04/12/2014 00:00:00 Economia não deve crescer mais que 0,8% em 2015

Fonte: Folha de Londrina

O ano de 2015 será de crescimento modesto na casa de 0,8% e novamente com a economia parada. O Produto Interno Bruto (PIB) só chegará a 2% em 2016. A inflação deve ficar em 6,5% no próximo ano, mas o grande entrave será a alta dos preços administrados que têm um 

índice inflacionário previsto para subir 7,20%. Isso significa que devem ficar mais caros combustíveis, energia elétrica, transporte público e tributos como IPTU e IPVA. E para conter a inflação o governo terá que usar do aumento dos juros que devem ficar em 12% ao ano em 2015. Para o câmbio, a previsão é encerrar o próximo ano com dólar a R$ 2,67. 

Também será fundamental para 2015 ter uma política fiscal com um bom superavit primário mais próximo de 2,5% ou 3%, o que melhoraria as expectativas de inflação. Neste ano, o superavit deve ser de 0,20% e, em 2015, de 1%. 

A nova equipe econômica anunciada pela presidente Dilma Rousseff terá que trabalhar para melhorar a confiança dos empresários, evitar o rebaixamento das notas de classificação de risco dos títulos públicos, evitar a expansão do crédito acima de 12% ao ano e adotar uma nova estratégia de crescimento com foco na produtividade. As opiniões são do coordenador do curso de Economia da Universidade Positivo (UP), Lucas Dezordi, e de outros três economistas que participaram ontem de um debate sobre as perspectivas para a economia em 2015 no Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR) em Curitiba. 

"Vai ser um período de ajuste em 2015 e acredito que não teremos nenhum incentivo específico para a indústria", disse o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher. Ele prevê que a produção industrial tenha recuperação em 2015, mas dificilmente vai chegar ao nível registrado em 2013. 

Ele avaliou que 2014 foi trágico para o setor, mas acredita que ‘’o fundo do poço já passou’’. No entanto, pontuou que, para o setor recuperar o nível de 2013, serão necessários dois anos. Ele prevê que a indústria do Paraná deve retomar o seu dinamismo e crescer acima da brasileira, mas a dúvida ainda é a indústria argentina. 

O economista Fabiano Camargo da Silva do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), acrescentou que o desempenho da economia e da geração de empregos em 2015 depende do tipo de ajuste que será feito pela nova equipe econômica. "Espero que continue a geração de postos de trabalho, o aumento da renda, mas vai depender da política econômica, fiscal e cambial", afirmou. Ele considera que o aumento do salário mínimo e do piso regional do Paraná podem influenciar as negociações salariais em 2015. Silva prevê que no próximo ano ocorra manutenção das taxas de desemprego e continuidade da geração de empregos. 

Agronegócio 

Já o setor da agricultura espera que o governo tenha regras muito claras para 2015. Para o economista Pedro Loyola, da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o setor precisa de gestão de risco, seguro agrícola e defesa sanitária com informações integradas. ‘’O Ministério da Agricultura tem que ser fortalecido porque hoje tem pouca força política’’, disse. 

Para 2015, a previsão é que a safra de grãos do Paraná atinja 37,9 milhões de toneladas contra os 36,1 milhões de 2014. A área de feijão deve diminuir 19%, a de milho também deve reduzir 10% e a de soja deve ser 3% maior. E o leite deve ter oferta maior do que a demanda. 

Loyola disse que o setor precisa de estabilidade macroeconômica para ampliar o planejamento dos agricultores; regras regulatórias claras nas áreas ambiental, de biossegurança, seguridade dos alimentos e trabalho e investimentos em logística e defesa sanitária. O produtor também precisa de financiamentos e assistência técnica.