho, fazemos os projetos, que têm de ser aprovados [pela Prefeitura]. Vamos começar por algumas avenidas”, afirmou ele.

Quem determina quais serão essas avenidas é a Prefeitura. Cabe ao Município também a definição da tecnologia a ser utilizada.

60 mil pontos de luz

A instalação das lâmpadas de LED custa entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por ponto de luz, valor que considera tanto as lâmpadas quanto o sistema para comportar a tecnologia, de acordo com o presidente da Sercomtel, Christian Schneider. Desse modo, a modernização dos cerca de 60 mil pontos de iluminação pública custaria, hoje, entre R$ 150 milhões e R$ 180 milhões.

Com relação ao prazo para a instalação do novo sistema, Schneider afirmou que “tudo depende do projeto” e da disposição da Prefeitura em desembolsar os recursos necessários, que podem vir tanto dos recursos próprios do Município quanto do aumento da taxa de iluminação, cobrada do contribuinte juntamente com a conta de energia elétrica. Em ritmo acelerado, daria para fazer tudo, segundo ele, em cinco anos.

Como a Prefeitura tem orçamento apertado e o prefeito, Alexandre Kireeff (PSD), já anunciou que aposta na economia de energia proporcionada pela nova tecnologia para ampliar o sistema, dificilmente o serviço será feito com essa aceleração. “Quanto mais intenso for o investimento, mais rápido cai o consumo”, afirmou o prefeito. A lógica é que a “queda rápida do consumo” possibilite uma troca igualmente rápida do sistema.

O investimento inicial na modernização do serviço deve ser financiado com parte dos R$ 50 milhões que o Município tem reservado para a iluminação pública, dinheiro que veio da taxa cobrada na conta de energia elétrica. Se todos esses recursos fossem investidos só no aprimoramento, seria possível instalar lâmpadas de LED em até 20 mil postes, um terço do total.

Schneider fez um cálculo mais conservador à reportagem: ele estimou usar parte desses R$ 50 milhões para modernizar 20% do sistema, o que daria 12 mil pontos de luz.