27/12/2021 10:31:57 Descontos na conta de luz aliviam o empresariado

Fonte: Janaína Ávila - Revista Mercado em Foco/ACIL 

O empresário Alberto Kenedy Akaishi está há 25 anos no ramo de artigos e serviços para pequenos animais. Com duas lojas do pet shop Dog & Cat Company na cidade, viu a sua preocupação aumentar junto com as contas de luz, mês a mês. “Começou a ficar cada vez mais caro e difícil de entender todas essas tarifas e cores de bandeira diferentes”, conta. A possibilidade de economizar por intermédio de um convênio firmado entre a ACIL e a Paraná Energia veio como um respiro. “É um alívio. Mesmo que eu economize pouco, já ajuda. Vai resolvendo parte do problema, até eu poder investir numa geração própria de energia, como os painéis de luz solar”, planeja.   

A mesma sensação de desafogo teve a arquiteta Sonia Bonafine, sócia proprietária da Contato Work, que reúne salas para diversos profissionais no sistema de coworking. Ela revela que o desconto, já verificado com a primeira conta graças ao convênio, vai ajudar nos custos fixos da empresa, já que praticamente todo o bem-estar de quem trabalha lá, depende da energia elétrica.  

“Todas as salas possuem ar-condicionado e, com o aumento do calor, vão consumir mais. As luzes também ficam acesas o tempo todo”, diz. Com as atividades praticamente paradas no auge da pandemia, os picos de consumo de energia da sua empresa ficaram meio fora do valor de referência, mas, ainda assim, a cada mês, a cifra da fatura aumentava um pouco. Agora, com a volta das atividades, a conta da energia elétrica veio pesada. 

Assim como Alberto Akaishi, ela também aderiu ao convênio firmado entre a cooperativa Paraná Energia e a Coordenadoria das Associações Comerciais e Empresariais do Norte do Paraná (CACINP). O acordo garante aos associados da ACIL descontos de 10% a 12% na conta de luz e essa taxa de desconto pode aumentar progressivamente, proporcional ao crescimento da cooperativa. “Essa é uma das vantagens de ser associado. Nem imaginávamos que seria possível conseguir algum tipo de redução na conta de energia elétrica”, comemora Bonafine.   

A Paraná Energia é uma cooperativa que gera eletricidade para a rede estadual a partir de fontes consideradas limpas, com baixo impacto na emissão de gases de efeito estufa. Essa energia limpa, conseguida a partir de usinas de biogás, fotovoltaica, pequenas centrais hidrelétricas e outras fontes renováveis, gera desconto na forma de créditos que são compensados nas faturas, diminuindo o valor da conta dos seus cooperados consumidores.  

 De acordo com o presidente da cooperativa, Lucio Ricken, o propósito e a missão da Paraná Energia (Cooperativa de Energias Renováveis do Paraná) é unir esforços para gerar o desenvolvimento da cadeia de energias renováveis pela gestão e transferência de créditos de energia na modalidade de geração distribuída. 

“A Cooperativa foi criada para oferecer e facilitar acesso a energias renováveis no Estado. Isso permite que pequenos produtores de energia tenham uma nova renda associada ao negócio, ao mesmo tempo que cooperados consumidores passam a ter essa economia nas suas contas com a transferência de créditos. Nosso maior propósito é o desenvolvimento social, ou seja, energia mais barata para o consumidor e uma fonte de renda para o pequeno gerador de energia, acarretando um impacto econômico positivo aliado à sustentabilidade”, afirma. 

A economia para os cooperados consumidores é o resultado de uma energia obtida de forma mais barata. O pequeno empreendedor na modalidade de geração distribuída e dentro das normas da ANEL conecta a sua usina geradora à rede da distribuidora estadual. A Paraná Energia tem todo o domínio sobre os procedimentos legais para transferência dos créditos de energia e faz a gestão dos ativos.  

“Essa energia mais barata tem redução de impostos incidentes que é transferido na forma de créditos até o consumidor”, explica Ricken. Não é preciso mudar de operadora porque quem faz a transferência e distribuição de energia entre a fonte geradora e a unidade consumidora é a própria companhia de eletricidade estatal. “A cooperativa Paraná Energia faz a gestão de créditos que foram gerados a favor do produtor de energia e que são distribuídos nas faturas de cada consumidor”, completa.  

