26/03/2015 00:00:00 Dólar em alta alavanca exportações de Londrina

Fonte: Folha de Londrina

A valorização do dólar frente ao real provocou um salto no saldo da balança comercial de Londrina, que foi de R$ 1,074 milhão negativos no primeiro bimestre de 2014 para R$ 41,080 milhões positivos no mesmo período deste ano, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC). Houve uma queda generalizada nas importações, puxadas pela redução de 48% no desembarque de bens de capital, enquanto as empresas da cidade venderam 58% mais produtos primários e insumos para o exterior. 

Para economistas, a tendência no ano é que a região consiga um alento diante da crise econômica nacional pela vocação para o agronegócio, enquanto centros mais industrializados tendem a sofrer mais. No entanto, a maior demanda do exterior por alimentos e produtos primários brasileiros pode gerar pressão inflacionária em todo o País, já que o consumidor internacional pagará mais pelos bens. Outro porém é que a redução na importação de bens de capital indica baixa demanda por máquinas e equipamentos, o que pode prejudicar a produção em longo prazo. 

As exportações a partir de Londrina somaram R$ 94,4 milhões nos dois primeiros meses deste ano, 38% acima dos R$ 68,1 milhões do mesmo período do ano passado. Em movimento inverso, as importações deste ano ficaram em R$ 53,2 milhões, ou 23% a menos do que os R$ 69,1 milhões do primeiro bimestre de 2014. 

Entre os produtos que tiveram maior aumento de receita neste ano com exportações na cidade estão café e derivados (115,27%), açúcares (121,73%), trigo (saiu de zero para R$ 6,5 milhões) e milho (218,44%). Técnico e ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) no Paraná, Eugênio Stefanelo afirma que as cotações em dólar elevaram e muito o preço em real das sacas de café, trigo e milho, assim como o de carnes. "Aquelas regiões que dependem fundamentalmente do agronegócio terão menor impacto do que as que dependem da indústria", diz. 

O economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que, como o Carnaval foi em fevereiro neste ano e em março em 2014, seria mais confiável fazer a comparação com o trimestre fechado. Mesmo assim, lembra que a rentabilidade dos produtos primários aumenta muito com o dólar em alta. "Quando a safra é boa no Paraná, temos geração de renda grande em municípios produtores, o que se espalha, gera aumento do consumo de todo o tipo e cria um efeito positivo na economia regional", explica. 

Zurcher diz que a riqueza gerada no campo atenua a crise, de modo geral. "O que falta medir é até onde vai essa crise. Se a retração industrial for muito grande, todos vão sentir."

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Para a professora de economia Maria de Fátima Sales, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), se a alta do dólar torna mais competitivos os preços dos produtos que se exporta, é preocupante o aumento dos custos de bens de capital e de insumos. Ela lembra que boa parte do que é consumido pelo setor produtivo nacional vem do exterior. "Essas empresas tendem a frear a compra de estoques de matérias-primas e os investimentos enquanto verificam a direção do câmbio. Isso pode ocorrer nos primeiros meses, mas não se consegue reprimir por muito tempo."