06/10/2017 12:03:06 Dar propósito a equipe favorece produtividade

Fonte: Folha de Londrina

A melhor forma de ter um negócio sustentável é dar propósitos às equipes, para gerar satisfação nos funcionários. A opinião é do ex-presidente da Elektro Márcio Fernandes, que deixou há 20 dias o comando de uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do mundo com 100% de satisfação entre empregados, além de sete prêmios consecutivos Great Place to Work (Melhor Empresa para se Trabalhar). Ele também é autor do livro "Felicidade dá lucro", da editora Portfolio Penguin.

O executivo ministrou a palestra sobre gestão e liderança na quinta-feira, 5, no Lidere 2017, organizado pela Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) para comemorar os 80 anos da entidade. O evento, no Espaço Villa Planalto, e contou com apoio do Grupo Folha. 

No comando da Elektro de 2011 até o último dia 15, Fernandes afirmou que a filosofia de gestão que privilegia pessoas permitiu que a empresa aumentasse a produtividade em 40% e tivesse um índice de rentabilidade duas vezes maior do que a média do setor. Além de favorecer a relação entre empresa e empregado, ele disse que a prática favorece a subsistência de uma companhia muito mais do que políticas de retenção de funcionários, o que ele considera ultrapassado. "A sociedade atual não aceita ser retida. Trabalha com propósito. Tenho de acreditar ou não vou ficar. E imagina o que vai acontecer com os filhos dessa geração", sugeriu, ao lembrar que a busca pelo ser é cada vez mais importante do que o ter. 

Para o executivo, as pessoas precisam de propósitos no trabalho e, caso não os tenham, são os líderes que precisam ajudar a criar esses objetivos. O que, por experiência, disse não ser tão difícil. "Se pegarmos nessa plateia, chego ao propósito de 80% das pessoas e com cinco propósitos identifico 99%. E depois que descubro o porquê, fica mais fácil definir o como (fazer)." 

A prática é ainda mais necessária em períodos de crise como a atual, em que o pessimismo toma conta e faz com que a culpa recaia sobre a empresa, o País, o líder, segundo Fernandes. Nesse cenário, ele não enxerga chance de se prosperar sem resgatar a proximidade, a credibilidade e a confiança, com base em valores em comum. "Aí a pessoa diz, "ah, mas vou ser traído". Você já é traído, não vai mudar nada. O que pode acontecer é que, com confiança, esse índice vá diminuir muito", explicou. 

NA PRÁTICA 
Na Elektro, ele contou que a primeira escolha de propósito para desenvolver foi o tema educação, usado como bandeira em todas as ações e que automaticamente conquistou a admiração dos clientes. "Criamos desenvolvimento que envolve projetos sociais, formação dos nossos filhos, projetos de educadores, inclusão de pessoas, formação de estagiários, escola de eletricistas, escola de agente de faturamento, escola de tudo", disse. "Sabe quanto custou? Zero. Porque propósito é derivado do amor e amor não se paga. Pessoas fazem porque querem e fora do horário de expediente", completou. 

Mesmo entre as famílias de funcionários houve interesse, o que fez com que até 12 mil pessoas passassem a fazer parte, como multiplicadores ou aprendizes, de atividades de educação. "Quem transformou essa empresa fui eu? Não. Só controlei meu ego para não atrapalhar o time, que fez tudo", disse Fernandes. 

Em outro exemplo, ele contou que um grupo decidiu buscar candidatos a menor aprendiz em 228 orfanatos nas cidades onde a empresa atuava. "Colocamos 70 jovens naquelas áreas com maior dificuldade de se reconhecer um propósito e isso fez com que as pessoas mudassem, porque estavam envolvidas em algo bom." 

Para o executivo, é possível se desenvolver sozinho, mas isso apenas garante maior efetividade ao profissional. "Só mudo de patamar quando compartilho, porque abro espaço para o outro na minha vida e deixo de ser eu, para passar a viver o nós", disse. "Combinar efetividade e afetividade transformam as nossas possibilidades e mudam nosso nível de consciência."