22/09/2014 00:00:00 Demora da Prefeitura atrasa ampliação de 25 empresas

Fonte: JL

Quase dez meses depois da aprovação pela Câmara de um pacote doando 25 áreas para a ampliação de empresas, nem um único tijolo foi assentado. A medida foi apresentada pela administração municipal como um passo importante para a industrialização da cidade, mas até agora os industriais não conseguiram fazer as suas instalações porque os lotes estão com a infraestrutura incompleta. As 25 empresas estão divididas em três lotes de parques industriais, o Lote 70, na zona norte, e os Lotes 16 e 17, na Gleba Lindoia, perto da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), na zona leste. Em pelo menos um dos lotes, o 16, os empresários se organizaram para contratar o projeto de engenharia para a implantação da infraestrutura.

O projeto é o primeiro passo: depois de apresentado, a Prefeitura vai licitar as obras de infraestrutura. Na prática, isso significa que as obras das indústrias só serão iniciadas a partir de 2015. A legislação em vigor prevê que quem não começar as obras no prazo de até dois anos após a doação, perde o terreno, mas devido a uma lei de autoria do vereador Roberto Fu (PDT), esse prazo só passa a contar a partir do momento em que a Prefeitura der condições para que a empresa construa.

Demora

Um dos empresários que se organizaram para pagar o projeto de infraestrutura disse ao JL, sob condição de anonimato, que a iniciativa foi tomada em vista da demora do poder público. Segundo ele, as empresas têm pressa e precisam urgentemente ampliar o espaço. O presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, admitiu as dificuldades e afirmou que a iniciativa dos empresários ajuda a agilizar o processo. Segundo ele, as duas licitações – do projeto e depois das obras – podem demorar de seis a oito meses cada uma, ou seja, só devem sair no ano que vem. “Nós fomos muito claros e objetivos. Disse que para fazer todo o trâmite, teríamos morosidade. Dessa forma, ganhamos todo o prazo [que demoraria a licitação] do projeto”, declarou.

Sobre a aprovação dos projetos de lei com urgência na Câmara, no ano passado, mesmo sem ter a infraestrutura dos parques industriais pronta, Veronesi afirmou que a urgência da administração municipal era para “segurar essas empresas em Londrina”. “Nossa boa vontade é máxima”, reforçou.

Quanto à situação das áreas industriais, o presidente da Codel atribuiu à “herança” recebida pela atual gestão, embora tenha ressalvado que não quer “polemizar”. “Infelizmente, nós recebemos as áreas industriais sem infraestrutura, sem transposição de energia, esgoto, sem asfalto e sem nada. Tem uma que nem tem loteamento aprovado”, lamentou.

Ele afirmou que a Prefeitura tenta buscar recursos do Paraná Cidade para investir na infraestrutura dessas áreas, mas ainda não há nada definido. Como a Codel não tem orçamento para essas obras, os recursos devem sair da Secretaria Municipal de Obras.

Assunto deve voltar à pauta de discussões da Câmara

Enquanto a construção das instalações das empresas patina por causa dos problemas de falta de infraestrutura nas áreas industriais, o assunto está prestes a voltar à agenda da Câmara. A vereadora Elza Correia (PMDB) afirmou que vai formalizar um pedido de informações para que o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) responda oficialmente sobre a situação das áreas doadas. “Quando aprovamos esse lote das doações, tínhamos o compromisso de que iniciariam as obras.” A vereadora, que faz parte da Comissão de Desenvolvimento Urbano, afirmou que “a Câmara precisa acompanhar”. “Não é simplesmente doar”, concluiu. O vereador Roberto Fu (PDT) já foi procurado por empresários - “nove ou dez”, disse ele - que se queixaram porque ainda não puderam entrar nas áreas doadas para trabalhar. “Encontrei um empresário que me mostrou um terreno. Há trigo plantado lá”, relatou. O pedetista reclamou da postura da administração municipal nessa votação: “fizeram a pressão toda, levaram de 40 a 50 empresários à Câmara. Eu considerei aquilo uma pressão forte e, no final, até hoje está tudo no mato ainda”.

Outro vereador que está preocupado com o destino das áreas doadas é Mário Takahashi (PV), que investiga a situação de uma das empresas beneficiadas, a X-5. Há uma semana a administração municipal pediu mais prazo para responder a um pedido de informações de autoria dele. O artigo 10 da lei 12.002/2014, que nasceu de uma emenda apresentada pelo próprio Takahashi, dá um prazo de 180 dias para que a empresa apresente o nome dos sócios e um cronograma de investimentos. Se o prazo não for cumprido, a doação é automaticamente cancelada.

O pedido de prorrogação para responder ao pedido de informações preocupou mais ainda. “O terreno está lá parado e eu quero saber ser vão construir ou não.” Takahashi justificou que há “escassez de áreas públicas no Município” e que quando uma delas é doada a uma empresa privada é preciso agilidade na construção.