02/12/2019 08:19:23 Doar sangue, coloque este compromisso na sua agenda

Fonte: Samara Rosenberger - Revista Mercado em Foco/ACIL

Dados do Ministério da Saúde indicam que 16 pessoas a cada mil habitantes doam sangue no Brasil. Isso é o equivalente a 1,6% da população brasileira. Embora o percentual esteja dentro das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) – de pelo menos 1% da população - campanhas visam aumentar o índice. As ações são ainda mais necessárias em períodos de férias e feriados prolongados.

Segundo o diretor do Hemocentro Regional do Hospital Universitário (HU) de Londrina, Fausto Trigo, os estoques de bolsas sanguíneas diminuem cerca de 25% nessas épocas. Nos demais meses do ano, a média de doações gira em torno de 1,2 mil bolsas, conforme levantamento do próprio hemocentro.

“Isso se deve ao fato das viagens dos doadores rotineiros. Paralelamente a isso, temos aumento de demanda de consumo, pois ocorrem mais acidentes de trânsito nesse período, ou seja, são situações que exigem o uso frequente deste material. Apesar disso, temos conseguido uma melhora com campanhas na mídia”, explica o médico.

Homens e mulheres entre 30 e 50 anos são os principais doadores de sangue do Hemocentro do HU. Eles representam 52% do total e elas 48%. Cerca de 30% têm entre 18 e 29 anos, enquanto os acima de 50 representam 15%. “Acredito que o londrinense é bastante consciente em relação à necessidade de doar. Nos últimos 20 anos, em especial na última década, o Brasil avançou muito na conscientização. Quando fazemos a chamada, percebo que a procura pelo Hemocentro Regional é grande”, relata Trigo.

Na avaliação do médico, os incrementos nos números de doações são anuais, apesar da crise político-econômica do País que influencia o comportamento do brasileiro. Mesmo assim, percebo que as pessoas têm mais interesse em doar. Estamos diante de uma nova percepção de cidadania. A população mais jovem tem absorvido o conceito de maneira bem efetiva”, comemora.

Datas sazonais como o Dia do Doador Voluntário de Sangue, celebrado em 25 de novembro, e a Quinzena Municipal de Conscientização à Doação de Sangue e o Junho Vermelho, estabelecidos por lei municipal, contribuem para aumentar as gavetas do Hemocentro Regional.

Ação de cidadania

Doar sangue é extremamente necessário porque se trata de material biológico, não manufaturado, impossível de ser produzido artificialmente. Ter um bom estoque de sangue atende às necessidades de pacientes para tratamentos de doenças graves e cirurgias de urgência ou não urgência. Doar, por sua vez, é uma ação de cidadania e de responsabilidade da sociedade civil. “Todos os tipos de sangue são necessários. Se a geladeira estiver abastecida com vários tipos sanguíneos, a pressão sobre o O negativo, que é conhecido como doador universal, será muito menor, porque há outros grupos ABO e RH. Todos são importantes, porém, o O negativo pode ser solicitado com mais frequências em urgências hospitalares”, explica o diretor.

Para doar, é preciso ter mais de 18 e menos de 65 anos, no caso da primeira doação. Para idosos que já são doadores, é permitido doar até os 69 anos. Ao ir até o Hemocentro Regional, é necessário levar um documento de identidade oficial com foto e estar em boas condições de saúde. “Há outros critérios que são questionados no momento da doação, como tatuagem, maquiagem definitiva, frequência de atividade sexual ou número de parceiros”, cita o médico.

O Hemocentro Regional fica anexo ao prédio do Hospital Universitário, na rua Cláudio Donizete Cavalieri, 156, no Jardim Tarumã, e funciona de segunda a sexta-feira, das 13h às 18h30 e aos sábados das 8h às 17h30.

Folga para o trabalhador

A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) garante o direito a ausência a um dia de trabalho, sem prejuízo de salário, a cada 12 meses, para doação voluntária de sangue devidamente comprovada. Porém, muitos trabalhadores desconhecem o inciso IV do artigo 473 da legislação.

“Embora tenhamos esse incentivo por lei, infelizmente, é pouquíssimo praticada. Precisamos despertar nas empresas a necessidade de liberar seus servidores para doar sangue. Faria uma imensa diferença nos nossos estoques”, comenta o diretor do Hemocentro. “Acredito que falta engajamento dos empresários em ações sociais e cidadãs como essa. Esse tipo de adesão promove a empresa ao status de cidadã”, opina.

O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), que é a rede de coleta de sangue no Estado, é responsável por mais de 90% das transfusões realizadas em leitos do SUS. Por meio dela, as empresas que incentivam a doação de sangue adquirem um selo de “empresa cidadã”. “Nossas parceiras são homenageadas na Câmara Municipal de Vereadores e possuem um respaldo de autoridades importantes, que reconhecem esse apoio. São incentivos importantes que precisam ser ampliados”, diz.

Atualmente, o Hemocentro Regional não trabalha mais com o ônibus que fazia a coleta itinerante devido à falta de recursos humanos e financeiros. Em virtude disso, as doações coletivas precisam ser organizadas pelos próprios empresários interessados. “Temos uma van de 14 lugares que pode auxiliar no transporte de pessoas que faz a rota origem e destino”, sugere Trigo. “Essas parcerias são bem-vindas pois contribuem para uma sociedade mais consciente e saudável”, finaliza.

Quem não pode doar

- Hemoglobina muito baixa (“anemia”), ou muito alta, no teste realizado imediatamente antes da doação;

- Pressão arterial muito baixa ou muito alta no momento da doação;

- Ter doença grave pulmonar, cardíaca, autoimune, infecciosa ou histórico de câncer (mesmo curado);

- Diabetes em uso de insulina;

- Epilepsia (convulsões) em tratamento;

- Ter mantido relação sexual com pessoa desconhecida ou parceiro ocasional no último ano;

- Ter feito uso de drogas injetáveis;

- Ter tido doença sexualmente transmissível no último ano;

- História de Hepatites B e C, doença de Chagas, sífilis e AIDS;

- Ter contraído malária ou ter visitado área de risco para malária há menos de 12 meses. São considerados área de risco para malária os seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Rondônia, Roraima, Pará e Tocantins.