Para Ricken, talvez falte ainda um pouco de conhecimento dessa modalidade. “É um processo de familiarização com as vantagens desse modelo de operação e gestão das faturas com créditos de geração distribuída”, comenta.  

O presidente da Paraná Energia ainda afirma que a busca por fontes de energia limpas e alternativas é uma forte tendência, principalmente diante do cenário atual com a crise hídrica e a disparada nos preços dos combustíveis e tarifas. “Todas as fontes de energia nunca estiveram tão atraentes e foram tão procuradas como hoje. A retomada da produção com a superação da pior fase da pandemia associada à crise hídrica gerou um grande aumento pela demanda de energia”, afirma.      

ESG 

O convênio entre a Paraná Energia e a CACINP vem ao encontro de uma tendência global voltada a uma gestão empresarial mais em sintonia com as questões ligadas ao meio-ambiente. O interesse por fontes limpas de energia segue uma pauta mundial, a tão falada ESG, sigla em inglês para environmental, social and governance (ambiental, social e governança, em português), geralmente usada para medir as práticas ambientais, sociais e de governança de uma empresa.  

Para Marcelo Quelho Filho, diretor Institucional da ACIL, o papel das entidades é estar um passo à frente, e as questões ambientais estão mais latentes do que nunca. “Costumamos dizer que empresa que opera no vermelho não consegue pensar verde e quem acaba pagando a conta disso é o meio-ambiente. Quando é possível associar o verde ao caixa azul da empresa, trazendo soluções ambientalmente corretas e que são positivas também para a saúde financeira da empresa, encontramos o cenário perfeito: consciência ambiental e balanço positivo, tudo na mesma direção”, afirma.  

Quelho também destaca o fato de a Paraná Energia ser uma cooperativa, com todos os valores e preceitos do cooperativismo. “Não é a venda de um serviço para um cliente, é fazer parte de algo para um bem comum”, analisa. Para ele, é justamente a cooperação em determinada causa que permite o acesso a um benefício para muitos. 

“A ACIL dá o primeiro passo na direção dessa Cooperativa para que os nossos associados possam, ao participarem como cooperados, desfrutar das vantagens que no caso se traduz na redução das faturas de energia elétrica. Não tenho dúvida de que esse é o papel da ACIL, o de trabalhar para soluções que aliviem, de alguma forma, os associados. É pra eles que trabalhamos. A instituição olha para o todo para entender o que poderia ser melhor para o associado e dá o primeiro passo nessa direção, colocando as duas partes em contato”, conta.  

Uma parceria que vem a calhar com as sequências de aumentos nas contas nos últimos meses e mesmo que o copo possa parecer meio vazio, Quelho prefere enxergá-lo meio cheio. “Em relação ao impacto das altas dos preços, tenho duas formas de enxergar esse cenário: uma é ver os preços, simplesmente, disparando. A outra é entender que essa disparada me obriga a procurar soluções mais sustentáveis”, afirma.  

Segundo ele, com a energia elétrica mais cara, surge a necessidade de alternativas e é nesse momento que a própria ACIL sai na frente, já com algumas propostas de soluções para o associado se beneficiar de maneira mais ampla. “Não enxergo essa a alta nos preços como um fator de alerta ou como algo ruim. Enxergo o aumento das tarifas como o impulso que faltava para o empresário despertar, definitivamente, para as fontes de energia renovável”, diz. 

“Mais que um convênio, é uma parceria”, continua Quelho. “A estrutura que a Paraná Energia oferece seria impraticável para uma empresa sozinha. O melhor tipo de parceria que uma entidade empresarial pode fazer para o seu associado é aquela onde ele se sente privilegiado ao acessar o benefício. Quando o empresário tem a certeza de que não faria aquilo sozinho. Nesse momento, a Associação conseguiu cumprir o seu papel, atendendo ao coletivo e com a força somada de todos”, explica.  

Ainda na opinião do diretor Institucional, a alta nos custos é um desafio que deve ser enfrentado no coletivo, com união. “Perceber como fazer parte é fortalecedor. Minha empresa tem um benefício, o meio-ambiente ganha, todos cooperam e prosperam. Isso é associativismo”, pontua.