01/08/2014 00:00:00 Marqueteiros prometem campanha sem ataques

Fonte: Folha de Londrina

Uma campanha "limpa", focada em propostas e sem ataques gratuitos aos rivais. Essa é a promessa dos marqueteiros dos principais concorrentes ao governo do Paraná. A FOLHA ouviu os profissionais responsáveis por conduzir os programas de sete dos oito candidatos ao Palácio Iguaçu. Apenas Aírton Pissetti, coordenador de marketing do senador Roberto Requião (PMDB), preferiu não se pronunciar antes do início da propaganda no rádio e na televisão. "Não vou abrir nada. Se contar, vou ser revelador para os adversários", justificou-se. 

O publicitário Raul Cruz Lima, contratado pelo governador Beto Richa (PSDB), que disputa a reeleição, disse que sua tarefa será simples. "É a campanha do vencedor, de quem está na frente nas pesquisas. Será baseada nas coisas que ele fez e nas coisas que quer fazer, nas propostas para o futuro. A gente espera algo educado, evoluído, e pede para ele não responder a ataques de ninguém", afirmou. O marqueteiro principal do tucano será Paulo de Tarso, que já atendeu Jaime Lerner e o próprio Beto, na época em que ele foi vice de Cassio Taniguchi em Curitiba. No entanto, como o profissional também está conduzindo a campanha de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás, Lima ficou encarregado de tocar as ações no Paraná. 

Tanto Beto como Gleisi Hoffmann (PT) devem reforçar seus feitos nos cargos por onde passaram. Além do governo do Estado, o tucano irá relembrar do tempo em que foi prefeito da capital. "Estamos numa posição privilegiada. Eles (adversários) é que precisam se virar e mostrar que podem chegar. Se a gente conduzir bem, pode ganhar até no primeiro turno", avaliou Lima. Segundo ele, desde junho de 2013, quando protestos eclodiram pelo País, as pessoas têm mostrado um descontentamento generalizado com a política, o que requer a utilização de uma linguagem mais despojada. "Queremos criar uma campanha baseada na credibilidade, procurar uma forma franca de falar com as pessoas, para que elas possam acreditar. Não serão aquelas promessas de campanha de sempre", adiantou. 

A senadora, por sua vez, pretende mostrar a experiência que adquiriu ao chefiar a Casa Civil durante a maior parte da gestão de Dilma Rousseff (PT) na Presidência da República. O publicitário Oliveiros Marques, responsável pela campanha vitoriosa de Gustavo Fruet (PDT) em Curitiba, em 2012, e da própria senadora em 2010, conduzirá as ações da petista. Apesar de não poupar críticas aos problemas financeiros enfrentados pela administração estadual, ele contou que quer evitar a disputa "bélica". "Não nos preparamos para a guerra. Vamos fazer um debate sobre o futuro do Paraná. Não constam para nós elementos de ataque aos adversários." 

Além de pontuar o que Gleisi "já fez pelo Paraná", em referência aos repasses de recursos federais para obras em diferentes áreas no Estado, Marques deve enfatizar a "linguagem feminina" da petista. "A gente não vai fazer uma campanha de ‘vote nela por ser mulher’. Não acredito que o eleitor se mova por isso. Mas a mulher tem sim uma forma de se relacionar com os assuntos diferente. Isso se mostra no cotidiano, nas preocupações, na forma de lidar com os problemas", explicou. "Quero alguém brigando com todo mundo, ou quero uma governadora que dialoga, que trabalha pelo consenso e pela cooperação? Não tem como não explorar esse lado, porque isso ‘é ela’", completou. 

Crise e "discriminação"
Como ficou claro nos planos de governo protocolados junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), tucanos e petistas devem levar a questão dos empréstimos para os palanques. Ambos, porém, negam que as discussões signifiquem "ataques". "A Gleisi e o Requião representam o mesmo governo federal, a mesma crise que a gente está vivendo. O Paraná tem dois senadores que, ao invés de ajudar, têm atrapalhado a situação. Somos o terceiro Estado que mais manda impostos para o governo federal e o 24º ou 25º em volume recebido de recursos. É discriminação", disparou Raul Cruz Lima. 

Para Oliveiros Marques, as informações sobre a crise financeira enfrentada pelo Estado representam "um diagnóstico", e não uma crítica. "O próprio governador, ao admitir a necessidade de buscar financiamento, deixa isso claro. Só recorre a empréstimo quem está precisando de grana", alfinetou. "É fato que eles gastaram 9%, quando deveriam gastar 12%, do orçamento em saúde, assim como é fato que isso impede a contratação de qualquer operação de crédito. Falar que é perseguido é ‘discurseira’, tentativa de maquiar o diagnóstico", acrescentou. 

A campanha eleitoral já está nas ruas há quase um mês e o início da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão está marcado para o próximo dia 19.