13/11/2014 00:00:00 Emprego industrial tem queda de 5,2% no Paraná

Fonte: Folha de Londrina 

O emprego na indústria brasileira completou seis meses consecutivos de queda em setembro e o volume de pessoal ocupado no setor recuou 0,7% em relação ao verificado em agosto, quando teve queda de 0,4%. No Paraná, o pessoal ocupado recuou 5,2% em setembro na comparação com o mesmo mês do ano passado, o pior resultado entre os 14 locais apurados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para a Pesquisa Industrial Mensal de Emprego e Salário (Pimes). No Brasil, a queda foi de 3,9% em setembro em relação ao mesmo mês de 2013, a 36ª redução nessa base de comparação e o maior recuo desde outubro de 2009 (-5,4%). 

No acumulado do ano, o emprego na indústria brasileira acumula perdas de 2,8% e, nos 12 meses encerrados em setembro, a queda é de 2,6%. No Paraná, de janeiro a setembro, o emprego teve redução de -4,2% (a maior do País) e, nos 12 meses, de -3,45%. 

O número de horas pagas caiu -5,6% no nono mês do ano no Estado, -5,2% nos nove primeiros meses de 2014 e -4,52% nos 12 meses encerrados em setembro. A folha de pagamento real - que é massa salarial total da indústria - no Paraná registrou redução de -5,2%, cresceu 0,29% e recuou -0,86%, respectivamente. 

Para o economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Roberto Zurcher, a redução no consumo refletiu diretamente na queda na produção industrial e, por consequência, nos empregos do setor que também sofre com a falta de perspectivas para o futuro. Dos 17 setores da indústria pesquisados pelo IBGE, 12 tiveram queda no pessoal ocupado em setembro no Estado. Entre os segmentos com resultados negativos estão vestuário (-12,92%), coque, refino de petróleo, combustíveis e álcool (-6,41%), máquinas e equipamentos (-94,93%), máquinas e aparelhos elétricos e eletrônicos (-28,38%) e indústrias de veículos (-8,42%). O melhor resultado foi o setor de madeira com alta de 5,93%. 

Zurcher explicou que o resultado negativo da indústria de aparelhos elétricos e eletrônicos pode ser atribuído à velocidade menor com que as pessoas têm realizado a troca de produtos como tablets, computadores e smartphones. O economista alertou que a redução no pessoal ocupado em máquinas e equipamentos mostra que a indústria não está investindo e também não vem adquirindo equipamentos. Já a queda em veículos é reflexo do desempenho das montadoras que vêm amargando resultados negativos neste ano. 

Segundo ele, a queda no pessoal ocupado no vestuário é significativa porque é um dos setores que mais emprega no Paraná e está sofrendo com a concorrência dos importados e a queda nas vendas. 

A presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário de Curitiba e Região Metropolitana, Luciana Bechara, disse que maio e junho são os melhores meses de vendas para o setor. No entanto, a Copa do Mundo provocou queda de vendas no varejo. Além disso, ela destacou que o setor sofre com a forte importação, o que diminui a produção no Brasil. 

Ela lembrou ainda que 95% das empresas de vestuário no Paraná são micro e pequenas e sofrem com dificuldades de crédito. Segundo ela, as perspectivas não são positivas para os próximos meses porque, em novembro e dezembro, o setor quase não produz porque já entregou toda a coleção de verão. A produção da coleção de inverno é mais intensa em janeiro. Luciana defende ainda a necessidade de crédito, juros e impostos menores para as pequenas empresas do vestuário.