04/09/2014 00:00:00 Contratações temporárias de fim de ano devem aumentar 3,5% em relação a 2013

Fonte: Folha de Londrina

O número de vagas temporárias de emprego criadas para os três últimos meses deste ano deve ser menor do que a registrada em anos anteriores, segundo previsões de analistas e de entidades empresariais. A expectativa se baseia na tendência de crescimento mais fraco das vendas no comparativo entre os mesmos períodos, devido à desaceleração de indicadores econômicos como produção, busca por crédito e crescimento do mercado de trabalho desde janeiro, aliada às altas da inflação e dos juros. 

Conforme previsão da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o País deve criar 0,8% mais vagas temporárias do que em 2013, ano em que o crescimento foi de 3,2% ante 2012. O indicador se deve à expectativa de uma movimentação financeira de R$ 32,5 bilhões para o Natal, alta de 3% ante 2013, mas também menor do que os 5,1% registrados no ano passado sobre 2012. No geral, devem ser criados no País 138,7 mil postos temporários no comércio varejista, de acordo com a CNC. 

A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) não divulga números de anos anteriores, mas também estima desaceleração na geração local de empregos temporários neste ano, mas ainda com saldo positivo. A previsão é de que sejam criadas de 3% a 4% mais vagas do que em 2013. A diferença ante o índice do País é porque os setores mais fortes da região são os de comércio e serviços, que têm sofrido menos reflexo do mau momento vivido pela economia do que a indústria, por exemplo, diz o consultor econômico da entidade, Marcos Rambalducci. 

O economista da CNC, Fabio Bentes, diz que a previsão para o Natal segue o mesmo comportamento apresentado para outras datas comemorativas deste ano. A diferença é que ele vê uma tendência a uma recuperação econômica no País para o segundo semestre sobre o primeiro, com o arrefecimento da inflação. "Pelo lado do preço no atacado, a inflação perdeu força nos últimos cinco meses e essa tendência deve ser observada no varejo." 

Bentes cita que medidas para ampliar a oferta de crédito em bancos, propostas pelo governo federal, também ajudam o varejo. Porém, o consumidor está cauteloso em fazer compras financiadas, o que deve fazer com que seja o Natal das compras mais baratas. "É difícil comprar um computador à vista, então os supermercados e as lojas de vestuário devem ter crescimento maior", diz. 

Em Londrina
A secretária de Trabalho, Emprego e Renda de Londrina, Kátia Gomes, também acredita na tendência de desaceleração da criação de vagas temporárias. "No ano passado, já nos surpreendemos porque foram um pouco menores no Sine do que em 2012", diz. Ela se diz otimista, mas lembra que o quadro somente se desenha a partir de novembro, depois que as vendas para o Dia das Crianças define o ritmo das contratações para o Natal. 

Apesar da expectativa de recuperação da economia no segundo semestre, o consultor da Acil pede cautela também aos comerciantes. Ele cita que a entidade deve soltar orientações sobre o período a partir do fim de setembro, já que é preciso aguardar para ver se a economia reage, mesmo. "Existe hoje uma esperança maior do que uma confiança de que as medidas possam redundar em crescimento", diz Rambalducci.