30/01/2015 00:00:00 Desemprego tem índice mais baixo desde 2002

Fonte: Folha de Londrina

A taxa de desemprego fechou o ano de 2014 em 4,8% e ficou abaixo dos 5,4% registrados em 2013. Os dados foram divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e fazem parte da Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que leva em conta os resultados das seis maiores regiões metropolitanas do País (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). 

Em dezembro, com a menor procura por trabalho, sazonal do último mês do ano, a taxa de desemprego caiu para 4,3% contra o índice de 4,8% em novembro. O resultado de dezembro é igual à menor marca da série histórica do IBGE, que ocorreu no mesmo mês de 2013. A taxa anual também foi a mais baixa da série, iniciada em 2002.

O professor do Departamento de Economia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Alexandre Alves Porsse, explicou que a taxa de 4,8% para o ano é considera positiva, mas só foi possível porque um número menor de pessoas buscou emprego em 2014. Segundo ele, há um contingente em idade ativa que não está procurando emprego porque está estudando. Mas, ele lembrou também que há uma parcela da população que não está em busca de trabalho, mas também não estuda, os chamados jovens "nem-nem" na faixa de 18 a 24 anos. Além disso, ele lembrou que a taxa de fecundidade vem diminuindo, o que reduziu o número de jovens no mercado de trabalho. 

O diretor presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, disse que a população economicamente ativa está diminuindo porque, com o aumento da renda em anos anteriores, as famílias tiveram condições de manter os jovens mais tempo estudando antes de ingressar no mercado de trabalho. 

Porsse e Suzuki disseram que a taxa de 4,8% é considerada um patamar de pleno emprego. O presidente do Ipardes explicou que, mesmo com as demissões na indústria, o setor de serviços tem sido um mecanismo para absorver essa parcela da população desempregada. 

No entanto, as perspectivas para 2015 não são animadoras. Suzuki acredita que, diante dos ajustes que o governo pretende fazer em relação a juros, restrição ao crédito e diminuição do gasto público, a taxa de desemprego pode aumentar neste ano. "O ajuste fiscal do governo vai conter a demanda e, por consequência, a economia, o que refletirá no emprego", afirmou. Ele prevê que 2015 será um ano inteiro de ajustes com retomada do crescimento econômico apenas no segundo semestre de 2016. Porsse também prevê elevação da taxa de desemprego neste ano. 

O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo da Silva, lembrou que, mesmo com o cenário econômico ruim, o mercado de trabalho continua gerando empregos, ainda que em um ritmo menor. Ele também acredita que o nível de desemprego neste ano "vai depender da magnitude do ajuste que será realizado pelo governo federal". 

Já o rendimento no último mês do ano caiu 1,8% frente a novembro. Na comparação com dezembro de 2013, houve expansão de 1,6%. Na média anual, a renda do brasileiro cresceu 2,7% contra 2013 e foi de R$ 2.049,35. Silva lembrou que, em 2014, a maioria das categorias de trabalhadores teve aumento de salário com ganho real. (Com agências)